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As pessoas sem-abrigo: apropriações e relações

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Para analisar a população sem-abrigo utente do Refeitório Rosália Rendu são utilizados três eixos principais: acolher, habitar e apegar. Procura-se, partindo desses eixos observar a relação que as pessoas sem-abrigo desenvolvem com o espaço público ao apropriarem-se dele, moldando-o às necessidades que vão surgindo no seu dia-a-dia e dando a notar um novo tipo de conhecimento que estes indivíduos passam a deter do espaço público assente nas experiências diárias nesses mesmos espaços públicos. Assim, a cidade vai acolher das mais variadas formas o cidadão que agora se encontra em situação de sem-abrigo, sem uma casa onde pernoitar e onde realizar as tarefas que outrora haviam sido realizadas dentro de quatro paredes. Com o efeito do tempo em situação de sem-abrigo estes indivíduos desenvolvem um conjunto de mecanismos que vão permitir falar de formas de habitar o espaço urbano numa tentativa de tornar privado aquele local que é público, aprendendo como e onde se dirigir nos vários recantos da cidade para obter uma solução para os seus problemas que podem ir da necessidade de comer à necessidade de passar as horas que o dia contém. O terceiro eixo vai ser utilizado para questionar as relações sociais que os indivíduos sem-abrigo mantêm ao longo dos seus quotidianos que sendo pautados pelas ausências várias têm também espaço para uma superação daquela que pode ser apelidada de “ausência de afetos”. Ou seja, torna-se interessante descobrir de que modo estes indivíduos se vão apegar e (re)ligar ao outro através da confiança depositada nesse outro, jogando aqui a situação de sem-abrigo não só como consequência mas também como causa de um novo tipo de relações que vão existir quando, além de se (sobre)viver na rua, também se convive neste espaço, partilhando esta realidade.
Autores principais:Dias, Mariana da Silva Oliveira
Assunto:Apropriações Relações sociais Pessoas sem-abrigo Quotidianos Experiências Homeless Appropriations Social relationships Everyday life Experiences
Ano:2017
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Para analisar a população sem-abrigo utente do Refeitório Rosália Rendu são utilizados três eixos principais: acolher, habitar e apegar. Procura-se, partindo desses eixos observar a relação que as pessoas sem-abrigo desenvolvem com o espaço público ao apropriarem-se dele, moldando-o às necessidades que vão surgindo no seu dia-a-dia e dando a notar um novo tipo de conhecimento que estes indivíduos passam a deter do espaço público assente nas experiências diárias nesses mesmos espaços públicos. Assim, a cidade vai acolher das mais variadas formas o cidadão que agora se encontra em situação de sem-abrigo, sem uma casa onde pernoitar e onde realizar as tarefas que outrora haviam sido realizadas dentro de quatro paredes. Com o efeito do tempo em situação de sem-abrigo estes indivíduos desenvolvem um conjunto de mecanismos que vão permitir falar de formas de habitar o espaço urbano numa tentativa de tornar privado aquele local que é público, aprendendo como e onde se dirigir nos vários recantos da cidade para obter uma solução para os seus problemas que podem ir da necessidade de comer à necessidade de passar as horas que o dia contém. O terceiro eixo vai ser utilizado para questionar as relações sociais que os indivíduos sem-abrigo mantêm ao longo dos seus quotidianos que sendo pautados pelas ausências várias têm também espaço para uma superação daquela que pode ser apelidada de “ausência de afetos”. Ou seja, torna-se interessante descobrir de que modo estes indivíduos se vão apegar e (re)ligar ao outro através da confiança depositada nesse outro, jogando aqui a situação de sem-abrigo não só como consequência mas também como causa de um novo tipo de relações que vão existir quando, além de se (sobre)viver na rua, também se convive neste espaço, partilhando esta realidade.