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Mulher e Trabalho: Brasil e Espanha dos Anos 1930 em obras de Patrícia Galvão e Luísa Carnés

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Resumo:A partir dos contextos históricos e sociais do Brasil e de Espanha no início do século XX, respetivamente de transição abrupta do modo de produção escravocrata para a industrialização e de crises políticas e económicas entre a 1.ª Guerra Mundial (1914-1918) e momentos pré-Guerra Civil (1936-1939), encontramos obras de autorias femininas que mesmo em realidades territoriais diferentes, se conectam pelos temas desenvolvidos. Delimitou-se o objeto de estudo desse trabalho nas consequências de precarização laboral e de vida das mulheres da classe trabalhadora, no processo de consciência de classe e nos discursos de reivindicações de emancipação da mulher que se aproximam da dicotomia entre as teorias feministas liberais e marxistas na construção das personagens principais. Foram utilizados referenciais teóricos da Literatura Comparada, dos Estudos Culturais, da História e da Sociologia do Trabalho para a condução de uma análise com base no materialismo histórico-dialético e com referenciais teóricos feministas, como os de Clara Zetkin, Silvia Federici e Heleieth Saffioti para analisar comparativamente as obras Parque Industrial (1933), de Patrícia Galvão, Natacha (1930) e Tea rooms: mujeres obreras (1934), de Luisa Carnés, a partir de uma perspetiva intersecional entre gênero e classe. De forma que pretendeu-se resgatar autoras que foram invisibilizadas pelo cânone literário e utilizaram-se do protagonismo feminino como forma de denúncia social a partir de instrumentos literários inovadores de reivindicação pelos direitos das mulheres da classe trabalhadora. Como resultados, foi possível identificar a literatura como um meio de construção de memória cultural, a partir das estratégias narrativas de denúncias a respeito da precariedade laboral e de vida das mulheres trabalhadoras, percebidas até aos dias atuais. Procura-se viabilizar a identificação dos leitores com os temas literários abordados em torno da busca de formas pela sobrevivência e da utilizaçãodos espaços e das relações laborais aos quais estão inseridos para a construção de consciência de classe e de perspetivas reivindicativas para a emancipação da mulher.
Autores principais:Leal, Maria Clara de Almeida
Assunto:Literatura comparada Literatura brasileira Literatura espanhola Estudos de género Estudos da classe trabalhadora Pagu Patrícia Galvão Luisa Carnés Comparative literature Brazilian literature Spanish literature Gender studies Working-class studies
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A partir dos contextos históricos e sociais do Brasil e de Espanha no início do século XX, respetivamente de transição abrupta do modo de produção escravocrata para a industrialização e de crises políticas e económicas entre a 1.ª Guerra Mundial (1914-1918) e momentos pré-Guerra Civil (1936-1939), encontramos obras de autorias femininas que mesmo em realidades territoriais diferentes, se conectam pelos temas desenvolvidos. Delimitou-se o objeto de estudo desse trabalho nas consequências de precarização laboral e de vida das mulheres da classe trabalhadora, no processo de consciência de classe e nos discursos de reivindicações de emancipação da mulher que se aproximam da dicotomia entre as teorias feministas liberais e marxistas na construção das personagens principais. Foram utilizados referenciais teóricos da Literatura Comparada, dos Estudos Culturais, da História e da Sociologia do Trabalho para a condução de uma análise com base no materialismo histórico-dialético e com referenciais teóricos feministas, como os de Clara Zetkin, Silvia Federici e Heleieth Saffioti para analisar comparativamente as obras Parque Industrial (1933), de Patrícia Galvão, Natacha (1930) e Tea rooms: mujeres obreras (1934), de Luisa Carnés, a partir de uma perspetiva intersecional entre gênero e classe. De forma que pretendeu-se resgatar autoras que foram invisibilizadas pelo cânone literário e utilizaram-se do protagonismo feminino como forma de denúncia social a partir de instrumentos literários inovadores de reivindicação pelos direitos das mulheres da classe trabalhadora. Como resultados, foi possível identificar a literatura como um meio de construção de memória cultural, a partir das estratégias narrativas de denúncias a respeito da precariedade laboral e de vida das mulheres trabalhadoras, percebidas até aos dias atuais. Procura-se viabilizar a identificação dos leitores com os temas literários abordados em torno da busca de formas pela sobrevivência e da utilizaçãodos espaços e das relações laborais aos quais estão inseridos para a construção de consciência de classe e de perspetivas reivindicativas para a emancipação da mulher.