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Associação entre hipertensão arterial e fatores de risco comportamentais e socioeconómicos nos concelhos da área de influência da ARS Centro

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Resumo:RESUMO - Introdução: Na União Europeia, em 2019, a prevalência de hipertensão arterial (HTA) em pessoas com mais de 15 anos foi de 22% e em Portugal foi de 27%. No mesmo ano, a HTA foi uma das principais causas de morte prematura em todo mundo, associada a mais de 10 milhões de mortes. Além disso, é o principal fator de risco para carga global de doença. Devido a estas consequências, a HTA apresenta elevados custos associados. Contudo, 80 a 95% dos indivíduos com HTA apresentam uma etiologia de interação ambiental (fatores comportamentais e fatores socioeconómicos) com fatores genéticos. Identificar e caracterizar os fatores associados à prevalência de HTA revela-se um elemento fundamental para o controlo desta doença, por definir quais as intervenções prioritárias a realizar, para cada população. O objetivo deste estudo é verificar a associação entre fatores de risco comportamentais e socioeconómicos e a prevalência de hipertensão arterial, com e sem complicações, por sexo e por grupos etários, em 2019, nos concelhos da área de influência da Administração Regional de Saúde Centro. Material e métodos: Estudo epidemiológico, ecológico e transversal, com os municípios da área de influência da Administração Regional de Saúde (ARS) Centro como unidades de observação. Foram calculadas taxas de prevalência padronizadas para HTA (total, com e sem complicações) e para os fatores de risco (alcoolismo, tabagismo, dislipidemia, excesso de peso, obesidade, ganho mensal, falta de escolaridade). A comparação entre as variáveis foi realizada através da correlação de Spearman e a análise multivariável foi realizada com recurso à regressão múltipla linear. Resultados: A média das taxas de prevalência de HTA padronizadas foi de 50.450 por 100.000 habitantes. O grupo etário com idades iguais ou superiores a 65 anos foi o que apresentou maiores médias. O sexo feminino apresentou maior proporção da sua população sem escolaridade. O alcoolismo apresentou maior associação com HTA com complicações (r = 0,360) e a dislipidemia uma associação positiva moderada para o grupo etário com idade igual ou superior a 65 anos (r = 0,516) e para o sexo masculino (r = 0,457) e maior associação com HTA com complicações, quando comparada com HTA sem complicações (r = 0,364). A falta de escolaridade demonstrou uma associação positiva forte com a HTA no sexo feminino (r = 0,715). Discussão: A prevalência de HTA (total, com e sem complicações) apresentou-se mais elevada nos concelhos menos urbanos da zona interior sul e na zona central da área de influência da ARS Centro. Níveis mais baixos de escolaridade apresentam uma forte associação com menores níveis de saúde e maior prevalência de doenças – verificando-se também esta associação na HTA. A falta de escolaridade foi o fator de risco com maior associação com HTA, tendo-se demonstrado mais evidente no sexo feminino. A escolaridade é reconhecida como um dos principais determinantes sociais da saúde, pelo impacto, positivo ou negativo, que tem. O alcoolismo e o tabagismo demonstraram maior associação com a HTA com complicações. Este estudo permitiu verificar que os fatores socioeconómicos se encontram mais associados à prevalência de HTA. Contudo, os fatores de risco comportamentais foram mais determinantes na prevalência de HTA com complicações, devido às alterações fisiopatológicas inerentes.
Autores principais:Garcia, Teresa Maia Mota
Assunto:hipertensão arterial fatores de risco comportamentais fatores de risco socioeconómicos literacia escolaridade
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:RESUMO - Introdução: Na União Europeia, em 2019, a prevalência de hipertensão arterial (HTA) em pessoas com mais de 15 anos foi de 22% e em Portugal foi de 27%. No mesmo ano, a HTA foi uma das principais causas de morte prematura em todo mundo, associada a mais de 10 milhões de mortes. Além disso, é o principal fator de risco para carga global de doença. Devido a estas consequências, a HTA apresenta elevados custos associados. Contudo, 80 a 95% dos indivíduos com HTA apresentam uma etiologia de interação ambiental (fatores comportamentais e fatores socioeconómicos) com fatores genéticos. Identificar e caracterizar os fatores associados à prevalência de HTA revela-se um elemento fundamental para o controlo desta doença, por definir quais as intervenções prioritárias a realizar, para cada população. O objetivo deste estudo é verificar a associação entre fatores de risco comportamentais e socioeconómicos e a prevalência de hipertensão arterial, com e sem complicações, por sexo e por grupos etários, em 2019, nos concelhos da área de influência da Administração Regional de Saúde Centro. Material e métodos: Estudo epidemiológico, ecológico e transversal, com os municípios da área de influência da Administração Regional de Saúde (ARS) Centro como unidades de observação. Foram calculadas taxas de prevalência padronizadas para HTA (total, com e sem complicações) e para os fatores de risco (alcoolismo, tabagismo, dislipidemia, excesso de peso, obesidade, ganho mensal, falta de escolaridade). A comparação entre as variáveis foi realizada através da correlação de Spearman e a análise multivariável foi realizada com recurso à regressão múltipla linear. Resultados: A média das taxas de prevalência de HTA padronizadas foi de 50.450 por 100.000 habitantes. O grupo etário com idades iguais ou superiores a 65 anos foi o que apresentou maiores médias. O sexo feminino apresentou maior proporção da sua população sem escolaridade. O alcoolismo apresentou maior associação com HTA com complicações (r = 0,360) e a dislipidemia uma associação positiva moderada para o grupo etário com idade igual ou superior a 65 anos (r = 0,516) e para o sexo masculino (r = 0,457) e maior associação com HTA com complicações, quando comparada com HTA sem complicações (r = 0,364). A falta de escolaridade demonstrou uma associação positiva forte com a HTA no sexo feminino (r = 0,715). Discussão: A prevalência de HTA (total, com e sem complicações) apresentou-se mais elevada nos concelhos menos urbanos da zona interior sul e na zona central da área de influência da ARS Centro. Níveis mais baixos de escolaridade apresentam uma forte associação com menores níveis de saúde e maior prevalência de doenças – verificando-se também esta associação na HTA. A falta de escolaridade foi o fator de risco com maior associação com HTA, tendo-se demonstrado mais evidente no sexo feminino. A escolaridade é reconhecida como um dos principais determinantes sociais da saúde, pelo impacto, positivo ou negativo, que tem. O alcoolismo e o tabagismo demonstraram maior associação com a HTA com complicações. Este estudo permitiu verificar que os fatores socioeconómicos se encontram mais associados à prevalência de HTA. Contudo, os fatores de risco comportamentais foram mais determinantes na prevalência de HTA com complicações, devido às alterações fisiopatológicas inerentes.