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Eficácia residual de mosquiteiros impregnados de longa duração de ação em Bissau, Guiné-Bissau

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A rede mosquiteira tratada com inseticida (MILDA) salvou milhões de vidas desde o seu desenvolvimento na década de 1990 e sua ampla implantação na década de 2000 (Bhatt et al. 2015). Uma pessoa dormindo sob um MILDA é protegido de uma picada potencialmente infeciosa de um mosquito transmissor da malária e serve como uma isca para colocar os mosquitos transmissores da malária em contato com o inseticida na rede (Larsen et al. 2021). O presente estudo pretende avaliar a eficácia residual dos MILDA e relacionar esses dados com aspetos das condições de conservação e utilização dos MILDA pela população do bairro militar, em Bissau, de forma a fornecer evidências ao sistema de saúde para adequação das políticas, estratégias e intervenções. O estudo foi realizado no mês de junho de 2021, em 50 conglomerados selecionados aleatoriamente, nos quais viviam 448 residentes. Questionários específicos foram aplicados e as camas verificadas para determinar o uso de MILDA, onde todos os mosquiteiros disponíveis foram registados, incluindo aqueles que não eram impregnados. Foram coletados para análise 50 MILDA de rede. A integridade física dos MIlDA foi avaliada, contando o número de furos e/ rasgões, o número de vezes de lavagens, o seu tempo de uso, entre outros. Foram avaliados os conhecimentos dos participantes sobre a malária e o uso correto dos MILDA. Nas redes foram encontrados um total de 389 furos nos MILDA de rede (média 8 por MILDA) e 126 rasgões de várias dimensões (média 3 rasgões por rede), em que as regiões inferiores apresentaram mais danificações físicas. Para a avaliação da eficácia residual foram realizados testes de Bioensaio de cone de acordo com o protocolo da OMS e tendo sido analisado também o grau de suscetibilidade ou resistência dos mosquitos anofelíneos em estudo que foram determinadas pelo teste de tubo utilizando papel impregnado com deltametrina 0,05% de concentração. No total dos 448 residentes no AF selecionados, 99,3% (445) dormem sob rede mosquiteira, e tendo 0,7% (3), inqueridos que dizem dormir sem nenhuma proteção da rede, justificando que os mesmos não eram suficientes para toda a família. Quarenta e sete (94%) dos inqueridos responderam corretamente sobre, como é que se pode contrair a malária e ainda 45 (90 %) conheciam como evitar a doença. Quanto ao número de lavagens, 30 (60%) dos inquiridos responderam, dizendo que não se lembram e as restantes 20 (40%) MILDA foram lavadas no total de 94 vezes. Em média cada MILDA é lavada 5 vezes. No total dos 50 MILDA avaliados neste trabalho 92% (46) apresentou a mortalidade das fêmeas de mosquitos < 80% e nas restantes 4 amostras (8%) tiveram resultados > 80%. Nas posições 5 dos MILDA observou-se maior número de mortalidade dos mosquitos, (28,3%), seguida das posições 3 (TOPO) (25,9%), enquanto que as posições 2 e 4 apresentaram a mortalidade menor (22,9% e 22,7%, respetivamente.
Autores principais:EMBALÓ, Bacar Demba
Assunto:Parasitologia médica Redes mosquiteiras Milda Anopheles Malaria Controlo Guiné Bissau
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A rede mosquiteira tratada com inseticida (MILDA) salvou milhões de vidas desde o seu desenvolvimento na década de 1990 e sua ampla implantação na década de 2000 (Bhatt et al. 2015). Uma pessoa dormindo sob um MILDA é protegido de uma picada potencialmente infeciosa de um mosquito transmissor da malária e serve como uma isca para colocar os mosquitos transmissores da malária em contato com o inseticida na rede (Larsen et al. 2021). O presente estudo pretende avaliar a eficácia residual dos MILDA e relacionar esses dados com aspetos das condições de conservação e utilização dos MILDA pela população do bairro militar, em Bissau, de forma a fornecer evidências ao sistema de saúde para adequação das políticas, estratégias e intervenções. O estudo foi realizado no mês de junho de 2021, em 50 conglomerados selecionados aleatoriamente, nos quais viviam 448 residentes. Questionários específicos foram aplicados e as camas verificadas para determinar o uso de MILDA, onde todos os mosquiteiros disponíveis foram registados, incluindo aqueles que não eram impregnados. Foram coletados para análise 50 MILDA de rede. A integridade física dos MIlDA foi avaliada, contando o número de furos e/ rasgões, o número de vezes de lavagens, o seu tempo de uso, entre outros. Foram avaliados os conhecimentos dos participantes sobre a malária e o uso correto dos MILDA. Nas redes foram encontrados um total de 389 furos nos MILDA de rede (média 8 por MILDA) e 126 rasgões de várias dimensões (média 3 rasgões por rede), em que as regiões inferiores apresentaram mais danificações físicas. Para a avaliação da eficácia residual foram realizados testes de Bioensaio de cone de acordo com o protocolo da OMS e tendo sido analisado também o grau de suscetibilidade ou resistência dos mosquitos anofelíneos em estudo que foram determinadas pelo teste de tubo utilizando papel impregnado com deltametrina 0,05% de concentração. No total dos 448 residentes no AF selecionados, 99,3% (445) dormem sob rede mosquiteira, e tendo 0,7% (3), inqueridos que dizem dormir sem nenhuma proteção da rede, justificando que os mesmos não eram suficientes para toda a família. Quarenta e sete (94%) dos inqueridos responderam corretamente sobre, como é que se pode contrair a malária e ainda 45 (90 %) conheciam como evitar a doença. Quanto ao número de lavagens, 30 (60%) dos inquiridos responderam, dizendo que não se lembram e as restantes 20 (40%) MILDA foram lavadas no total de 94 vezes. Em média cada MILDA é lavada 5 vezes. No total dos 50 MILDA avaliados neste trabalho 92% (46) apresentou a mortalidade das fêmeas de mosquitos < 80% e nas restantes 4 amostras (8%) tiveram resultados > 80%. Nas posições 5 dos MILDA observou-se maior número de mortalidade dos mosquitos, (28,3%), seguida das posições 3 (TOPO) (25,9%), enquanto que as posições 2 e 4 apresentaram a mortalidade menor (22,9% e 22,7%, respetivamente.