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Estado, mídia e democracia: Brasil, o caso Jefferson Pureza

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A relação entre Estado e mídia se vê constantemente sob passos trêmulos, sempre a uma alteração no sistema de poder em voga para redefinir de que maneira o setor midiático há de ser tratado. Assim sendo, a presente dissertação tem como objetivo traçar de que maneira a interação entre Estado e mídia se dá de maneira a assegurar a perpetuação de um sistema democrático. A pesquisa aqui realizada tem como base a consulta na literatura disponível acerca das temáticas de formação do Estado, democracia e mídia. Para fins de estudo de caso, se colocou em foco a realidade do Brasil através do emprego de um estudo de caso. Este processo se dá tendo como base o Brasil, levando em consideração as particularidades brasileiras na construção da sociedade que, por sua vez, influencia a maneira pela qual o Estado se forma e conduz sua atividade. Para tal, faz-se uso de renomados nomes da literatura acerca da temática da formação brasileira, de maneira a criar um quadro preciso e relevante para o desenrolar da investigação. Assim sendo, há a análise da literatura do que vem a ser um Estado bem como os mecanismos legais que garantem seu funcionamento, incluindo a Constituição. Para compreender o papel da mídia, é feito uma definição do que esta vem a ser, bem como seu papel de propagador de informação e, uma vez inserida em um contexto democrático, vocal da agenda pública, realizando a ponte entre governantes e governados. O caso prático analisado foi a morte de Jefferson Pureza, radialista que trabalhava no interior do Brasil assassinado a tiros enquanto descansava em sua casa, em janeiro de 2018. O homicídio, conduzido por menores de idade e encomendado por um membro da política local, consiste em um exemplo concreto do que vem a ser a realidade enfrentada por comunicadores Brasil afora. A partir de seu assassinato, seguido por uma campanha difamatória e um julgamento questionável, conclui-se que as noções de liberdade de expressão e liberdade de imprensa consistem mais em recurso de oratória do que em questões defendidas pelas instituições pelas quais o Estado toma corpo. Assim sendo, se é observado que a mídia, na figura dos indivíduos que ela alimentam, é feita de exemplo a ser seguido, deixando claro qual destino aguarda quem contraria os desejos e vontades das elites políticas – sobretudo em escala micro, nas municipalidades – e mostrando que a democracia defendida por todo um estado, bem como todo seu arcabouço jurídico, é colocada à prova e se vê ameaçada.
Autores principais:Silva, Bárbara de Paula Nunes Oliveira da
Assunto:Brasil Estado Media Mídia Democracia State Democracy Brazil
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A relação entre Estado e mídia se vê constantemente sob passos trêmulos, sempre a uma alteração no sistema de poder em voga para redefinir de que maneira o setor midiático há de ser tratado. Assim sendo, a presente dissertação tem como objetivo traçar de que maneira a interação entre Estado e mídia se dá de maneira a assegurar a perpetuação de um sistema democrático. A pesquisa aqui realizada tem como base a consulta na literatura disponível acerca das temáticas de formação do Estado, democracia e mídia. Para fins de estudo de caso, se colocou em foco a realidade do Brasil através do emprego de um estudo de caso. Este processo se dá tendo como base o Brasil, levando em consideração as particularidades brasileiras na construção da sociedade que, por sua vez, influencia a maneira pela qual o Estado se forma e conduz sua atividade. Para tal, faz-se uso de renomados nomes da literatura acerca da temática da formação brasileira, de maneira a criar um quadro preciso e relevante para o desenrolar da investigação. Assim sendo, há a análise da literatura do que vem a ser um Estado bem como os mecanismos legais que garantem seu funcionamento, incluindo a Constituição. Para compreender o papel da mídia, é feito uma definição do que esta vem a ser, bem como seu papel de propagador de informação e, uma vez inserida em um contexto democrático, vocal da agenda pública, realizando a ponte entre governantes e governados. O caso prático analisado foi a morte de Jefferson Pureza, radialista que trabalhava no interior do Brasil assassinado a tiros enquanto descansava em sua casa, em janeiro de 2018. O homicídio, conduzido por menores de idade e encomendado por um membro da política local, consiste em um exemplo concreto do que vem a ser a realidade enfrentada por comunicadores Brasil afora. A partir de seu assassinato, seguido por uma campanha difamatória e um julgamento questionável, conclui-se que as noções de liberdade de expressão e liberdade de imprensa consistem mais em recurso de oratória do que em questões defendidas pelas instituições pelas quais o Estado toma corpo. Assim sendo, se é observado que a mídia, na figura dos indivíduos que ela alimentam, é feita de exemplo a ser seguido, deixando claro qual destino aguarda quem contraria os desejos e vontades das elites políticas – sobretudo em escala micro, nas municipalidades – e mostrando que a democracia defendida por todo um estado, bem como todo seu arcabouço jurídico, é colocada à prova e se vê ameaçada.