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Café-Concerto para uma Lisboa burguesa

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Resumo:Esta comunicação aborda aspetos da recepção do Café-Concerto do antigo Largo da Abegoaria (Largo Rafael Bordalo Pinheiro, Lisboa). O terreno de estudo será o discurso sobre este estabelecimento, publicado no jornal A Revolução de Setembro, entre Dezembro de 1857 (mês de inauguração do Café-Concerto), e o início de 1860 (altura em que se torna clara a estabilização temática do discurso jornalístico sobre o mesmo). A principal hipótese deste trabalho é a de que esse discurso construiu o novo espaço de entretenimento como mediador de códigos de sociabilidade típicos das elites coevas e, portanto, como espaço de reprodução de distinção social. As fontes usadas correspondem aos artigos d’A Revolução de Setembro com menção ao Café-Concerto, recolhidos de forma sistemática a partir de todas as edições do periódico publicadas durante o período considerado. O tratamento e análise dos dados foi realizado com base na sua análise temática, com o objetivo central de identificar os temas aplicados à institucionalização do novo estabelecimento. Para tal refletiu-se acerca de ideias como a relação entre filantropia e espetáculo, a «genderização» dos espaços de entretenimento, a moralização do espetáculo músico-teatral, categorias de avaliação de performance e repertórios, entre outras. Esta análise é um contributo para a densificação do debate em torno da produção de ideias de urbanidade e cosmopolitismo durante o século XIX lisboeta. Isto através da clarificação de alguns dos tópicos discursivos constitutivos das redes institucionais do espetáculo músico-teatral e de publicação de crítica, notícia e publicidade. Ao mesmo tempo, expor-se-á práticas em torno de outras instituições do entretenimento para lá de teatros, coletividades amadoras e contextos domésticos/privados. O desenvolvimento desta problemática tomará em conta autores como Michel Foucault (1969), Pierre Boudieu (1979), Vanessa Schwartz (1998) e Derek Scott (2008), e procurará conjugar os contributos das abordagens político-económicas e pós-estruturalistas.
Autores principais:Gaspar, Filipe
Assunto:Café-Concerto Imprensa Periódica Lisboa Século XIX Análise Temática
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Esta comunicação aborda aspetos da recepção do Café-Concerto do antigo Largo da Abegoaria (Largo Rafael Bordalo Pinheiro, Lisboa). O terreno de estudo será o discurso sobre este estabelecimento, publicado no jornal A Revolução de Setembro, entre Dezembro de 1857 (mês de inauguração do Café-Concerto), e o início de 1860 (altura em que se torna clara a estabilização temática do discurso jornalístico sobre o mesmo). A principal hipótese deste trabalho é a de que esse discurso construiu o novo espaço de entretenimento como mediador de códigos de sociabilidade típicos das elites coevas e, portanto, como espaço de reprodução de distinção social. As fontes usadas correspondem aos artigos d’A Revolução de Setembro com menção ao Café-Concerto, recolhidos de forma sistemática a partir de todas as edições do periódico publicadas durante o período considerado. O tratamento e análise dos dados foi realizado com base na sua análise temática, com o objetivo central de identificar os temas aplicados à institucionalização do novo estabelecimento. Para tal refletiu-se acerca de ideias como a relação entre filantropia e espetáculo, a «genderização» dos espaços de entretenimento, a moralização do espetáculo músico-teatral, categorias de avaliação de performance e repertórios, entre outras. Esta análise é um contributo para a densificação do debate em torno da produção de ideias de urbanidade e cosmopolitismo durante o século XIX lisboeta. Isto através da clarificação de alguns dos tópicos discursivos constitutivos das redes institucionais do espetáculo músico-teatral e de publicação de crítica, notícia e publicidade. Ao mesmo tempo, expor-se-á práticas em torno de outras instituições do entretenimento para lá de teatros, coletividades amadoras e contextos domésticos/privados. O desenvolvimento desta problemática tomará em conta autores como Michel Foucault (1969), Pierre Boudieu (1979), Vanessa Schwartz (1998) e Derek Scott (2008), e procurará conjugar os contributos das abordagens político-económicas e pós-estruturalistas.