Publicação
Study of arterialized venous flaps in the experimental model of the wistar rat and in the human cadaver
| Resumo: | RESUMO:Introdução: Os retalhos de perfusão não convencionais (UPFs) são opções reconstrutivas caracterizadas por serem perfundidas exclusivamente por veias. Nos UPFs, pelo menos uma das veias aferentes do retalho é anastomosada a um vaso de alimentação. Normalmente, este vaso de alimentação é uma artéria, e o UPF é chamado de retalho venoso arterializado (AVF). Se o vaso de alimentação for uma veia, o UPF é chamado de retalho venoso (VF). O fluxo de sangue é assegurado na maioria dos casos pela continuidade de uma ou mais veias do UPF com veias vizinhas. Embora os UPFs apresentem várias vantagens potenciais em relação aos retalhos de perfusão convencionais (CFs), raramente são mencionados na literatura, devido às altas taxas de necrose relatadas, particularmente na presença de infeção, e devido a uma má compreensão de seus mecanismos fisiológicos subjacentes. Métodos: Realizámos revisões sistemáticas e metanálises sobre o uso clínico e experimental dos UPFs. Seguidamente, estudamos detalhadamente a anatomia vascular do aspecto ventrolateral do abdômen do rato. Com esse conhecimento, melhoramos o modelo de um retalho convencional colhido na região epigástrica. Posteriormente, desenvolvemos um modelo otimizado de AVF no abdómen do rato. Avaliamos o efeito de transfectar este modelo otimizado com genes de beta defensina humana (BD-2 e BD-3) para aumentar a sobrevivência do retalho na presença de infecção por Pseudomonas aeruginosa e de um corpo estranho. Além disso, comparamos a eficácia dos retalhos neurovenosos arterializados (ANVFs) com outros condutos nervosos com o intuito de reconstruir um hiato de 10 mm no nervo mediano do rato num ambiente de isquémia local. Seguidamente, realizamos estudos cadavéricos para avaliar os aspetos pertinentes da anatomia e histologia das regiões anatômicas comumente usadas para colher UPFs. Finalmente, usamos algumas das informações coletadas para tratar um adolescente com um defeito do pedículo vásculo-nervoso ulnar ao nível do antebraço. Resultados: Estimámos uma taxa de sobrevivência global de UPFs de 89,5% no contexto clínico e de 90,8% em condições experimentais. Clinicamente, houve uma correlação positiva entre a taxa de infeção pós-operatória e a necessidade de um novo retalho (coeficiente de Pearson 0,405; p = 0,001). O fornecimento de sangue ao tegumento abdominal do rato era sobretudo dependente dos vasos axiais, contrastando com o que acontece no Homem. Válvulas venosas foram claramente observadas nesta região. O retalho convencional epigástrico livre e o AVF otimizada homólogo apresentaram taxas de sobrevivência de quase 100% e 76,86 ± 13,67%, respectivamente. Transfectando-se o modelo de AVF com BD-2 e BD-3, observou-se aumento da sobrevivência do retalho e diminuição da formação de biofilmes. Os ANVFs produziram uma recuperação mais completa e mais rápida do que os enxertos nervosos, para a maioria dos parâmetros utilizados para avaliar a regeneração nervosa. Estudos anatómicos e histológicos revelaram que as veias subcutâneas de maiores dimensões encontravam-se envolvidas por desdobramentos da fáscia superficial. Além disso, as veias encontravam-se em profundidades diferentes, estando as maiores colocadas profundamente e as mais pequenas localizadas mais superficialmente. Finalmente, observou-se que os nervos cutâneos superficiais, rotineiramente utilizados como enxertos de nervos autólogos, estavam mais próximos das veias superficiais do que das artérias e respetivas veias comitantes com calibre significativo. Os UPFs podem ser adaptados a defeitos específicos, incluindo pele, tecido celular subcutâneo, tendões, nervos, fáscia muscular e / ou osso em combinações variáveis. O uso de um ANVF no referido adolescente permitiu a reconstrução dos defeitos arterial e nervoso com sucesso. Conclusão: Apesar de muitas questões continuarem por responder em relação à fisiologia, otimização e indicações dos UPFs, parece haver evidência suficiente para apoiar seu uso no âmbito da reconstrução tegumentar e nervosa. |
|---|---|
| Autores principais: | Casal, Diogo |
| Assunto: | Unconventional perfusion flaps Arterialized neurovenous flaps Peripheral nerve repair Anatomy and histology |
| Ano: | 2018 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | RESUMO:Introdução: Os retalhos de perfusão não convencionais (UPFs) são opções reconstrutivas caracterizadas por serem perfundidas exclusivamente por veias. Nos UPFs, pelo menos uma das veias aferentes do retalho é anastomosada a um vaso de alimentação. Normalmente, este vaso de alimentação é uma artéria, e o UPF é chamado de retalho venoso arterializado (AVF). Se o vaso de alimentação for uma veia, o UPF é chamado de retalho venoso (VF). O fluxo de sangue é assegurado na maioria dos casos pela continuidade de uma ou mais veias do UPF com veias vizinhas. Embora os UPFs apresentem várias vantagens potenciais em relação aos retalhos de perfusão convencionais (CFs), raramente são mencionados na literatura, devido às altas taxas de necrose relatadas, particularmente na presença de infeção, e devido a uma má compreensão de seus mecanismos fisiológicos subjacentes. Métodos: Realizámos revisões sistemáticas e metanálises sobre o uso clínico e experimental dos UPFs. Seguidamente, estudamos detalhadamente a anatomia vascular do aspecto ventrolateral do abdômen do rato. Com esse conhecimento, melhoramos o modelo de um retalho convencional colhido na região epigástrica. Posteriormente, desenvolvemos um modelo otimizado de AVF no abdómen do rato. Avaliamos o efeito de transfectar este modelo otimizado com genes de beta defensina humana (BD-2 e BD-3) para aumentar a sobrevivência do retalho na presença de infecção por Pseudomonas aeruginosa e de um corpo estranho. Além disso, comparamos a eficácia dos retalhos neurovenosos arterializados (ANVFs) com outros condutos nervosos com o intuito de reconstruir um hiato de 10 mm no nervo mediano do rato num ambiente de isquémia local. Seguidamente, realizamos estudos cadavéricos para avaliar os aspetos pertinentes da anatomia e histologia das regiões anatômicas comumente usadas para colher UPFs. Finalmente, usamos algumas das informações coletadas para tratar um adolescente com um defeito do pedículo vásculo-nervoso ulnar ao nível do antebraço. Resultados: Estimámos uma taxa de sobrevivência global de UPFs de 89,5% no contexto clínico e de 90,8% em condições experimentais. Clinicamente, houve uma correlação positiva entre a taxa de infeção pós-operatória e a necessidade de um novo retalho (coeficiente de Pearson 0,405; p = 0,001). O fornecimento de sangue ao tegumento abdominal do rato era sobretudo dependente dos vasos axiais, contrastando com o que acontece no Homem. Válvulas venosas foram claramente observadas nesta região. O retalho convencional epigástrico livre e o AVF otimizada homólogo apresentaram taxas de sobrevivência de quase 100% e 76,86 ± 13,67%, respectivamente. Transfectando-se o modelo de AVF com BD-2 e BD-3, observou-se aumento da sobrevivência do retalho e diminuição da formação de biofilmes. Os ANVFs produziram uma recuperação mais completa e mais rápida do que os enxertos nervosos, para a maioria dos parâmetros utilizados para avaliar a regeneração nervosa. Estudos anatómicos e histológicos revelaram que as veias subcutâneas de maiores dimensões encontravam-se envolvidas por desdobramentos da fáscia superficial. Além disso, as veias encontravam-se em profundidades diferentes, estando as maiores colocadas profundamente e as mais pequenas localizadas mais superficialmente. Finalmente, observou-se que os nervos cutâneos superficiais, rotineiramente utilizados como enxertos de nervos autólogos, estavam mais próximos das veias superficiais do que das artérias e respetivas veias comitantes com calibre significativo. Os UPFs podem ser adaptados a defeitos específicos, incluindo pele, tecido celular subcutâneo, tendões, nervos, fáscia muscular e / ou osso em combinações variáveis. O uso de um ANVF no referido adolescente permitiu a reconstrução dos defeitos arterial e nervoso com sucesso. Conclusão: Apesar de muitas questões continuarem por responder em relação à fisiologia, otimização e indicações dos UPFs, parece haver evidência suficiente para apoiar seu uso no âmbito da reconstrução tegumentar e nervosa. |
|---|