Publicação
Ferramentas para o controlo de formas larvares de Aedes (Stegomyia) aegypti (Diptera: culicidae) na cidade do Funchal
| Resumo: | Aedes (Stegomyia) aegypti (L. 1762) é na atualidade um dos principais vetores de dengue, chikungunya e febre-amarela, além de importante agente de incomodidade. Desde o seu registo na ilha da Madeira, em Outubro de 2005, medidas de controlo vetorial direcionadas às formas adultas e imaturas, bem como campanhas de educação para a saúde visando a eliminação dos criadouros larvares, foram prontamente implementadas. Contudo, Aedes aegypti continuou a expandir-se, colonizando quase toda a costa sul da ilha até 2012. Nesse mesmo ano, foi registado o primeiro surto de dengue naquela região, com 2168 casos de doença. As dificuldades associadas ao controlo vetorial, devido à presença de elevados níveis de resistência a inseticidas na população local de Aedes aegypti, a colonização da costa sul da ilha e o surto de dengue pelo serotipo-1 (DENV-1), levaram as autoridades locais a procurar novas ferramentas de controlo. Assim, o objetivo proposto para este estudo foi caracterizar a população de Aedes aegypti da cidade do Funchal quanto à sua sensibilidade a substâncias presumivelmente larvicidas e avaliar se as mesmas levam a mudanças de comportamento das fêmeas na seleção de locais de postura, avaliando a sua relevância como futuras ferramentas de controlo larvar. Nos resultados dos bioensaios de dose-resposta OMS observou-se que a população de Aedes aegypti da cidade do Funchal é suscetível ao sal de cozinha (RR99=1,08) e ao Bacillus thuringiensis israelensis (Bti, na formulação Vectobac® G) (RR99=0,73) e, aparentemente, tolerante ao espinosade (Spintor® 480 SC) (χ2=22,90; P<0,05). O regulador de crescimento de insetos piriproxifeno (PPF®, padrão analítico, Sigma-Aldrich) foi também avaliado, contudo, a suscetibilidade da população de Aedes aegypti do Funchal a este composto não foi passível de ser confirmada, uma vez que não foi possível comparar a sua linha-de-base de resposta ao pupicida com a estirpe de referência Rockfeller. Porém, os resultados preliminares obtidos sugerem suscetibilidade ao PPF. Em relação aos ensaios de deteção de tratamento dos criadouros larvares por fêmeas gravidas, foram observadas diferenças significativas no número médio de ovos por fêmeas nos criadouros tratados com sal (P<0,05) que apresentaram sempre menor número de ovos. Para restantes produtos, espinosade, Bti, e piriproxifeno não foram detetadas diferenças significativamente estatísticas entre o número médio de ovos por fêmea nos criadouros tratados e controlo (água) (P>0,05). Estes achados, embora preliminares, constituem um ponto de partida para futuros trabalhos de campo, que validarão a utilização destes produtos como possíveis ferramentas de controlo das formas larvares de Aedes aegypti na ilha da Madeira. |
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| Autores principais: | ALVES, Gonçalo Nuno da Costa Martins |
| Assunto: | Aedes aegypti Madeira Parasitologia médica Larvas Vetores Dengue Funchal |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Aedes (Stegomyia) aegypti (L. 1762) é na atualidade um dos principais vetores de dengue, chikungunya e febre-amarela, além de importante agente de incomodidade. Desde o seu registo na ilha da Madeira, em Outubro de 2005, medidas de controlo vetorial direcionadas às formas adultas e imaturas, bem como campanhas de educação para a saúde visando a eliminação dos criadouros larvares, foram prontamente implementadas. Contudo, Aedes aegypti continuou a expandir-se, colonizando quase toda a costa sul da ilha até 2012. Nesse mesmo ano, foi registado o primeiro surto de dengue naquela região, com 2168 casos de doença. As dificuldades associadas ao controlo vetorial, devido à presença de elevados níveis de resistência a inseticidas na população local de Aedes aegypti, a colonização da costa sul da ilha e o surto de dengue pelo serotipo-1 (DENV-1), levaram as autoridades locais a procurar novas ferramentas de controlo. Assim, o objetivo proposto para este estudo foi caracterizar a população de Aedes aegypti da cidade do Funchal quanto à sua sensibilidade a substâncias presumivelmente larvicidas e avaliar se as mesmas levam a mudanças de comportamento das fêmeas na seleção de locais de postura, avaliando a sua relevância como futuras ferramentas de controlo larvar. Nos resultados dos bioensaios de dose-resposta OMS observou-se que a população de Aedes aegypti da cidade do Funchal é suscetível ao sal de cozinha (RR99=1,08) e ao Bacillus thuringiensis israelensis (Bti, na formulação Vectobac® G) (RR99=0,73) e, aparentemente, tolerante ao espinosade (Spintor® 480 SC) (χ2=22,90; P<0,05). O regulador de crescimento de insetos piriproxifeno (PPF®, padrão analítico, Sigma-Aldrich) foi também avaliado, contudo, a suscetibilidade da população de Aedes aegypti do Funchal a este composto não foi passível de ser confirmada, uma vez que não foi possível comparar a sua linha-de-base de resposta ao pupicida com a estirpe de referência Rockfeller. Porém, os resultados preliminares obtidos sugerem suscetibilidade ao PPF. Em relação aos ensaios de deteção de tratamento dos criadouros larvares por fêmeas gravidas, foram observadas diferenças significativas no número médio de ovos por fêmeas nos criadouros tratados com sal (P<0,05) que apresentaram sempre menor número de ovos. Para restantes produtos, espinosade, Bti, e piriproxifeno não foram detetadas diferenças significativamente estatísticas entre o número médio de ovos por fêmea nos criadouros tratados e controlo (água) (P>0,05). Estes achados, embora preliminares, constituem um ponto de partida para futuros trabalhos de campo, que validarão a utilização destes produtos como possíveis ferramentas de controlo das formas larvares de Aedes aegypti na ilha da Madeira. |
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