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Representações de Macau e de Hong Kong na Literatura Infanto-Juvenil Portuguesa e Britânica na Transição do Século XX para o Século XXI

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Detalhes bibliográficos
Resumo:As Regiões Administrativas Especiais (RAE) de Macau e de Hong Kong desempenharam um papel particular nas relações sino-portuguesas e sino-britânicas ao longo da história, sobretudo considerando os seus distintos e longos processos de transição, que conduziram às respectivas transferências de soberania política. Portugal e a Grã-Bretanha foram, efectivamente, as duas últimas nações europeias a abandonar os territórios que haviam ocupado no Leste Asiático, os handovers de 1997 (no caso de Hong Kong) e de 1999 (no caso de Macau) representando o fim oficial dos impérios português e britânico. Contudo, ao contrário dos processos de descolonização de outras ex-colónias sob domínio português e britânico, Macau e Hong Kong não se tornaram independentes após as respectivas transferências de soberania política. Em vez disso, foi-lhes conferido um estatuto de Região Administrativa Especial da China, que lhes permitiria manter-se num estado de relativa autonomia por um período adicional de cinquenta anos. A importância política, social e histórica do período de transição que precedeu as transferências de soberania de Macau e de Hong Kong também afectou o mercado editorial infanto-juvenil em língua portuguesa e inglesa, tendo surgido neste período diversas publicações destinadas a crianças e jovens, tanto de ficção como de não-ficção. A presente investigação procura compreender o modo como Macau e Hong Kong foram representadas na literatura infanto-juvenil, na transição do século XX para o XXI, à luz das respectivas transferências de soberania política e das preocupações políticas, sociais e culturais que estas precipitaram nos respectivos contextos. Mais especificamente, pretende analisar-se de que forma as relações entre Portugal e a Grã-Bretanha com a China se articulam na literatura infanto-juvenil, demonstrando como este tipo de obras projecta, questiona e constrói discursos orientalistas, auto-imagens nacionais e questões de culpa colonial, a partir de uma reflexão sobre a relação entre passado, presente e futuro.
Autores principais:Ana Brígida Matias Paiva
Assunto:Macau e Hong Kong Estudos Pós-coloniais Estudos de Literatura Infantil Estudos Anglo-Portugueses Postcolonial Studies Children’s Literature Studies Anglo-Portuguese Studies
Ano:2026
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:As Regiões Administrativas Especiais (RAE) de Macau e de Hong Kong desempenharam um papel particular nas relações sino-portuguesas e sino-britânicas ao longo da história, sobretudo considerando os seus distintos e longos processos de transição, que conduziram às respectivas transferências de soberania política. Portugal e a Grã-Bretanha foram, efectivamente, as duas últimas nações europeias a abandonar os territórios que haviam ocupado no Leste Asiático, os handovers de 1997 (no caso de Hong Kong) e de 1999 (no caso de Macau) representando o fim oficial dos impérios português e britânico. Contudo, ao contrário dos processos de descolonização de outras ex-colónias sob domínio português e britânico, Macau e Hong Kong não se tornaram independentes após as respectivas transferências de soberania política. Em vez disso, foi-lhes conferido um estatuto de Região Administrativa Especial da China, que lhes permitiria manter-se num estado de relativa autonomia por um período adicional de cinquenta anos. A importância política, social e histórica do período de transição que precedeu as transferências de soberania de Macau e de Hong Kong também afectou o mercado editorial infanto-juvenil em língua portuguesa e inglesa, tendo surgido neste período diversas publicações destinadas a crianças e jovens, tanto de ficção como de não-ficção. A presente investigação procura compreender o modo como Macau e Hong Kong foram representadas na literatura infanto-juvenil, na transição do século XX para o XXI, à luz das respectivas transferências de soberania política e das preocupações políticas, sociais e culturais que estas precipitaram nos respectivos contextos. Mais especificamente, pretende analisar-se de que forma as relações entre Portugal e a Grã-Bretanha com a China se articulam na literatura infanto-juvenil, demonstrando como este tipo de obras projecta, questiona e constrói discursos orientalistas, auto-imagens nacionais e questões de culpa colonial, a partir de uma reflexão sobre a relação entre passado, presente e futuro.

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