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A utilização dos serviços de urgência em unidades locais de saúde

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Resumo:RESUMO - OBJETIVOS A criação de unidades prestadoras de cuidados de saúde verticalmente integradas assenta na perspetiva de que uma maior integração dos cuidados pode melhorar o acesso, a qualidade, a eficiência e a satisfação dos doentes. Em Portugal, entre 1999 e 2012, foram criadas oito unidades de saúde verticalmente integradas, fundindo hospitais e prestadores de cuidados primários em Unidades Locais de Saúde (ULS). Este estudo tem como objetivo avaliar o efeito da integração vertical na utilização dos serviços hospitalares em Portugal Continental, com foco na utilização dos Serviços de Urgência (SU), contribuindo para a lacuna existente na respetiva evidência empírica. Para tal, foi testada a utilização dos SU nos contextos ULS e não-ULS e identificados fatores explicativos da utilização dos SU nos distintos modelos organizativos. MÉTODOS Foi realizado um estudo observacional e retrospetivo que incluiu doentes inscritos nos Cuidados de Saúde Primários (CSP), com 18 ou mais anos, residentes em Portugal Continental, que utilizaram qualquer tipologia de SU em 2015 entre 1 e 10 vezes - 2,3M de utentes e 4,3M de episódios de urgência. A utilização global do SU foi testada através de uma análise comparativa entre os contextos ULS e não-ULS. A utilização frequente (4 ou mais admissões nos SU por ano), por doentes com 2 ou mais problemas de saúde e por idosos foram também testadas. Para identificação de fatores explicativos da utilização dos SU foi realizada uma regressão linear múltipla, considerando como variável dependente o valor padronizado do número de episódios de urgência por utente, e variáveis características da respetiva procura e oferta, como explicativas. RESULTADOS No ano de 2015, a utilização média dos SU por utente nas ULS foi de 1,93 episódios e no contexto não ULS foi de 1,84 episódios, sendo as diferenças encontradas estatisticamente significativas. v Utilizadores frequentes, doentes com 2 ou mais problemas de saúde e idosos em ULS, têm também um uso mais elevado dos SU. Controlando o género, a idade e os problemas de saúde e comportamentos de risco, um aumento da utilização dos CSP está associado a um aumento da utilização dos SU. CONCLUSÕES A integração vertical supõe, entre outros princípios, uma priorização da atuação ao nível dos CSP, sendo daí esperada uma menor utilização do SU. Num contexto comparativo, e para o ano analisado, o presente estudo não confirma essa relação, mesmo para doentes com 2 ou mais problemas de saúde ou idosos. O desempenho dos CSP nas ULS não se mostrou, até 2015, capaz de potenciar um menor volume de admissões urgentes dos doentes inseridos naquele contexto organizacional, relativamente aos demais. No entanto, para uma conclusão mais robusta, existem outras variáveis a serem controladas no desenvolvimento futuro deste estudo.
Autores principais:Rego, Patricia Maria Nunes
Assunto:integração vertical utilização dos serviços hospitalares serviços de urgência cuidados de saúde primários vertical integration hospital services utilization emergency room primary care
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:outro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:RESUMO - OBJETIVOS A criação de unidades prestadoras de cuidados de saúde verticalmente integradas assenta na perspetiva de que uma maior integração dos cuidados pode melhorar o acesso, a qualidade, a eficiência e a satisfação dos doentes. Em Portugal, entre 1999 e 2012, foram criadas oito unidades de saúde verticalmente integradas, fundindo hospitais e prestadores de cuidados primários em Unidades Locais de Saúde (ULS). Este estudo tem como objetivo avaliar o efeito da integração vertical na utilização dos serviços hospitalares em Portugal Continental, com foco na utilização dos Serviços de Urgência (SU), contribuindo para a lacuna existente na respetiva evidência empírica. Para tal, foi testada a utilização dos SU nos contextos ULS e não-ULS e identificados fatores explicativos da utilização dos SU nos distintos modelos organizativos. MÉTODOS Foi realizado um estudo observacional e retrospetivo que incluiu doentes inscritos nos Cuidados de Saúde Primários (CSP), com 18 ou mais anos, residentes em Portugal Continental, que utilizaram qualquer tipologia de SU em 2015 entre 1 e 10 vezes - 2,3M de utentes e 4,3M de episódios de urgência. A utilização global do SU foi testada através de uma análise comparativa entre os contextos ULS e não-ULS. A utilização frequente (4 ou mais admissões nos SU por ano), por doentes com 2 ou mais problemas de saúde e por idosos foram também testadas. Para identificação de fatores explicativos da utilização dos SU foi realizada uma regressão linear múltipla, considerando como variável dependente o valor padronizado do número de episódios de urgência por utente, e variáveis características da respetiva procura e oferta, como explicativas. RESULTADOS No ano de 2015, a utilização média dos SU por utente nas ULS foi de 1,93 episódios e no contexto não ULS foi de 1,84 episódios, sendo as diferenças encontradas estatisticamente significativas. v Utilizadores frequentes, doentes com 2 ou mais problemas de saúde e idosos em ULS, têm também um uso mais elevado dos SU. Controlando o género, a idade e os problemas de saúde e comportamentos de risco, um aumento da utilização dos CSP está associado a um aumento da utilização dos SU. CONCLUSÕES A integração vertical supõe, entre outros princípios, uma priorização da atuação ao nível dos CSP, sendo daí esperada uma menor utilização do SU. Num contexto comparativo, e para o ano analisado, o presente estudo não confirma essa relação, mesmo para doentes com 2 ou mais problemas de saúde ou idosos. O desempenho dos CSP nas ULS não se mostrou, até 2015, capaz de potenciar um menor volume de admissões urgentes dos doentes inseridos naquele contexto organizacional, relativamente aos demais. No entanto, para uma conclusão mais robusta, existem outras variáveis a serem controladas no desenvolvimento futuro deste estudo.