Publicação
Estratégias para o planeamento da gestão e mitigação da população canina errante em Portugal: uma abordagem integrada em Uma Saúde
| Resumo: | RESUMO: O forte vínculo humano-cão é amplamente discutido na atualidade, emergindo como uma área de interesse expressivo, nos mais diversos campos da investigação. Este estudo aprofunda as complexidades e os desafios globais, resultantes da interação entre cães e outras espécies vivas. Da partilha do mesmo ambiente, irrompe um novo paradigma, que nos direciona para abordagens integradas em Uma Saúde. Ao contemplar processos colaborativos e transdisciplinares, que priorizam de igual modo todos os seres, esta abordagem reposiciona numa perspetiva holística as várias dimensões da atividade humana, reconhecendo que a saúde humana está dependente da saúde do planeta como um todo. Propomo-nos a planear estratégias efetivas, que preconizem a gestão e a mitigação da população canina errante em Portugal, de forma ética, sustentada e custo efetiva, com benefício para os três pilares da Uma Saúde. Objetivamos primeiramente coletar informação sobre as Estratégias e Medidas Legais implementadas em Países da União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos da América. Uma Revisão de Escopo conduziu à formulação de um Relatório de acordo com o acrónimo PESTAL e avaliou globalmente fatores externos Políticos, Económicos, Sociais, Tecnológicos, Ambientais e Legais. Adaptando o modelo proposto por Rüegg et al. (2018) desenhamos e descrevemos a Iniciativa Uma Saúde, referente ao abandono de cães e à gestão da população canina errante em Portugal. Delineada com recurso ao pensamento sistémico, introduzimos na medição de resultados e avaliação do seu desempenho, os princípios da Saúde Baseada em Valor (VBHC), aplicados na gestão em saúde Humana. Com base nesses pressupostos sugerimos métricas (KPIs), para medir resultados que geram alto Valor no âmbito da Uma Saúde. Explorando a complementaridade entre os dois conceitos, que apelidamos de Uma Saúde baseada em Valor (VBOH), definimos os passos chave para uma Agenda de Valor em Uma Saúde. Partes interessadas e/ou atores alavancam o sistema de modo distinto, tendo-se constituído importante fazer a sua diferenciação. A análise descritiva dos resultados do questionário KAP, dirigido aos Médicos Veterinários Municipais e Médicos Veterinários afetos aos CROs de Portugal, teve como finalidade gerar conhecimento sobre a realidade Portuguesa e produzir evidência científica referente à construção da Iniciativa Uma Saúde, contribuindo para encontrar soluções para a problemática. Alguns dos resultados destacam a importância de ações participativas com envolvimento comunitário (82%) e de ONGs (84%), campanhas de educação e literacia animal (85%). Sobrelotação dos CROs (83%), falta de recursos técnicos e humanos (92%) foram identificados como importantes “gargalos” que limitam as ações dos Médicos Veterinários, que defendem a esterilização obrigatória (81%) como principal medida de mitigação de cães errantes. A ocisão surge referenciada como medida de último recurso por 63% dos respondentes, 45% contraindicam-na em absoluto. Não obstante, 79% dos respondentes não concordam com a gestão atual da população canina errante em Portugal. Conclui-se que o VBOH ao propor soluções que se pretende que sejam custo efetivas, éticas e sustentadas direciona para resultados em Uma Saúde que verdadeiramente interessam à saúde planetária. |
|---|---|
| Autores principais: | do Campo, Natália |
| Assunto: | Dogs abandonment Free-roaming dogs Dog population management One Health Stray dogs Value-based health care |
| Ano: | 2026 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | RESUMO: O forte vínculo humano-cão é amplamente discutido na atualidade, emergindo como uma área de interesse expressivo, nos mais diversos campos da investigação. Este estudo aprofunda as complexidades e os desafios globais, resultantes da interação entre cães e outras espécies vivas. Da partilha do mesmo ambiente, irrompe um novo paradigma, que nos direciona para abordagens integradas em Uma Saúde. Ao contemplar processos colaborativos e transdisciplinares, que priorizam de igual modo todos os seres, esta abordagem reposiciona numa perspetiva holística as várias dimensões da atividade humana, reconhecendo que a saúde humana está dependente da saúde do planeta como um todo. Propomo-nos a planear estratégias efetivas, que preconizem a gestão e a mitigação da população canina errante em Portugal, de forma ética, sustentada e custo efetiva, com benefício para os três pilares da Uma Saúde. Objetivamos primeiramente coletar informação sobre as Estratégias e Medidas Legais implementadas em Países da União Europeia, Reino Unido e Estados Unidos da América. Uma Revisão de Escopo conduziu à formulação de um Relatório de acordo com o acrónimo PESTAL e avaliou globalmente fatores externos Políticos, Económicos, Sociais, Tecnológicos, Ambientais e Legais. Adaptando o modelo proposto por Rüegg et al. (2018) desenhamos e descrevemos a Iniciativa Uma Saúde, referente ao abandono de cães e à gestão da população canina errante em Portugal. Delineada com recurso ao pensamento sistémico, introduzimos na medição de resultados e avaliação do seu desempenho, os princípios da Saúde Baseada em Valor (VBHC), aplicados na gestão em saúde Humana. Com base nesses pressupostos sugerimos métricas (KPIs), para medir resultados que geram alto Valor no âmbito da Uma Saúde. Explorando a complementaridade entre os dois conceitos, que apelidamos de Uma Saúde baseada em Valor (VBOH), definimos os passos chave para uma Agenda de Valor em Uma Saúde. Partes interessadas e/ou atores alavancam o sistema de modo distinto, tendo-se constituído importante fazer a sua diferenciação. A análise descritiva dos resultados do questionário KAP, dirigido aos Médicos Veterinários Municipais e Médicos Veterinários afetos aos CROs de Portugal, teve como finalidade gerar conhecimento sobre a realidade Portuguesa e produzir evidência científica referente à construção da Iniciativa Uma Saúde, contribuindo para encontrar soluções para a problemática. Alguns dos resultados destacam a importância de ações participativas com envolvimento comunitário (82%) e de ONGs (84%), campanhas de educação e literacia animal (85%). Sobrelotação dos CROs (83%), falta de recursos técnicos e humanos (92%) foram identificados como importantes “gargalos” que limitam as ações dos Médicos Veterinários, que defendem a esterilização obrigatória (81%) como principal medida de mitigação de cães errantes. A ocisão surge referenciada como medida de último recurso por 63% dos respondentes, 45% contraindicam-na em absoluto. Não obstante, 79% dos respondentes não concordam com a gestão atual da população canina errante em Portugal. Conclui-se que o VBOH ao propor soluções que se pretende que sejam custo efetivas, éticas e sustentadas direciona para resultados em Uma Saúde que verdadeiramente interessam à saúde planetária. |
|---|