Publicação
China e Portugal: dez anos de parceria estratégica global
| Resumo: | A 9 de dezembro de 2005, a República Popular da China e Portugal estabeleceram uma Parceria Estratégica Global, reforçando a cooperação em vários domínios, com especial enfoque para o diálogo político, a economia, língua, cultura e educação, ciência e tecnologia, justiça e saúde. As parcerias estratégicas integram-se na estratégia internacional de Pequim. O regime chinês procura elevar o relacionamento com certos atores, sejam países ou estruturas multilaterais, apesar de não definir um resultado concreto. O objetivo principal passa por criar um contexto mais favorável para a evolução dos contatos. A igualdade e a procura de interesses comuns, assim como a não interferência nos assuntos internos, marcam este tipo de iniciativa, que está em consonância com a matriz histórica da política externa da República Popular da China. No caso português, a Parceria Estratégica Global representa uma atualização das relações bilaterais. Desde meados do século XVI a 1999, Macau foi o grande tema que centrou o relacionamento entre os dois países. Concluída a transferência de poderes do território, Pequim e Lisboa avançaram para este acordo, que teve como consequência mais notória o aumento dos contatos oficiais entre os responsáveis políticos. Atualmente, a República Popular da China é a segunda maior economia do mundo, tendo investimentos em todos os continentes. De 2005 a 2015, período abrangido pelo presente estudo, registou-se o incremento das relações comerciais e de investimento com Portugal. As aquisições de participações de empresas portuguesas por parte de empresas chinesas, em áreas como energia, em concreto renováveis, banca, seguros, saúde, telecomunicações ou plataformas logísticas, estão em consonância com as diretrizes das autoridades de Pequim, enquadradas na estratégia going out, que apoia a internacionalização das companhias estatais ou privadas do país. A vertente europeia e lusófona de Portugal e das empresas portuguesas, que têm ainda presença em mercados onde as companhias chinesas continuam a ter dificuldades em entrar, é outro motivo de interesse para a República Popular da China. A Portugal falta uma estratégia e definição de prioridades no relacionamento bilateral. |
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| Autores principais: | Galinha, Pedro Miguel Assunção Ferreira |
| Assunto: | Parceria Estratégica Global China Portugal Política Externa Soft Power Estratégia Going Out Comprehensive strategic partnership Foreign Policy |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A 9 de dezembro de 2005, a República Popular da China e Portugal estabeleceram uma Parceria Estratégica Global, reforçando a cooperação em vários domínios, com especial enfoque para o diálogo político, a economia, língua, cultura e educação, ciência e tecnologia, justiça e saúde. As parcerias estratégicas integram-se na estratégia internacional de Pequim. O regime chinês procura elevar o relacionamento com certos atores, sejam países ou estruturas multilaterais, apesar de não definir um resultado concreto. O objetivo principal passa por criar um contexto mais favorável para a evolução dos contatos. A igualdade e a procura de interesses comuns, assim como a não interferência nos assuntos internos, marcam este tipo de iniciativa, que está em consonância com a matriz histórica da política externa da República Popular da China. No caso português, a Parceria Estratégica Global representa uma atualização das relações bilaterais. Desde meados do século XVI a 1999, Macau foi o grande tema que centrou o relacionamento entre os dois países. Concluída a transferência de poderes do território, Pequim e Lisboa avançaram para este acordo, que teve como consequência mais notória o aumento dos contatos oficiais entre os responsáveis políticos. Atualmente, a República Popular da China é a segunda maior economia do mundo, tendo investimentos em todos os continentes. De 2005 a 2015, período abrangido pelo presente estudo, registou-se o incremento das relações comerciais e de investimento com Portugal. As aquisições de participações de empresas portuguesas por parte de empresas chinesas, em áreas como energia, em concreto renováveis, banca, seguros, saúde, telecomunicações ou plataformas logísticas, estão em consonância com as diretrizes das autoridades de Pequim, enquadradas na estratégia going out, que apoia a internacionalização das companhias estatais ou privadas do país. A vertente europeia e lusófona de Portugal e das empresas portuguesas, que têm ainda presença em mercados onde as companhias chinesas continuam a ter dificuldades em entrar, é outro motivo de interesse para a República Popular da China. A Portugal falta uma estratégia e definição de prioridades no relacionamento bilateral. |
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