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Otimização e aplicação de um teste de imunofluorescência indireta para o diagnóstico de leptospirose em laboratórios convencionais

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Resumo:RESUMO A leptospirose é uma zoonose re-emergente com distribuição mundial, com mais de 1.000.000 de casos graves notificados anualmente na população humana. É causada por espiroquetas patogénicas do género Leptospira. O diagnóstico definitivo da leptospirose, juntamente com achados clínicos e epidemiológicos compatíveis, baseia-se no Teste de Aglutinação Microscópica (TAM), um teste sorológico de referência recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o qual, no entanto, está apenas disponível nos laboratórios de referência em alguns países nos diversos continentes, com base em cerca de três dezenas de serovares de Leptospira interrogans sensu lato. (s.l.). Assim, este estudo visa otimizar um teste de imunofluorescência indireta (Lept-IFA) alternativo à TAM que possa ser útil para o diagnóstico da referida doença, utilizando apenas três sorovares patogénicos, reconhecidos em Portugal, pela alta e ubíqua prevalência. Utilizaram-se os serovares: Copenhageni, Arborea e Pomona representativos de L interrogans s.l. e o serovar Patoc de L. biflexa s.l. (espécie saprófita) os quais foram mantidos em meio de cultura Ellinghaussen, McCullough, Jonhson e Harris (EMJH), até à sua utilização. A fim de preservar as proteínas leptospíricas de superfície da membrana externa as espiroquetas foram centrifugadas a baixa velocidade e o lisado obtido colocado nos diversos poços da lâmina do teste IFA, previamente revestida com lisina e depois fixada com formalina. Foi testado por Lept-IFA um total (N=50) de amostras de soro humano, selecionadas do laboratório de leptospirose/BioBanco do IHMT NOVA, com indicação clínica de possível leptospirose e previamente analisadas por TAM, utilizaramse também como controlo negativo, soros representativos de população saudável e soros testados para dois outros espiroquetas (Borrelia burgdorferi s.l. e Treponema sp), agentes etiológicos da borreliose de Lyme e sífilis, respetivamente. O teste Lept-IFA confirmou todas as amostras positivas testadas por TAM (19+; 38%), (6; 12%) das amostras mostraram resultado não conclusivo (NC), tendo o resultado sido negativo nas restantes amostras (25; 50%). No grupo de soros com resultado não conclusivo, os soros (controlo) de borreliose de Lyme verificou-se uma reação cruzada com o serovar Patoc. Este estudo mostrou que o Lept-IFA pode ser uma ferramenta útil como teste de triagem de primeira linha para o diagnóstico sorológico da leptospirose em regiões/países cujos laboratórios não dispõem do teste de referência recomendado pela OMS. No entanto, o teste Lept-IFA carece de padronização confiável e depende muito da qualificação do observador.
Autores principais:FERNANDES, Wilmer Augusto
Assunto:Microbiologia Leptospirose Teste de imunofluorescência indireta
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:RESUMO A leptospirose é uma zoonose re-emergente com distribuição mundial, com mais de 1.000.000 de casos graves notificados anualmente na população humana. É causada por espiroquetas patogénicas do género Leptospira. O diagnóstico definitivo da leptospirose, juntamente com achados clínicos e epidemiológicos compatíveis, baseia-se no Teste de Aglutinação Microscópica (TAM), um teste sorológico de referência recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) o qual, no entanto, está apenas disponível nos laboratórios de referência em alguns países nos diversos continentes, com base em cerca de três dezenas de serovares de Leptospira interrogans sensu lato. (s.l.). Assim, este estudo visa otimizar um teste de imunofluorescência indireta (Lept-IFA) alternativo à TAM que possa ser útil para o diagnóstico da referida doença, utilizando apenas três sorovares patogénicos, reconhecidos em Portugal, pela alta e ubíqua prevalência. Utilizaram-se os serovares: Copenhageni, Arborea e Pomona representativos de L interrogans s.l. e o serovar Patoc de L. biflexa s.l. (espécie saprófita) os quais foram mantidos em meio de cultura Ellinghaussen, McCullough, Jonhson e Harris (EMJH), até à sua utilização. A fim de preservar as proteínas leptospíricas de superfície da membrana externa as espiroquetas foram centrifugadas a baixa velocidade e o lisado obtido colocado nos diversos poços da lâmina do teste IFA, previamente revestida com lisina e depois fixada com formalina. Foi testado por Lept-IFA um total (N=50) de amostras de soro humano, selecionadas do laboratório de leptospirose/BioBanco do IHMT NOVA, com indicação clínica de possível leptospirose e previamente analisadas por TAM, utilizaramse também como controlo negativo, soros representativos de população saudável e soros testados para dois outros espiroquetas (Borrelia burgdorferi s.l. e Treponema sp), agentes etiológicos da borreliose de Lyme e sífilis, respetivamente. O teste Lept-IFA confirmou todas as amostras positivas testadas por TAM (19+; 38%), (6; 12%) das amostras mostraram resultado não conclusivo (NC), tendo o resultado sido negativo nas restantes amostras (25; 50%). No grupo de soros com resultado não conclusivo, os soros (controlo) de borreliose de Lyme verificou-se uma reação cruzada com o serovar Patoc. Este estudo mostrou que o Lept-IFA pode ser uma ferramenta útil como teste de triagem de primeira linha para o diagnóstico sorológico da leptospirose em regiões/países cujos laboratórios não dispõem do teste de referência recomendado pela OMS. No entanto, o teste Lept-IFA carece de padronização confiável e depende muito da qualificação do observador.