Publicação
UTILIZAÇÃO DE SENSORES NA GESTÃO DA QUALIDADE DO AR - CASO DE ESTUDO DA CIDADE DE LISBOA
| Resumo: | A Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito do projeto de monitorização de parâmetros ambientais com recurso a sensores de baixo custo, instalou oitenta estações na cidade de Lisboa, contratualizados com duas empresas (MONITAR e QART). Com o objetivo de avaliar o desempenho dos sensores relativos à qualidade do ar, comparativamente com os métodos de referência ou equivalentes definidos na legislação, tendo por base dados horários de nove meses, relativos a cinco estações da Rede de Monitorização da Qualidade do Ar (Avenida da Liberdade, Entrecampos, Olivais Restelo, e Santa Cruz de Benfica), de cinco parâmetros (CO, NO2, O3, PM10 e PM2.5), foram realizados três estudos: um avaliando indicadores estatísticos (ex.: RMSE, MBE, R2), outro de correspondência com o Índice de Qualidade do Ar (IQualAr) e um terceiro de comparação do número de ultrapassagens aos valores-limite para a proteção da saúde humana, definidos no Decreto-Lei nº102/2010, de 23 de setembro. Concluiu-se que os sensores com melhor desempenho foram os de Entrecampos, Olivais e Avenida da Liberdade, e os com menor desempenho, Santa Cruz de Benfica e Restelo. Não foi possível verificar nenhuma relação entre as influências predominantes das estações (tráfego e fundo) e o desempenho dos sensores, nem entre as empresas fornecedoras dos sensores e o respetivo desempenho. Os parâmetros CO e PM10 apre-sentaram uma tendência clara para a subestimação e os parâmetros O3 e NO2 para a sobrestimação, em relação aos dados de referência. Já o PM2.5, apresentou uma ligeira tendência para a sobrestimação. Deste modo, e considerando que somente o parâmetro CO se encontrou muito próximo de estar em cumprimento com os objetivos de qualidade dos dados para avaliação no ar ambiente referidos no Decreto-Lei nº 102/2010, para medições indicativas, verificou-se que, apesar da importância da utilização destas redes de monitorização complementares à monitorização efetuada pela rede oficial de monitorização gerida pela APA, os sensores estudados não reúnem condições para serem utilizados como suporte adicional a decisões de gestão da qualidade do ar e planeamento urbano na cidade de Lisboa. |
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| Autores principais: | Miguéis, Susana Filipa Maló |
| Assunto: | Sensores de baixo custo Qualidade do ar Rede de Monitorização da Qualidade do Ar Lisboa |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A Câmara Municipal de Lisboa, no âmbito do projeto de monitorização de parâmetros ambientais com recurso a sensores de baixo custo, instalou oitenta estações na cidade de Lisboa, contratualizados com duas empresas (MONITAR e QART). Com o objetivo de avaliar o desempenho dos sensores relativos à qualidade do ar, comparativamente com os métodos de referência ou equivalentes definidos na legislação, tendo por base dados horários de nove meses, relativos a cinco estações da Rede de Monitorização da Qualidade do Ar (Avenida da Liberdade, Entrecampos, Olivais Restelo, e Santa Cruz de Benfica), de cinco parâmetros (CO, NO2, O3, PM10 e PM2.5), foram realizados três estudos: um avaliando indicadores estatísticos (ex.: RMSE, MBE, R2), outro de correspondência com o Índice de Qualidade do Ar (IQualAr) e um terceiro de comparação do número de ultrapassagens aos valores-limite para a proteção da saúde humana, definidos no Decreto-Lei nº102/2010, de 23 de setembro. Concluiu-se que os sensores com melhor desempenho foram os de Entrecampos, Olivais e Avenida da Liberdade, e os com menor desempenho, Santa Cruz de Benfica e Restelo. Não foi possível verificar nenhuma relação entre as influências predominantes das estações (tráfego e fundo) e o desempenho dos sensores, nem entre as empresas fornecedoras dos sensores e o respetivo desempenho. Os parâmetros CO e PM10 apre-sentaram uma tendência clara para a subestimação e os parâmetros O3 e NO2 para a sobrestimação, em relação aos dados de referência. Já o PM2.5, apresentou uma ligeira tendência para a sobrestimação. Deste modo, e considerando que somente o parâmetro CO se encontrou muito próximo de estar em cumprimento com os objetivos de qualidade dos dados para avaliação no ar ambiente referidos no Decreto-Lei nº 102/2010, para medições indicativas, verificou-se que, apesar da importância da utilização destas redes de monitorização complementares à monitorização efetuada pela rede oficial de monitorização gerida pela APA, os sensores estudados não reúnem condições para serem utilizados como suporte adicional a decisões de gestão da qualidade do ar e planeamento urbano na cidade de Lisboa. |
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