Publicação
Animação Sociocultural, Atores e Controvérsias
| Resumo: | A presente investigação tem como objectivo dar conta das várias problemáticas suscitadas no seio da Animação Sociocultural e das posições que assumem os seus actores nas controvérsias públicas em que se envolvem em torno dessas mesmas problemáticas. Sendo objecto de tratamento e de respeito desigual em matérias relacionadas com o exercício da sua actividade profissional, os Animadores Socioculturais, mobilizando gramáticas que servem de base à sua acção, reivindicam o direito a uma maior justiça no tratamento de que são alvo, expressando publicamente a sua indignação e procurando conferir visibilidade a matérias relacionadas com o valor dos diplomas, com o seu espaço de intervenção nas várias organizações onde prestam serviço, com o direito de controlar e proteger esse mesmo espaço e, ainda, com o estabelecimento dos requisitos para o exercício da actividade. Em face do objectivo traçado, começa-se por apresentar a Animação Sociocultural enquanto actividade de intervenção social, educativa e cultural, a sua relação com as transformações sociais resultantes da desintegração das sociedades tradicionais e do crescimento das sociedades industriais a partir de meados do século XX, bem como a imprecisão, a ambiguidade e a incerteza que a caracterizam. Segue-se a contextualização histórica da Animação Sociocultural do Estado Novo à democracia, as condições de integração dos Animadores Socioculturais num mercado em que se destacam as relações de trabalho incertas, baseadas em vínculos contratuais instáveis e em que a flexibilidade, a mobilidade e a adaptabilidade constituem requisitos indispensáveis para aceder ou para manter o emprego e, ainda, a apresentação das várias problemáticas que afectam esta actividade, em torno das quais os Animadores se envolvem em discussões, manifestando posições diferenciadas no espaço público. Logo após, apontam-se as opções teóricas orientadoras da investigação, tendo essas opções recaído no quadro teórico da Sociologia Pragmática, perspectiva que considera a acção como o produto de um encontro entre as situações e as formas como os actores nelas se envolvem De seguida, referem-se as opções tomadas em matéria metodológica e técnica, tendo a estratégia extensiva sido considerada a mais ajustada ao objectivo da investigação, assim como a utilização de um inquérito por questionário contendo cenários que encerram dilemas de ordem profissional e, ao mesmo tempo, a utilização de uma entrevista semiestruturada como sendo as operações de recolha de dados mais acertadas. Por último, apresentam-se, analisam-se e discutem-se os resultados obtidos. Realça-se, por um lado, que a decisão de trabalhar nesta área deve ser equacionada em função da fraca estabilidade profissional, do baixo nível de remuneração praticado, das escassas oportunidades de promoção e, ainda, da indefinição das fronteiras da sua acção. Por outro lado, mantendo-se a dificuldade em fixar uma jurisdição, não havendo reforço da vida associativa que fortaleça o poder profissional dos Animadores e apresentando-se a homologação do seu Estatuto como uma possibilidade longínqua, admite-se que o processo de construção e afirmação da Animação Sociocultural esteja seriamente comprometido e, nessa medida, posta de parte a hipótese da sua profissionalização, traduzida esta na possibilidade de haver reconhecimento de direitos exclusivos, nomeadamente ao nível da monopolização do exercício profissional, das condições de acesso à actividade profissional, da aplicação da disciplina, do recrutamento e do licenciamento, condições necessárias para garantir a transição entre ocupação e profissão. |
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| Autores principais: | Baptista, António Manuel Rodrigues Ricardo |
| Assunto: | Regimes de Envolvimento na Acção em Público Sociocultural Sociologia Pragmática Animação Sociocultural Sociocultural Animation Pragmatic Sociology Public Plan and Familiar Regimes of Engagement |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A presente investigação tem como objectivo dar conta das várias problemáticas suscitadas no seio da Animação Sociocultural e das posições que assumem os seus actores nas controvérsias públicas em que se envolvem em torno dessas mesmas problemáticas. Sendo objecto de tratamento e de respeito desigual em matérias relacionadas com o exercício da sua actividade profissional, os Animadores Socioculturais, mobilizando gramáticas que servem de base à sua acção, reivindicam o direito a uma maior justiça no tratamento de que são alvo, expressando publicamente a sua indignação e procurando conferir visibilidade a matérias relacionadas com o valor dos diplomas, com o seu espaço de intervenção nas várias organizações onde prestam serviço, com o direito de controlar e proteger esse mesmo espaço e, ainda, com o estabelecimento dos requisitos para o exercício da actividade. Em face do objectivo traçado, começa-se por apresentar a Animação Sociocultural enquanto actividade de intervenção social, educativa e cultural, a sua relação com as transformações sociais resultantes da desintegração das sociedades tradicionais e do crescimento das sociedades industriais a partir de meados do século XX, bem como a imprecisão, a ambiguidade e a incerteza que a caracterizam. Segue-se a contextualização histórica da Animação Sociocultural do Estado Novo à democracia, as condições de integração dos Animadores Socioculturais num mercado em que se destacam as relações de trabalho incertas, baseadas em vínculos contratuais instáveis e em que a flexibilidade, a mobilidade e a adaptabilidade constituem requisitos indispensáveis para aceder ou para manter o emprego e, ainda, a apresentação das várias problemáticas que afectam esta actividade, em torno das quais os Animadores se envolvem em discussões, manifestando posições diferenciadas no espaço público. Logo após, apontam-se as opções teóricas orientadoras da investigação, tendo essas opções recaído no quadro teórico da Sociologia Pragmática, perspectiva que considera a acção como o produto de um encontro entre as situações e as formas como os actores nelas se envolvem De seguida, referem-se as opções tomadas em matéria metodológica e técnica, tendo a estratégia extensiva sido considerada a mais ajustada ao objectivo da investigação, assim como a utilização de um inquérito por questionário contendo cenários que encerram dilemas de ordem profissional e, ao mesmo tempo, a utilização de uma entrevista semiestruturada como sendo as operações de recolha de dados mais acertadas. Por último, apresentam-se, analisam-se e discutem-se os resultados obtidos. Realça-se, por um lado, que a decisão de trabalhar nesta área deve ser equacionada em função da fraca estabilidade profissional, do baixo nível de remuneração praticado, das escassas oportunidades de promoção e, ainda, da indefinição das fronteiras da sua acção. Por outro lado, mantendo-se a dificuldade em fixar uma jurisdição, não havendo reforço da vida associativa que fortaleça o poder profissional dos Animadores e apresentando-se a homologação do seu Estatuto como uma possibilidade longínqua, admite-se que o processo de construção e afirmação da Animação Sociocultural esteja seriamente comprometido e, nessa medida, posta de parte a hipótese da sua profissionalização, traduzida esta na possibilidade de haver reconhecimento de direitos exclusivos, nomeadamente ao nível da monopolização do exercício profissional, das condições de acesso à actividade profissional, da aplicação da disciplina, do recrutamento e do licenciamento, condições necessárias para garantir a transição entre ocupação e profissão. |
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