Publicação

A oposição ao Estado Novo no Concelho de Almada (1933 - 1974)

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta dissertação de mestrado visa estudar a resistência política no concelho de Almada ao Estado Novo entre 1933, data em que o regime passa a adoptar essa designação, e 1974, quando o 25 de Abril põe termo ao velho e autoritário regime. Analisar-se-á neste aspecto a implantação do MUD, movimento de oposição unitário criado em 1945 como forma de concorrer às eleições engendradas pelo regime como forma de aparentar uma abertura política que permitisse a sua sobrevivência a seguir à derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial, com o qual tinha afinidades ideológicas. Será feito sobretudo a partir das campanhas de Norton de Matos, em 1949, e de Humberto Delgado, em 1958. Procura-se compreender, ao mesmo tempo, o desenvolvimento socio-económico do concelho atendendo que constituía á época um pólo industrial, sobretudo na freguesia da Cova da Piedade (Romeira, Caramujo) e Cacilhas (Olho de Boi, Margueira). Especialmente importantes foram as industrias corticeira com as fábricas de proprietários ingleses, tais como a Rankin & Sons e a Bucknal & Sons, e naval com a Parry & Sons, o Arsenal do Alfeite e a Lisnave. Já o movimento associativo teve uma grande força em Almada desde 1848, quando é criada a Incrível Almadense, como meio de fazer face às agruras da vida e à negligência do poder local. Durante a ditadura constituíram ilhas de liberdade num mar de repressão uma vez que ali nas Assembleias Gerais podia-se discutir com o respeito e o á vontade que fora de portas não se encontrava, além de as bibliotecas terem escondidos livros proibidos e conduzirem actividades culturais que contribuíam para o fermentar de uma mentalidade oposicionista. Tal não passou despercebido ao regime que procurou, em vão, tentar controlar as colectividades assistindo-se por vezes a choques entre direcções mais progressistas e outras mais reacionárias. Espera-se dar um contributo para o desenvolvimento da História Local, no sentido de que a luta contra o regime mais do que um fenómeno de centros com Lisboa e Porto à cabeça abrangeu todo o país, existindo nos livros do Registo Geral de Presos homens e mulheres das mais variadas regiões do país. Por fim, a memória dos que em Almada lutaram e tombaram em nome de uma sociedade mais humana e digna deve ser preservada uma vez que faz parte da identidade colectiva dos almadenses, em particular, e dos portugueses, em geral, que viveram oprimidos durante 48 anos.
Autores principais:Jorge, Paulo Emanuel Ramos
Assunto:Estado Novo Movimento de Unidade Democrática Partido Comunista Português Almada Resistência Campanhas eleitorais Repressão New State Movement of Unity Democratic Portuguese Communist Party Resistance Electoral campaigns Repression
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Esta dissertação de mestrado visa estudar a resistência política no concelho de Almada ao Estado Novo entre 1933, data em que o regime passa a adoptar essa designação, e 1974, quando o 25 de Abril põe termo ao velho e autoritário regime. Analisar-se-á neste aspecto a implantação do MUD, movimento de oposição unitário criado em 1945 como forma de concorrer às eleições engendradas pelo regime como forma de aparentar uma abertura política que permitisse a sua sobrevivência a seguir à derrota do fascismo na Segunda Guerra Mundial, com o qual tinha afinidades ideológicas. Será feito sobretudo a partir das campanhas de Norton de Matos, em 1949, e de Humberto Delgado, em 1958. Procura-se compreender, ao mesmo tempo, o desenvolvimento socio-económico do concelho atendendo que constituía á época um pólo industrial, sobretudo na freguesia da Cova da Piedade (Romeira, Caramujo) e Cacilhas (Olho de Boi, Margueira). Especialmente importantes foram as industrias corticeira com as fábricas de proprietários ingleses, tais como a Rankin & Sons e a Bucknal & Sons, e naval com a Parry & Sons, o Arsenal do Alfeite e a Lisnave. Já o movimento associativo teve uma grande força em Almada desde 1848, quando é criada a Incrível Almadense, como meio de fazer face às agruras da vida e à negligência do poder local. Durante a ditadura constituíram ilhas de liberdade num mar de repressão uma vez que ali nas Assembleias Gerais podia-se discutir com o respeito e o á vontade que fora de portas não se encontrava, além de as bibliotecas terem escondidos livros proibidos e conduzirem actividades culturais que contribuíam para o fermentar de uma mentalidade oposicionista. Tal não passou despercebido ao regime que procurou, em vão, tentar controlar as colectividades assistindo-se por vezes a choques entre direcções mais progressistas e outras mais reacionárias. Espera-se dar um contributo para o desenvolvimento da História Local, no sentido de que a luta contra o regime mais do que um fenómeno de centros com Lisboa e Porto à cabeça abrangeu todo o país, existindo nos livros do Registo Geral de Presos homens e mulheres das mais variadas regiões do país. Por fim, a memória dos que em Almada lutaram e tombaram em nome de uma sociedade mais humana e digna deve ser preservada uma vez que faz parte da identidade colectiva dos almadenses, em particular, e dos portugueses, em geral, que viveram oprimidos durante 48 anos.