Publicação
Determinantes associados aos clusters de transmissão de VIH-1 em imigrantes diagnosticados em Portugal entre 2014 e 2019
| Resumo: | Introdução: O VIH continua a ser uma preocupação importante de saúde pública a nível global. Em Portugal, a infeção pelo VIH tem um impacto relevante, com um total de 804 novos casos diagnosticados em 2022. Os imigrantes representam uma parcela significativa das infeções, correspondendo a 45% dos novos casos notificados. Objetivo: Descrever os determinantes associados aos clusters de transmissão molecular (CTMs) do VIH-1 entre imigrantes diagnosticados em Portugal entre 2014 e 2019. Métodos: Entre 2014 e 2019, foram recolhidas 206 sequências parciais do gene pol do VIH-1 dos subtipos A, B, C, F1, G e Formas Recombinantes Circulantes CRF02_AG e CRF14_BG. A construção de árvores filogenéticas de máxima verossimilhança (ML) foi realizada utilizando o software FastTree. A identificação de clusters foi efetuada com base na distância genética <0.45 e suporte de ramos SH-aLRT >90 no ClusterPicker. Análises de regressão logística foram aplicadas para investigar a associação entre dados sociodemográficos, clínicos e comportamentais com a formação de clusters em indivíduos imigrantes VIH-1 positivos incluídos no estudo. Resultados: 66.8% dos imigrantes incluídos no estudo eram do sexo masculino, com uma mediana de idade ao diagnóstico de 36.0 anos (IQR:29-45). A maioria dos imigrantes era proveniente de países africanos (50.6%), incluindo a Guiné (18.5%), Angola (15.5%) e Cabo Verde (10.2%), seguidos do Brasil (39.6%). Sessenta e oito (33%) dos imigrantes encontravam-se nos CTMs. Através da análise univariada, destacaram-se alguns fatores associados à presença em clusters com significância estatística. Destacam-se a região de origem, com indivíduos da América do Sul com maior probabilidade de estarem em clusters (OR=5.24, IC95%: 2.67-10.29, p<0.001), em comparação com indivíduos de origem africana; a via de transmissão, com homens que fazem sexo com homens (MSM) com maior probabilidade de estarem em clusters (OR=4.37, IC95%: 2.34-8.17, p<0.001), em comparação com a via de transmissão heterossexual e o subtipo, sendo que os indivíduos infetados com o subtipo B tiveram também maior probabilidade de estar em cluster (OR=1.85, IC95%: 1.02-3.37, p=0.044) do que os indivíduos infetados com subtipos não-B. Conclusão: Os CTMs de VIH-1 de imigrantes em Portugal mostraram estar associados a determinantes específicos, como a região de origem, a via de transmissão e o subtipo, entre outros. Deste modo, são necessárias estratégias de saúde de prevenção direcionadas para mitigar a transmissão do VIH nesta população. |
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| Autores principais: | VIDEIRA, Adriana Paradinha |
| Assunto: | Saúde pública VIH Sida Clusters de transmissão molecular Imigrantes Portugal |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Introdução: O VIH continua a ser uma preocupação importante de saúde pública a nível global. Em Portugal, a infeção pelo VIH tem um impacto relevante, com um total de 804 novos casos diagnosticados em 2022. Os imigrantes representam uma parcela significativa das infeções, correspondendo a 45% dos novos casos notificados. Objetivo: Descrever os determinantes associados aos clusters de transmissão molecular (CTMs) do VIH-1 entre imigrantes diagnosticados em Portugal entre 2014 e 2019. Métodos: Entre 2014 e 2019, foram recolhidas 206 sequências parciais do gene pol do VIH-1 dos subtipos A, B, C, F1, G e Formas Recombinantes Circulantes CRF02_AG e CRF14_BG. A construção de árvores filogenéticas de máxima verossimilhança (ML) foi realizada utilizando o software FastTree. A identificação de clusters foi efetuada com base na distância genética <0.45 e suporte de ramos SH-aLRT >90 no ClusterPicker. Análises de regressão logística foram aplicadas para investigar a associação entre dados sociodemográficos, clínicos e comportamentais com a formação de clusters em indivíduos imigrantes VIH-1 positivos incluídos no estudo. Resultados: 66.8% dos imigrantes incluídos no estudo eram do sexo masculino, com uma mediana de idade ao diagnóstico de 36.0 anos (IQR:29-45). A maioria dos imigrantes era proveniente de países africanos (50.6%), incluindo a Guiné (18.5%), Angola (15.5%) e Cabo Verde (10.2%), seguidos do Brasil (39.6%). Sessenta e oito (33%) dos imigrantes encontravam-se nos CTMs. Através da análise univariada, destacaram-se alguns fatores associados à presença em clusters com significância estatística. Destacam-se a região de origem, com indivíduos da América do Sul com maior probabilidade de estarem em clusters (OR=5.24, IC95%: 2.67-10.29, p<0.001), em comparação com indivíduos de origem africana; a via de transmissão, com homens que fazem sexo com homens (MSM) com maior probabilidade de estarem em clusters (OR=4.37, IC95%: 2.34-8.17, p<0.001), em comparação com a via de transmissão heterossexual e o subtipo, sendo que os indivíduos infetados com o subtipo B tiveram também maior probabilidade de estar em cluster (OR=1.85, IC95%: 1.02-3.37, p=0.044) do que os indivíduos infetados com subtipos não-B. Conclusão: Os CTMs de VIH-1 de imigrantes em Portugal mostraram estar associados a determinantes específicos, como a região de origem, a via de transmissão e o subtipo, entre outros. Deste modo, são necessárias estratégias de saúde de prevenção direcionadas para mitigar a transmissão do VIH nesta população. |
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