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A Abordagem da Capacidade, a Saúde e o Direito à Saúde

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A abordagem da capacidade foi inicialmente criada e desenvolvida pelo filósofo e economista Amartya Sen, durante a década de 70 do século XX. De acordo com Sen, as capacidades são as liberdades reais de cada indivíduo para atingir o que potencialmente pode ser ou fazer. A teoria de Sen foi principalmente desenvolvida por Martha Nussbaum, que criou uma teoria da justiça com a sua abordagem das capacidades e definiu um conjunto de capacidades humanas, que constituiriam o funcionamento de um ser humano em plenitude. Enquanto estrutura conceptual com diversas formas de concretização, a abordagem da capacidade tem sido aplicada a muitas áreas e disciplinas, nomeadamente à saúde. No presente ensaio procuraremos responder à questão “Poderá a abordagem da capacidade ser aplicada no âmbito da saúde e fundamentar o direito à saúde?”. Analisando as obras de Jennifer Prah Ruger e de Sridhar Venkatapuram, tentaremos demonstrar que a abordagem da capacidade, se por um lado pode ser utilizada para fundamentar filosoficamente o direito à saúde de forma relativamente robusta, por outro lado apresenta fragilidades e tensões que dificultam a sua afirmação na área da saúde, nomeadamente: a inconsistência na definição de saúde utilizada; o valor ou importância demasiado elevados atribuído à saúde; o marcado afastamento em relação às ciências da saúde, atentas as teorias usadas para a suportar; o paradoxo da priorização de uma capacidade; a falta de clareza na definição da regra distributiva; e a tensão que provoca a aplicação desta abordagem com a liberdade individual. Procuraremos, pois, mostrar que, à luz das teorias existentes, a abordagem da capacidade apresenta ainda demasiadas fragilidades na sua aplicação à saúde.
Autores principais:Ferreira, Marco António Franco Lopes
Assunto:Amartya Sen Martha Nussbaum Jennifer Prah Ruger Sridhar Venkatapuram Abordagem da capacidade Direito à saúde Saúde Capability approach Right to health Health
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A abordagem da capacidade foi inicialmente criada e desenvolvida pelo filósofo e economista Amartya Sen, durante a década de 70 do século XX. De acordo com Sen, as capacidades são as liberdades reais de cada indivíduo para atingir o que potencialmente pode ser ou fazer. A teoria de Sen foi principalmente desenvolvida por Martha Nussbaum, que criou uma teoria da justiça com a sua abordagem das capacidades e definiu um conjunto de capacidades humanas, que constituiriam o funcionamento de um ser humano em plenitude. Enquanto estrutura conceptual com diversas formas de concretização, a abordagem da capacidade tem sido aplicada a muitas áreas e disciplinas, nomeadamente à saúde. No presente ensaio procuraremos responder à questão “Poderá a abordagem da capacidade ser aplicada no âmbito da saúde e fundamentar o direito à saúde?”. Analisando as obras de Jennifer Prah Ruger e de Sridhar Venkatapuram, tentaremos demonstrar que a abordagem da capacidade, se por um lado pode ser utilizada para fundamentar filosoficamente o direito à saúde de forma relativamente robusta, por outro lado apresenta fragilidades e tensões que dificultam a sua afirmação na área da saúde, nomeadamente: a inconsistência na definição de saúde utilizada; o valor ou importância demasiado elevados atribuído à saúde; o marcado afastamento em relação às ciências da saúde, atentas as teorias usadas para a suportar; o paradoxo da priorização de uma capacidade; a falta de clareza na definição da regra distributiva; e a tensão que provoca a aplicação desta abordagem com a liberdade individual. Procuraremos, pois, mostrar que, à luz das teorias existentes, a abordagem da capacidade apresenta ainda demasiadas fragilidades na sua aplicação à saúde.