Publicação
Eu sou muitos: a desmultiplicação do eu na arte contemporânea
| Resumo: | O trabalho de projecto "eu sou muitos: a desmultiplicação do eu na arte contemporânea" resulta de uma inquietação: a de procurar entender a desmultiplicação do eu em que a arte contemporânea tanto parece insistir. Se a arte regressa ao corpo (ao eu), não o faz para o assumir como dado, determinado, autónomo ou fechado. Regressa-se ao corpo para encenar a destruição de todos os véus que o envolviam e para o denunciar enquanto poroso, atravessado, ligado, maleável, plástico, indeterminado e aberto. As práticas e estratégias artísticas contemporâneas têm trabalhado contra qualquer explicação (e redução) do eu e parecem insistir no seu carácter desmultiplicado. A desmultiplicação para que se aponta não é apenas a desmultiplicação sucessiva - os vários eus sucedendo-se no tempo -, mas, sobretudo, a desmultiplicação simultânea - o eu estilhaçado numa série de planos concorrentes, à maneira cubista. O eu é muitos - "eu sou muitos" -, porque vai sendo muitos, sucessivamente assim, porque já é muitos, simultaneamente, e porque, acima de tudo, é todas as suas possibilidades (ainda que virtualmente). Se se regressa ao corpo, é para se assumir a sua carga desejante, afectiva, que permitem que eu possa ser tudo. O eu anima, o eu é animado, e desta dupla animação resultam processos de entranhamento e de estranhamento (ou de incorporação e desincorporação), em permanente devir (o eu animando, uma e outra vez, os entranhamentos e estranhamentos a que se presta). |
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| Autores principais: | Graça, Sara |
| Assunto: | Arte contemporânea Eu Desmultiplicação Animação Entranhamento Estranhamento Imersão |
| Ano: | 2010 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | O trabalho de projecto "eu sou muitos: a desmultiplicação do eu na arte contemporânea" resulta de uma inquietação: a de procurar entender a desmultiplicação do eu em que a arte contemporânea tanto parece insistir. Se a arte regressa ao corpo (ao eu), não o faz para o assumir como dado, determinado, autónomo ou fechado. Regressa-se ao corpo para encenar a destruição de todos os véus que o envolviam e para o denunciar enquanto poroso, atravessado, ligado, maleável, plástico, indeterminado e aberto. As práticas e estratégias artísticas contemporâneas têm trabalhado contra qualquer explicação (e redução) do eu e parecem insistir no seu carácter desmultiplicado. A desmultiplicação para que se aponta não é apenas a desmultiplicação sucessiva - os vários eus sucedendo-se no tempo -, mas, sobretudo, a desmultiplicação simultânea - o eu estilhaçado numa série de planos concorrentes, à maneira cubista. O eu é muitos - "eu sou muitos" -, porque vai sendo muitos, sucessivamente assim, porque já é muitos, simultaneamente, e porque, acima de tudo, é todas as suas possibilidades (ainda que virtualmente). Se se regressa ao corpo, é para se assumir a sua carga desejante, afectiva, que permitem que eu possa ser tudo. O eu anima, o eu é animado, e desta dupla animação resultam processos de entranhamento e de estranhamento (ou de incorporação e desincorporação), em permanente devir (o eu animando, uma e outra vez, os entranhamentos e estranhamentos a que se presta). |
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