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Como se comportam a Esquerda e a Direita brasileiras no WhatsApp? Um estudo sobre a dinâmica de grupos virtuais e as relações dos seus membros com os adversários políticos nas eleições de 2020

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Resumo:Esta tese investiga as discussões políticas em grupos de WhatsApp de orientações de esquerda e direita durante as eleições brasileiras de 2020. Seu objetivo principal é responder à pergunta: "Qual é a dinâmica dos grupos virtuais brasileiros com orientações à esquerda e à direita e a relação dos seus membros com os adversários políticos durante a campanha eleitoral de 2020?". A pesquisa se apoia na teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas e em contribuições de outros teóricos sobre as mudanças na esfera pública e na política deliberativa diante dos media digitais, como Sunstein, Dahlberg, Mansbridge e Papacharissi. Além disso, incorpora perspectivas de campos variados, como psicologia social e comunicação, destacando-se os trabalhos de Keyton, Tuckman e Recuero sobre a formação e a gestão de grupos e comunidades virtuais. A análise abrangente do WhatsApp como plataforma de comunicação política inclui a formação de grupos, identidade e debates políticos em espaços comuns, que permite explorar as interações entre membros, a influência de atores não-humanos e a utilização de recursos técnicos. A pesquisa se propõe a entender as dinâmicas interacionais entre esquerda e direita no Brasil, observando como estas se alinham ou divergem ao longo do espectro ideológico. Para desenvolver a análise, realizou-se uma netnografia, que teve a observação participante como técnica complementar. A base empírica consistiu em 104 grupos de WhatsApp, sendo 55 de direita e 49 de esquerda, resultando em 8.753 ocorrências. Nos grupos de direita, foram 4.164 comentários (738 iniciais e 3.426 respostas); nos de esquerda, 4.589 comentários (991 iniciais e 3.598 respostas). Quatro questões-chave norteiam o estudo: 1) Organização dos grupos de esquerda e direita no WhatsApp; 2) Natureza das relações estabelecidas nos grupos virtuais; 3) Papel dos administradores na coordenação do debate; 4) Uso de arquivos multimedia e presença de bots nos grupos. Os resultados evidenciam características marcantes dos grupos virtuais brasileiros de esquerda e direita, incluindo: a) prevalência de câmaras de eco ideológicas, especialmente à direita; b) influência significativa da exposição inadvertida, fomentando diversidade de perspectivas; c) abordagens distintas na interação com adversários políticos, com a direita mais estratégica e a esquerda mais dialogante; d) uso diferenciado de recursos técnicos e linguagem, com a direita propensa a linguagem depreciativa e a esquerda equilibrando o uso de recursos técnicos; e) presença mais ativa de bots e ciborgues nos grupos de direita, indicando manipulação no debate; f) momentos de ação comunicativa e estratégica em ambos os lados, refletindo a complexidade das interações políticas; g) nacionalização das eleições municipais, com discussões centradas em questões e figuras políticas nacionais; h) cisão ideológica e desafios ao diálogo construtivo em ambientes polarizados.
Autores principais:Bittencourt Filho, Geraldo Bulhões
Assunto:Discussão política WhatsApp Polarização Ideológica Ideological polarization Political discussion
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Esta tese investiga as discussões políticas em grupos de WhatsApp de orientações de esquerda e direita durante as eleições brasileiras de 2020. Seu objetivo principal é responder à pergunta: "Qual é a dinâmica dos grupos virtuais brasileiros com orientações à esquerda e à direita e a relação dos seus membros com os adversários políticos durante a campanha eleitoral de 2020?". A pesquisa se apoia na teoria da ação comunicativa de Jürgen Habermas e em contribuições de outros teóricos sobre as mudanças na esfera pública e na política deliberativa diante dos media digitais, como Sunstein, Dahlberg, Mansbridge e Papacharissi. Além disso, incorpora perspectivas de campos variados, como psicologia social e comunicação, destacando-se os trabalhos de Keyton, Tuckman e Recuero sobre a formação e a gestão de grupos e comunidades virtuais. A análise abrangente do WhatsApp como plataforma de comunicação política inclui a formação de grupos, identidade e debates políticos em espaços comuns, que permite explorar as interações entre membros, a influência de atores não-humanos e a utilização de recursos técnicos. A pesquisa se propõe a entender as dinâmicas interacionais entre esquerda e direita no Brasil, observando como estas se alinham ou divergem ao longo do espectro ideológico. Para desenvolver a análise, realizou-se uma netnografia, que teve a observação participante como técnica complementar. A base empírica consistiu em 104 grupos de WhatsApp, sendo 55 de direita e 49 de esquerda, resultando em 8.753 ocorrências. Nos grupos de direita, foram 4.164 comentários (738 iniciais e 3.426 respostas); nos de esquerda, 4.589 comentários (991 iniciais e 3.598 respostas). Quatro questões-chave norteiam o estudo: 1) Organização dos grupos de esquerda e direita no WhatsApp; 2) Natureza das relações estabelecidas nos grupos virtuais; 3) Papel dos administradores na coordenação do debate; 4) Uso de arquivos multimedia e presença de bots nos grupos. Os resultados evidenciam características marcantes dos grupos virtuais brasileiros de esquerda e direita, incluindo: a) prevalência de câmaras de eco ideológicas, especialmente à direita; b) influência significativa da exposição inadvertida, fomentando diversidade de perspectivas; c) abordagens distintas na interação com adversários políticos, com a direita mais estratégica e a esquerda mais dialogante; d) uso diferenciado de recursos técnicos e linguagem, com a direita propensa a linguagem depreciativa e a esquerda equilibrando o uso de recursos técnicos; e) presença mais ativa de bots e ciborgues nos grupos de direita, indicando manipulação no debate; f) momentos de ação comunicativa e estratégica em ambos os lados, refletindo a complexidade das interações políticas; g) nacionalização das eleições municipais, com discussões centradas em questões e figuras políticas nacionais; h) cisão ideológica e desafios ao diálogo construtivo em ambientes polarizados.