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Cristãos-novos e seus descendentes no Ceará Grande: a inquisição nos sertões de fora
| Resumo: | A presença dos cristãos-novos de origem judaica e de seus descendentes no Ceará Grande, capitania periférica considerada “terra de ninguém” nas duas primeiras centúrias da colonização, por essa razão privilegiada para refúgio, e aparentemente longe dos braços da Inquisição, constitui o foco principal deste inquérito. A investigação parte do carácter rácico como elemento vital do ódio, da intolerância e do antissemitismo que varrem de Portugal um dos grupos sociais mais organizados da nação. Nesse ponto, faz uma reflexão sobre as ideias de Bento Espinosa cuja filosofia lega à humanidade uma lição de liberdade e tolerância tão atual como nos conturbados seiscentos. O estudo sistematiza e aprofunda a análise de casos de descendentes da “gente de nação” a viverem nestas plagas do nordeste brasileiro. E traz a lume intrigante querela por conta do epíteto de “judeu e cristão-novo” assacado contra um “homem bom” da terra, mesmo quando a distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos já está extinta, evidenciando como a “fama”, por si, serve de arma para manchar a honra alheia. Nessa linha investigativa, analisa a presença dos agentes do Santo Ofício no Ceará e adentra na ironia do destino que leva uma vítima da perseguição inquisitorial, Josefa Maria dos Reis, a viver na mesma vila do familiar que se gaba da ação do pai na devassa da Paraíba. Trata-se de António José Victoriano Borges da Fonseca, capitão-mor e governador da capitania do Ceará Grande, filho do português António Borges da Fonseca. A pesquisa interpreta como e por que a mentalidade transplantada da Península Ibérica em torno do mito da pureza de sangue é invocada nos sertões de fora como instrumento do complexo jogo de poder entre os que disputam os privilegiados espaços na colónia. No Ceará Grande dos Setecentos, sobretudo, quem descende de judeu e de cristão-novo, apesar de muitas gerações atrás e não obstante professar o catolicismo, pertence a “família sem merecimento”, como é emblemático o caso do capitão-mor José de Xerez Furna Uchoa. A pesquisa percorre rastos dos Sequeiras, família portuguesa de cristãos-novos dilacerada pelo Santo Ofício. Um tronco sai de Veiros e de Fronteira, chega a Abrantes, vai para Lisboa, purga o degredo no Rio de Janeiro, retorna aos cárceres de Lisboa, recebe licença para viver em Abrantes e ressurge em Lisboa. Um descendente migra para a ribeira do Acaraú, onde planta raízes definitivamente e deixa larga descendência. Por fim, o inquérito mostra o despertar anussim movido por reminiscências evocadas em pleno século XXI e regadas por um persistente imaginário de pertença à nação sefardita-marrana que se amalgama com a gente da terra. PALAVRAS-CHAVE: |
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| Autores principais: | Almeida, Nilton Melo |
| Assunto: | Ceará Inquisição Cristãos-novos Inquisition New Cristians |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A presença dos cristãos-novos de origem judaica e de seus descendentes no Ceará Grande, capitania periférica considerada “terra de ninguém” nas duas primeiras centúrias da colonização, por essa razão privilegiada para refúgio, e aparentemente longe dos braços da Inquisição, constitui o foco principal deste inquérito. A investigação parte do carácter rácico como elemento vital do ódio, da intolerância e do antissemitismo que varrem de Portugal um dos grupos sociais mais organizados da nação. Nesse ponto, faz uma reflexão sobre as ideias de Bento Espinosa cuja filosofia lega à humanidade uma lição de liberdade e tolerância tão atual como nos conturbados seiscentos. O estudo sistematiza e aprofunda a análise de casos de descendentes da “gente de nação” a viverem nestas plagas do nordeste brasileiro. E traz a lume intrigante querela por conta do epíteto de “judeu e cristão-novo” assacado contra um “homem bom” da terra, mesmo quando a distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos já está extinta, evidenciando como a “fama”, por si, serve de arma para manchar a honra alheia. Nessa linha investigativa, analisa a presença dos agentes do Santo Ofício no Ceará e adentra na ironia do destino que leva uma vítima da perseguição inquisitorial, Josefa Maria dos Reis, a viver na mesma vila do familiar que se gaba da ação do pai na devassa da Paraíba. Trata-se de António José Victoriano Borges da Fonseca, capitão-mor e governador da capitania do Ceará Grande, filho do português António Borges da Fonseca. A pesquisa interpreta como e por que a mentalidade transplantada da Península Ibérica em torno do mito da pureza de sangue é invocada nos sertões de fora como instrumento do complexo jogo de poder entre os que disputam os privilegiados espaços na colónia. No Ceará Grande dos Setecentos, sobretudo, quem descende de judeu e de cristão-novo, apesar de muitas gerações atrás e não obstante professar o catolicismo, pertence a “família sem merecimento”, como é emblemático o caso do capitão-mor José de Xerez Furna Uchoa. A pesquisa percorre rastos dos Sequeiras, família portuguesa de cristãos-novos dilacerada pelo Santo Ofício. Um tronco sai de Veiros e de Fronteira, chega a Abrantes, vai para Lisboa, purga o degredo no Rio de Janeiro, retorna aos cárceres de Lisboa, recebe licença para viver em Abrantes e ressurge em Lisboa. Um descendente migra para a ribeira do Acaraú, onde planta raízes definitivamente e deixa larga descendência. Por fim, o inquérito mostra o despertar anussim movido por reminiscências evocadas em pleno século XXI e regadas por um persistente imaginário de pertença à nação sefardita-marrana que se amalgama com a gente da terra. PALAVRAS-CHAVE: |
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