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As teorias da secularização na Europa: novas perspetivas qualificativas e quantitativas sobre os fenómenos religiosos contemporâneos

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta tese tem como objetivo principal testar as teorias da secularização, procurando entender não apenas o lugar da religião nas sociedades europeias hodiernas, mas sobretudo qual destas teorias, se é que alguma, é atualmente mais útil para descrever esta realidade sociorreligiosa. Queremos, portanto, compreender quais os processos da modernidade que têm mais efeitos (positivos ou negativos) na religião. Tal como vários investigadores denunciam, chegámos a um impasse ou a um ponto morto no debate sobre a secularização. Uns pedem, de forma mais assertiva do que no passado, em particular por conta dos fenómenos de revitalização (pública ou privada) da religião à escala global, que as teorias da secularização sejam abandonadas. Outros continuam a advogar que os seus pressupostos são demasiadamente ricos para serem abandonados levemente e que a secularização continua a ser uma boa forma de compreender o funcionamento das sociedades modernas, nomeadamente das europeias, no concernente à religião. Apesar destas divergências a maioria dos investigadores sociais da área converge no mesmo sentido, nomeadamente na ideia de que são necessárias novas estratégias metodológicas e de conceptualização, novas análises qualitativas e quantitativas e novas grelhas analíticas para se pôr à prova a validade das asserções da secularização. A nossa tese é ou tenta ser um passo neste sentido. Para cumprir os nossos objetivos organizámo-la em duas partes fundamentais. Na primeira parte trabalhamos as teorias da secularização duma forma mais indutiva, reconceptualizando-as e operacionalizando-as teoricamente. Em particular, sublinhamos o facto de termos dividido as teorias da secularização em quatro camadas essenciais, de as termos enquadrado no paradigma das múltiplas modernidades (com a sugestão duma análise contextual da secularização) e de termos selecionado um grupo de países europeus pouco frequentemente analisado e comparado – Áustria, Eslováquia, Espanha, Itália, Polónia e Portugal. Na segunda parte trabalhamos as teorias da secularização duma forma mais hipotético-dedutiva, procedendo a análises qualitativas e quantitativas que nos permitem pôr à prova os pressupostos das suas camadas internas. É neste campo que reside, no nosso ver, o contributo mais original do nosso trabalho, pois criamos um índice de religiosidade (a nossa variável dependente) que é correlacionável com as camadas da secularização (as variáveis independentes). Isto permite-nos perceber a validade e atualidade das últimas e corroborar ou não a sua narrativa. Pela própria dinâmica atual das sociedades europeias modernas consideramos ainda, e em grande profundidade, a questão da diversidade cultural, pois ela é imprescindível para compreender as novas dinâmicas da religião e a sua relação com este fenómeno incontornável da modernidade. Para tal também criamos um índice de diversidade cultural que é correlacionável com a nossa variável dependente. Concluímos que, para o conjunto dos países analisado e para o período de análise determinado (1999-2015), as teorias da secularização continuam a estar, no geral, muito negativamente correlacionadas com os índices de religiosidade destas sociedades. Além disso, enfatizamos que a variável independente diversidade cultural é a que mais negativamente está correlacionada com a religiosidade, pelo que consideramos que o seu estudo é atualmente o mais premente ao nível das teorias da secularização. PALAVRAS-CHAVE:
Autores principais:Moniz, Jorge Carlos Serrano Botelho
Assunto:Modernidade Europa Secularização Diversidade cultural Religião
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Esta tese tem como objetivo principal testar as teorias da secularização, procurando entender não apenas o lugar da religião nas sociedades europeias hodiernas, mas sobretudo qual destas teorias, se é que alguma, é atualmente mais útil para descrever esta realidade sociorreligiosa. Queremos, portanto, compreender quais os processos da modernidade que têm mais efeitos (positivos ou negativos) na religião. Tal como vários investigadores denunciam, chegámos a um impasse ou a um ponto morto no debate sobre a secularização. Uns pedem, de forma mais assertiva do que no passado, em particular por conta dos fenómenos de revitalização (pública ou privada) da religião à escala global, que as teorias da secularização sejam abandonadas. Outros continuam a advogar que os seus pressupostos são demasiadamente ricos para serem abandonados levemente e que a secularização continua a ser uma boa forma de compreender o funcionamento das sociedades modernas, nomeadamente das europeias, no concernente à religião. Apesar destas divergências a maioria dos investigadores sociais da área converge no mesmo sentido, nomeadamente na ideia de que são necessárias novas estratégias metodológicas e de conceptualização, novas análises qualitativas e quantitativas e novas grelhas analíticas para se pôr à prova a validade das asserções da secularização. A nossa tese é ou tenta ser um passo neste sentido. Para cumprir os nossos objetivos organizámo-la em duas partes fundamentais. Na primeira parte trabalhamos as teorias da secularização duma forma mais indutiva, reconceptualizando-as e operacionalizando-as teoricamente. Em particular, sublinhamos o facto de termos dividido as teorias da secularização em quatro camadas essenciais, de as termos enquadrado no paradigma das múltiplas modernidades (com a sugestão duma análise contextual da secularização) e de termos selecionado um grupo de países europeus pouco frequentemente analisado e comparado – Áustria, Eslováquia, Espanha, Itália, Polónia e Portugal. Na segunda parte trabalhamos as teorias da secularização duma forma mais hipotético-dedutiva, procedendo a análises qualitativas e quantitativas que nos permitem pôr à prova os pressupostos das suas camadas internas. É neste campo que reside, no nosso ver, o contributo mais original do nosso trabalho, pois criamos um índice de religiosidade (a nossa variável dependente) que é correlacionável com as camadas da secularização (as variáveis independentes). Isto permite-nos perceber a validade e atualidade das últimas e corroborar ou não a sua narrativa. Pela própria dinâmica atual das sociedades europeias modernas consideramos ainda, e em grande profundidade, a questão da diversidade cultural, pois ela é imprescindível para compreender as novas dinâmicas da religião e a sua relação com este fenómeno incontornável da modernidade. Para tal também criamos um índice de diversidade cultural que é correlacionável com a nossa variável dependente. Concluímos que, para o conjunto dos países analisado e para o período de análise determinado (1999-2015), as teorias da secularização continuam a estar, no geral, muito negativamente correlacionadas com os índices de religiosidade destas sociedades. Além disso, enfatizamos que a variável independente diversidade cultural é a que mais negativamente está correlacionada com a religiosidade, pelo que consideramos que o seu estudo é atualmente o mais premente ao nível das teorias da secularização. PALAVRAS-CHAVE: