Publicação
COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA DE CRISE EM EMERGÊNCIA DE SAÚDE PÚBLICA: UMA ANÁLISE DAS CAMPANHAS DO GOVERNO FEDERAL NA EPIDEMIA ZIKA VIRUS ASSOCIADA À MICROCEFALIA NO BRASIL ENTRE OS ANOS 2016 A 2019
| Resumo: | No ano de 2015, o Brasil foi vítima de uma epidemia do zika vírus, transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, situação que deixou toda a comunidade científica em alerta, pois pela primeira vez foi associado ao vírus o desenvolvimento da microcefalia em bebês ainda no ventre das mães infectadas. Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi o de analisar as estratégias midiáticas de informação do Governo Federal brasileiro — nomeadamente as campanhas de saúde destinadas ao combate do mosquito transmissor do zika vírus, desenvolvidas pelo Ministério da Saúde (MS), especialmente devido ao cenário político, onde em 4 anos houve a mudança de 3 presidentes e 4 ministros da Saúde. As mencionadas campanhas foram mapeadas no portal do MS e os seus alcances aferidos através da análise do Instagram, Facebook e YouTube, verificando osrespectivos engajamentos: visualizações, impressões, alcance (curtidas, partilhas e comentários) e seguidores. O período desta análise foi de 3 meses de cada uma das cinco campanhas (entre os anos de 2016 e 2019). Uma segunda categoria de análise utilizada foi a identificação dos aspectos argumentativos retóricos: estratégia logos, mensurando o tecnicismo das mensagens; a estratégia ethos e a busca do apelo à autoridade e credibilidade; e, por fim, o apelo emocional do pathos: medo, força e piedade. E, ainda, da verificação dos argumentos linguísticos, detectou-se quais as peças que utilizaram a linguagem coloquial ou formal e a metáfora como figura de linguagem. Nas campanhas de 2016, houve um grande apelo ao logos e ethos, visando esclarecer a sociedade e cooptá-la ao combate. Nos anos de 2017 e 2018, houve a marca do apelo às emoções, através dos depoimentos das vítimas da microcefalia. Em 2019, observa-se um convite ao combate contra o mosquito vetor, sobretudo com o destaque para a dengue, pois o zika vírus já aparentava estar sob algum controle. Todas as campanhas utilizaram a linguagem coloquial e metáfora como recursos linguísticos. Assim, as campanhas de comunicação destinadas à saúde desenvolvidas pelo Ministério da Saúde no contexto do zika vírus buscam esclarecer à sociedade o problema específico de saúde pública, cooptando-a à ação junto ao governo para o controle da proliferação do mosquito causador das três patologias apontadas neste trabalho. O uso de canais apropriados e das técnicas de comunicação, adequam a mensagem ao atingimento dos objetivos estratégicos delimitados pelo governo. Muito foi feito ao longo dos quatro anos, com investimentos em pesquisa, suporte e atendimento na área da saúde e geração de renda através de pensão para os portadores da síndrome congênita do zika vírus (microcefalia), mas a batalha contra o vetor não foi ganha, a cada ano os casos notificados de dengue, transmitida pelo mesmo mosquito, têm aumentado. É possível que o controle efetivo seja estabelecido apenas quando houver uma maior atenção ao saneamento básico do país. |
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| Autores principais: | Dias, Sara Sobral |
| Assunto: | Brasil Zika Comunicação Pública Gestão de Crise Microcefalia Aedes aegypti Campanhas de Saúde Crisis management Public communication Microcephaly Health campaign |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | No ano de 2015, o Brasil foi vítima de uma epidemia do zika vírus, transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti, situação que deixou toda a comunidade científica em alerta, pois pela primeira vez foi associado ao vírus o desenvolvimento da microcefalia em bebês ainda no ventre das mães infectadas. Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi o de analisar as estratégias midiáticas de informação do Governo Federal brasileiro — nomeadamente as campanhas de saúde destinadas ao combate do mosquito transmissor do zika vírus, desenvolvidas pelo Ministério da Saúde (MS), especialmente devido ao cenário político, onde em 4 anos houve a mudança de 3 presidentes e 4 ministros da Saúde. As mencionadas campanhas foram mapeadas no portal do MS e os seus alcances aferidos através da análise do Instagram, Facebook e YouTube, verificando osrespectivos engajamentos: visualizações, impressões, alcance (curtidas, partilhas e comentários) e seguidores. O período desta análise foi de 3 meses de cada uma das cinco campanhas (entre os anos de 2016 e 2019). Uma segunda categoria de análise utilizada foi a identificação dos aspectos argumentativos retóricos: estratégia logos, mensurando o tecnicismo das mensagens; a estratégia ethos e a busca do apelo à autoridade e credibilidade; e, por fim, o apelo emocional do pathos: medo, força e piedade. E, ainda, da verificação dos argumentos linguísticos, detectou-se quais as peças que utilizaram a linguagem coloquial ou formal e a metáfora como figura de linguagem. Nas campanhas de 2016, houve um grande apelo ao logos e ethos, visando esclarecer a sociedade e cooptá-la ao combate. Nos anos de 2017 e 2018, houve a marca do apelo às emoções, através dos depoimentos das vítimas da microcefalia. Em 2019, observa-se um convite ao combate contra o mosquito vetor, sobretudo com o destaque para a dengue, pois o zika vírus já aparentava estar sob algum controle. Todas as campanhas utilizaram a linguagem coloquial e metáfora como recursos linguísticos. Assim, as campanhas de comunicação destinadas à saúde desenvolvidas pelo Ministério da Saúde no contexto do zika vírus buscam esclarecer à sociedade o problema específico de saúde pública, cooptando-a à ação junto ao governo para o controle da proliferação do mosquito causador das três patologias apontadas neste trabalho. O uso de canais apropriados e das técnicas de comunicação, adequam a mensagem ao atingimento dos objetivos estratégicos delimitados pelo governo. Muito foi feito ao longo dos quatro anos, com investimentos em pesquisa, suporte e atendimento na área da saúde e geração de renda através de pensão para os portadores da síndrome congênita do zika vírus (microcefalia), mas a batalha contra o vetor não foi ganha, a cada ano os casos notificados de dengue, transmitida pelo mesmo mosquito, têm aumentado. É possível que o controle efetivo seja estabelecido apenas quando houver uma maior atenção ao saneamento básico do país. |
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