Publicação
Os comportamentos do clítico SE — a norma e o uso
| Resumo: | Este trabalho tem por objetivo o estudo do clítico SE nos seus comportamentos mais gerais, mas também em casos concretos. Assim, enquadrada num contexto de teoria sintática, porém apontando já para o caminho da revisão textual, a dissertação apresentará, num primeiro momento, uma análise das classes em que o SE pode ser integrado — isto é, reflexo, recíproco, apassivador, indeterminador, inerente e decausativo — e, posteriormente, problemas levantados pela consulta de instrumentos de normalização linguística. Partindo de bases teóricas, discutiremos, antes de tudo, a classificação do clítico SE como pronome, para, em seguida, nos ocuparmos das características de cada um dos seus valores. De modo geral, observaremos uma maior aproximação entre as classes reflexa e recíproca — em que o SE representa o complemento direto (ou indireto) —, entre a apassivadora e a indeterminadora — nas quais o clítico é uma manifestação do argumento externo — e entre a inerente e a decausativa — em que o SE, não sendo argumental, parece ter um comportamento mais próximo do dos afixos. Contudo, teremos oportunidade de tratar igualmente de traços que particularizam as seis classes. Construído um fundamento tendencialmente genérico do SE, debruçar-nos-emos, de forma tão breve como possível, numa caracterização das duas visões preponderantes no estudo da gramática: a descritiva e a normativa. Será precisamente com base nesta última que debateremos o papel da norma na orientação de estudantes, curiosos e profissionais da língua. Concluiremos, então, que também a norma apresenta a sua variação, ponto de partida para a análise de usos concretos do SE. Deste estudo, constarão os verbos lavar-se (como exemplo de casos de SE com verbos de ação corporal), casar(-se), magoar-se, estrear(-se) e afundar-se. Em relação a lavar-se, teremos a oportunidade de discutir a classificação do clítico bem como a sua (in)compatibilidade com o pronome de redobro a si mesmo. No que toca a casar(-se), analisaremos também a categorização do SE, embora sumariamente, e o modo como a norma e os falantes interpretam a ausência dele. A respeito de magoar-se, centrar-nos-emos na classificação do clítico, estudo que também será feito a propósito de estrear-se, a que acrescerá um debate em torno da (a)gramaticalidade da ausência do SE. Por fim, afundar-se merecerá também uma avaliação daquilo que a norma propõe para a classificação do clítico. Uma vez que os pressupostos de que partiremos apresentam dados a respeito da aceitabilidade de determinadas estruturas, nesta dissertação, socorrer-nos-emos, sempre que necessário, de dados que nos permitam concluir se os falantes verificam aquilo que é defendido pelos textos estudados. Nesse sentido, basear-nos-emos na observação de dados de um corpus (verbo casar(-se)) e num teste de juízos de aceitabilidade feito a 43 falantes. |
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| Autores principais: | Vigouroux, Salvador Maria do Canto de Noronha |
| Assunto: | Clítico SE Norma Falantes Sintaxe Clitic Linguistic norm Speakers Syntax |
| Ano: | 2024 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Este trabalho tem por objetivo o estudo do clítico SE nos seus comportamentos mais gerais, mas também em casos concretos. Assim, enquadrada num contexto de teoria sintática, porém apontando já para o caminho da revisão textual, a dissertação apresentará, num primeiro momento, uma análise das classes em que o SE pode ser integrado — isto é, reflexo, recíproco, apassivador, indeterminador, inerente e decausativo — e, posteriormente, problemas levantados pela consulta de instrumentos de normalização linguística. Partindo de bases teóricas, discutiremos, antes de tudo, a classificação do clítico SE como pronome, para, em seguida, nos ocuparmos das características de cada um dos seus valores. De modo geral, observaremos uma maior aproximação entre as classes reflexa e recíproca — em que o SE representa o complemento direto (ou indireto) —, entre a apassivadora e a indeterminadora — nas quais o clítico é uma manifestação do argumento externo — e entre a inerente e a decausativa — em que o SE, não sendo argumental, parece ter um comportamento mais próximo do dos afixos. Contudo, teremos oportunidade de tratar igualmente de traços que particularizam as seis classes. Construído um fundamento tendencialmente genérico do SE, debruçar-nos-emos, de forma tão breve como possível, numa caracterização das duas visões preponderantes no estudo da gramática: a descritiva e a normativa. Será precisamente com base nesta última que debateremos o papel da norma na orientação de estudantes, curiosos e profissionais da língua. Concluiremos, então, que também a norma apresenta a sua variação, ponto de partida para a análise de usos concretos do SE. Deste estudo, constarão os verbos lavar-se (como exemplo de casos de SE com verbos de ação corporal), casar(-se), magoar-se, estrear(-se) e afundar-se. Em relação a lavar-se, teremos a oportunidade de discutir a classificação do clítico bem como a sua (in)compatibilidade com o pronome de redobro a si mesmo. No que toca a casar(-se), analisaremos também a categorização do SE, embora sumariamente, e o modo como a norma e os falantes interpretam a ausência dele. A respeito de magoar-se, centrar-nos-emos na classificação do clítico, estudo que também será feito a propósito de estrear-se, a que acrescerá um debate em torno da (a)gramaticalidade da ausência do SE. Por fim, afundar-se merecerá também uma avaliação daquilo que a norma propõe para a classificação do clítico. Uma vez que os pressupostos de que partiremos apresentam dados a respeito da aceitabilidade de determinadas estruturas, nesta dissertação, socorrer-nos-emos, sempre que necessário, de dados que nos permitam concluir se os falantes verificam aquilo que é defendido pelos textos estudados. Nesse sentido, basear-nos-emos na observação de dados de um corpus (verbo casar(-se)) e num teste de juízos de aceitabilidade feito a 43 falantes. |
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