Publicação
Mulheres em posição de liderança: a representação discursiva do agir
| Resumo: | Inscrito na área da Linguística do Texto e do Discurso e suportado pelo quadro epistemológico e metodológico do Interacionismo Sociodiscursivo, este trabalho pretende dar conta da representação discursiva do agir de mulheres e homens em posição de liderança, no sentido de perceber, por um lado, como se implicam nos textos que produzem e, por outro lado, em que medida o seu agir pode configurar uma atitude (efetiva e/ou específica) de liderança. Sustentada na hipótese de que há formas de implicação diferentes no processo de produção textual, que resultam em modelos distintos de liderança construídos discursivamente, mobilizo para a análise textual as noções interacionistas sociodiscursivas de tipos de discurso e de figuras de ação. Os tipos de discurso constituem a via para a identificação das propriedades linguísticas e enunciativas que são constitutivas da configuração linguística do agir de mulheres e homens, no intuito de perceber, em particular, se tendem a implicar-se ou, pelo contrário, a distanciar-se no texto. Assim, a partir dessas marcas linguísticas e enunciativas, destaco as que designo como marcas de implicação, que permitem atestar graus distintos da implicação e, dessa forma, verificar se as mulheres têm tendência, ou não, para um discurso mais implicado do que os homens. A análise dos tipos de discurso e, em particular, das marcas de implicação articula-se posteriormente com o conteúdo temático, de forma a identificar as figuras de ação que emergem, enquanto interpretações do agir. Por fim, pretendo verificar que relação(ões) se estabelece(m) entre figuras de ação e a representação discursiva da liderança de mulheres; e na hipótese de tomar em consideração um agir-referente liderança, verificar se emergem da análise textual outras figuras de ação – o que me conduz a propor a noção de figura de ação liderança. O corpus de análise constitui-se por doze intervenções públicas, enquadrando, num viés comparativo, textos de mulheres e homens que representam atividades de linguagem produzidas no exercício das mesmas práticas socioprofissionais, em posição de liderança e em contexto português. Para a análise textual, apoio-me numa abordagem descendente que parte da análise das atividades e dos géneros para a análise dos aspetos (micro)linguísticos. Opto, ainda, pela articulação entre uma abordagem qualitativa e uma abordagem quantitativa, procedendo à identificação, ao levantamento e à contabilização das ocorrências dos dados em análise, para apontar as conclusões mais significativas: com efeito, tendo sido atestados diferentes posicionamentos enunciativos, que reiteram a hipótese, avançada por Maria de Lourdes Pintasilgo, de que mulheres e homens falam de forma diferente, o facto de se observarem valores altos relativamente às formas de implicação das mulheres faz prever a possibilidade de se confirmar a tendência para as mulheres se implicarem, mais do que os homens, nos textos que produzem. Em suma, para além de as mulheres revelarem uma maior tendência, face aos homens, para dizer eu, a materialidade linguística/discursiva contribui para repensar as questões (sociais) da (in)visibilidade do género, evidenciando, por parte das mulheres, uma atitude efetiva de liderança implicada, discursivamente marcada. |
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| Autores principais: | Joaquim, Carolina da Costa |
| Assunto: | Mulheres Liderança Tipos de discurso Marcas de implicação Figuras de ação Figura de ação liderança Women Leadership Discursive types Implication marks Action figures Leadership action figure |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Inscrito na área da Linguística do Texto e do Discurso e suportado pelo quadro epistemológico e metodológico do Interacionismo Sociodiscursivo, este trabalho pretende dar conta da representação discursiva do agir de mulheres e homens em posição de liderança, no sentido de perceber, por um lado, como se implicam nos textos que produzem e, por outro lado, em que medida o seu agir pode configurar uma atitude (efetiva e/ou específica) de liderança. Sustentada na hipótese de que há formas de implicação diferentes no processo de produção textual, que resultam em modelos distintos de liderança construídos discursivamente, mobilizo para a análise textual as noções interacionistas sociodiscursivas de tipos de discurso e de figuras de ação. Os tipos de discurso constituem a via para a identificação das propriedades linguísticas e enunciativas que são constitutivas da configuração linguística do agir de mulheres e homens, no intuito de perceber, em particular, se tendem a implicar-se ou, pelo contrário, a distanciar-se no texto. Assim, a partir dessas marcas linguísticas e enunciativas, destaco as que designo como marcas de implicação, que permitem atestar graus distintos da implicação e, dessa forma, verificar se as mulheres têm tendência, ou não, para um discurso mais implicado do que os homens. A análise dos tipos de discurso e, em particular, das marcas de implicação articula-se posteriormente com o conteúdo temático, de forma a identificar as figuras de ação que emergem, enquanto interpretações do agir. Por fim, pretendo verificar que relação(ões) se estabelece(m) entre figuras de ação e a representação discursiva da liderança de mulheres; e na hipótese de tomar em consideração um agir-referente liderança, verificar se emergem da análise textual outras figuras de ação – o que me conduz a propor a noção de figura de ação liderança. O corpus de análise constitui-se por doze intervenções públicas, enquadrando, num viés comparativo, textos de mulheres e homens que representam atividades de linguagem produzidas no exercício das mesmas práticas socioprofissionais, em posição de liderança e em contexto português. Para a análise textual, apoio-me numa abordagem descendente que parte da análise das atividades e dos géneros para a análise dos aspetos (micro)linguísticos. Opto, ainda, pela articulação entre uma abordagem qualitativa e uma abordagem quantitativa, procedendo à identificação, ao levantamento e à contabilização das ocorrências dos dados em análise, para apontar as conclusões mais significativas: com efeito, tendo sido atestados diferentes posicionamentos enunciativos, que reiteram a hipótese, avançada por Maria de Lourdes Pintasilgo, de que mulheres e homens falam de forma diferente, o facto de se observarem valores altos relativamente às formas de implicação das mulheres faz prever a possibilidade de se confirmar a tendência para as mulheres se implicarem, mais do que os homens, nos textos que produzem. Em suma, para além de as mulheres revelarem uma maior tendência, face aos homens, para dizer eu, a materialidade linguística/discursiva contribui para repensar as questões (sociais) da (in)visibilidade do género, evidenciando, por parte das mulheres, uma atitude efetiva de liderança implicada, discursivamente marcada. |
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