Publicação
Autoria, tradição e inovação no folclore do Baixo Minho: Um estudo de caso da Rusga de São Vicente de Braga
| Resumo: | Esta dissertação de mestrado tem o propósito de esclarecer de que forma é que os conceitos de autoria e pertença da música popular (a que se canta e toca associada à ruralidade) influenciam os processos de categorização de autenticidade e tradição. Questiona a identidade cultural e o pensamento de autenticidade ligados ao folclore português. O principal objetivo deste estudo é perceber como é que as noções de autoria e pertença no repertório musical e coreográfico no âmbito do “universo” do folclore se relacionam com os conceitos de “autenticidade” e “tradição”. Para cumprir este objetivo, é realizado um estudo de caso da Rusga de São Vicente de Braga – Grupo Etnográfico do Baixo Minho. A partir de todos os dados recolhidos e analisados, foi possível concluir que a autoria da música popular, enquanto conceito se situa no cerne de uma problemática complexa e controversa, que consiste na mitificação da música popular como fruto intemporal da alma do povo e elemento importante da definição da nacionalidade e identidade de um povo. O conceito de autenticidade é aqui posto em causa através da análise do processo de criação da música folclórica. Conclui-se que o processo de criação é visto, cada vez mais, como um fenómeno individual, que consiste no processo em que o autor ou compositor compõe segundo os parâmetros que a tradição ou escola anterior lhe transmite. Na chamada tradição popular, esses parâmetros são fornecidos via oral. Com o passar do tempo, a identificação desses autores ficou perdida. A partir daí, a composição musical foi apropriada pelos grupos folclóricos como sua e transmitida para a geração seguinte. Os grupos recebem, assimilam, adaptam e recriam as composições deixadas pelas gerações anteriores. A “tradição” consiste na transmissão; e a autoria é a receção dessa transmissão, dessa “tradição”. Desta forma, constato que estes dois conceitos tão díspares estão completamente interligados e articulados. |
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| Autores principais: | Barros, Ana Catarina Braga de |
| Assunto: | Inovação Autenticidade Autoria Folclore Tradição Tradition Folklore Authenticity Authorship Innovation |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Esta dissertação de mestrado tem o propósito de esclarecer de que forma é que os conceitos de autoria e pertença da música popular (a que se canta e toca associada à ruralidade) influenciam os processos de categorização de autenticidade e tradição. Questiona a identidade cultural e o pensamento de autenticidade ligados ao folclore português. O principal objetivo deste estudo é perceber como é que as noções de autoria e pertença no repertório musical e coreográfico no âmbito do “universo” do folclore se relacionam com os conceitos de “autenticidade” e “tradição”. Para cumprir este objetivo, é realizado um estudo de caso da Rusga de São Vicente de Braga – Grupo Etnográfico do Baixo Minho. A partir de todos os dados recolhidos e analisados, foi possível concluir que a autoria da música popular, enquanto conceito se situa no cerne de uma problemática complexa e controversa, que consiste na mitificação da música popular como fruto intemporal da alma do povo e elemento importante da definição da nacionalidade e identidade de um povo. O conceito de autenticidade é aqui posto em causa através da análise do processo de criação da música folclórica. Conclui-se que o processo de criação é visto, cada vez mais, como um fenómeno individual, que consiste no processo em que o autor ou compositor compõe segundo os parâmetros que a tradição ou escola anterior lhe transmite. Na chamada tradição popular, esses parâmetros são fornecidos via oral. Com o passar do tempo, a identificação desses autores ficou perdida. A partir daí, a composição musical foi apropriada pelos grupos folclóricos como sua e transmitida para a geração seguinte. Os grupos recebem, assimilam, adaptam e recriam as composições deixadas pelas gerações anteriores. A “tradição” consiste na transmissão; e a autoria é a receção dessa transmissão, dessa “tradição”. Desta forma, constato que estes dois conceitos tão díspares estão completamente interligados e articulados. |
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