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Desigualdades em saúde oral e no acesso a cuidados dentários em Portugal

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Resumo:RESUMO - Introdução: A saúde oral, frequentemente negligenciada nas agendas de saúde pública, é um determinante essencial do bem-estar e da qualidade de vida. Em Portugal, persistem desigualdades que influenciam o acesso e os resultados em saúde oral, revelando um padrão fortemente marcado por fatores socioeconómicos. Este estudo teve como objetivo identificar e medir as desigualdades socioeconómicas em saúde oral na população residente em Portugal, avaliando disparidades nos resultados e no acesso/utilização a cuidados dentários. Métodos: Foi utilizada a mais recente base de microdados do Inquérito Nacional de Saúde (2019), referente a indivíduos com 15 ou mais anos. O Inquérito é uma amostra representativa da população civil não institucionalizada em Portugal, conduzido pelo Instituto Nacional de Estatística e integrado no European Health Interview Survey. Analisaram-se variáveis relacionadas com a saúde oral (autoapreciação do estado de saúde, dificuldades na mastigação e frequência de escovagem) e com o acesso a cuidados (consulta recente, motivo da consulta, necessidade de consulta não satisfeita por dificuldades financeiras e posse de seguro com cobertura dentária). O grau de escolaridade foi utilizado como indicador socioeconómico. Para quantificar as desigualdades, recorreu-se a curvas e índices de concentração, um método extensivamente documentado na literatura, mas ainda com aplicação limitada na área da saúde oral. Resultados: Os indivíduos com menor escolaridade reportaram piores níveis de saúde oral, maior frequência de dificuldades na mastigação e menor regularidade na escovagem dentária. Em termos de acesso, observaram-se desigualdades no recurso a consultas, no motivo da última consulta e na prevalência de necessidades não satisfeitas por motivos financeiros. A posse de seguro com cobertura dentária revelou igualmente um padrão socialmente desigual, mais frequente entre os indivíduos com maior escolaridade. Os índices de concentração confirmaram que melhores resultados em saúde oral e a utilização de cuidados se encontram desproporcionalmente concentrados nos grupos socioeconomicamente mais favorecidos. Conclusão: Os resultados confirmam a persistência de desigualdades sociais significativas em saúde oral em Portugal, que afetam simultaneamente os resultados em saúde e o acesso a cuidados. Estas evidências sublinham a necessidade de políticas públicas integradas, centradas na promoção da equidade, no reforço da prevenção e no alargamento da cobertura pública em saúde oral.
Autores principais:Costa, Ana Caroline Dolivo
Assunto:Saúde oral desigualdades sociais acesso a cuidados dentários equidade Oral health social inequalities access to dental care equity
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:RESUMO - Introdução: A saúde oral, frequentemente negligenciada nas agendas de saúde pública, é um determinante essencial do bem-estar e da qualidade de vida. Em Portugal, persistem desigualdades que influenciam o acesso e os resultados em saúde oral, revelando um padrão fortemente marcado por fatores socioeconómicos. Este estudo teve como objetivo identificar e medir as desigualdades socioeconómicas em saúde oral na população residente em Portugal, avaliando disparidades nos resultados e no acesso/utilização a cuidados dentários. Métodos: Foi utilizada a mais recente base de microdados do Inquérito Nacional de Saúde (2019), referente a indivíduos com 15 ou mais anos. O Inquérito é uma amostra representativa da população civil não institucionalizada em Portugal, conduzido pelo Instituto Nacional de Estatística e integrado no European Health Interview Survey. Analisaram-se variáveis relacionadas com a saúde oral (autoapreciação do estado de saúde, dificuldades na mastigação e frequência de escovagem) e com o acesso a cuidados (consulta recente, motivo da consulta, necessidade de consulta não satisfeita por dificuldades financeiras e posse de seguro com cobertura dentária). O grau de escolaridade foi utilizado como indicador socioeconómico. Para quantificar as desigualdades, recorreu-se a curvas e índices de concentração, um método extensivamente documentado na literatura, mas ainda com aplicação limitada na área da saúde oral. Resultados: Os indivíduos com menor escolaridade reportaram piores níveis de saúde oral, maior frequência de dificuldades na mastigação e menor regularidade na escovagem dentária. Em termos de acesso, observaram-se desigualdades no recurso a consultas, no motivo da última consulta e na prevalência de necessidades não satisfeitas por motivos financeiros. A posse de seguro com cobertura dentária revelou igualmente um padrão socialmente desigual, mais frequente entre os indivíduos com maior escolaridade. Os índices de concentração confirmaram que melhores resultados em saúde oral e a utilização de cuidados se encontram desproporcionalmente concentrados nos grupos socioeconomicamente mais favorecidos. Conclusão: Os resultados confirmam a persistência de desigualdades sociais significativas em saúde oral em Portugal, que afetam simultaneamente os resultados em saúde e o acesso a cuidados. Estas evidências sublinham a necessidade de políticas públicas integradas, centradas na promoção da equidade, no reforço da prevenção e no alargamento da cobertura pública em saúde oral.