Publicação
Trabalho por turnos e noturno : impacto na qualidade de vida e automedicação dos enfermeiros
| Resumo: | RESUMO - Ao longo das últimas décadas, a temática do trabalho por turnos com trabalho noturno tem levantado algumas preocupações por parte dos enfermeiros relativamente ao impacto na sua saúde (física e mental), qualidade de vida e consequentemente à possibilidade deste tipo de horário laboral contribuir para a prática da automedicação. Objetivo: Avaliar o impacto do trabalho por turnos com trabalho noturno na saúde (física e mental), qualidade de vida e automedicação dos enfermeiros de três serviços de um Hospital Central. Tipo de estudo: Foi efetuado um estudo observacional, transversal e com uma componente descritiva e uma componente analítica, comparando a qualidade de vida, o estado de saúde e a automedicação dos enfermeiros que trabalhavam por turnos dos que tinham horário fixo. Utilizaram-se os seguintes testes estatísticos: coeficiente de Pearson (r), teste de U de Mann-Whitney, teste Qui-quadrado e teste Exato de Fisher. E um nível de significância de 5%. Amostra: A amostra é de conveniência, constituída por enfermeiros de três serviços de um hospital Central da região de Lisboa, que concordaram em participar no estudo (n=51). Dos 51 profissionais que aderiram ao estudo, 37 exerciam em horário fixo e diurno e 14 em horário por turnos com trabalho noturno. Instrumento de recolha de dados: Os instrumentos de colheita de dados utilizados foram: EPTT (Estudo Padronizado do Trabalho por Turnos), traduzido e adaptado para a versão portuguesa por Carlos Silva (1995) e Whoqol-bref, questionário de avaliação da qualidade de vida desenvolvido pela OMS, traduzido e adaptado para a versão portuguesa por Canavarro et al (2006). Resultados: No que concerne às caraterísticas sociodemográficas da amostra estudada, verificou-se que apesar do trabalho por turnos com trabalho noturno ser mais frequente nos homens, não se obtiveram diferenças estatisticamente significativas (Teste Exato de Fisher; p=0,120). Relativamente ao estado civil verificou-se que o trabalho por turnos era mais frequente nos enfermeiros solteiros, separados ou viúvos (19/22; 86,4%) do que nos casados ou união de facto (18/29; 62,1%) (Teste Exato de Fisher; p=0,052). Maior proporção de enfermeiros que trabalhavam em horário diurno fixo tinham filhos a cargo e essa diferença era significativa quando comparada com a proporção de enfermeiros que trabalhavam por turnos. 10 Relativamente à análise do estado de saúde (físico e mental) e qualidade de vida dos enfermeiros verificou-se que os enfermeiros que trabalhavam por turnos com trabalho noturno referiram um efeito mais negativo na saúde e qualidade de vida comparativamente aos enfermeiros com horário fixo, mas não se verificou diferença estatisticamente significativa (Teste Exato de Fisher; p= 0,141). No que respeita à avaliação das perturbações de saúde física, psicológica, sociofamiliar e do sono verificou-se que, tanto os trabalhadores com horário fixo e diurno, como os trabalhadores com horário por turnos com trabalho noturno, apresentaram valores de score entre 22 e 27 (numa escala de 0 a 100) nos domínios de avaliação física, psicológica, social e ambiental, mas não havia diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos (teste U de Mann- Whitney: p= 0,849; 0,983; 0,399; 0,340 respetivamente). Verificou-se também que não existia uma associação significativa entre o trabalho por turnos com trabalho noturno e a dificuldade em adormecer, em comparação com os trabalhadores com horário fixo e diurno (Teste qui-quadrado de Pearson; p=0,588). A automedicação apresentou uma prevalência de 35,7% nos trabalhadores com horário fixo e diurno, contrapondo com 24,3% nos trabalhadores com trabalho rotativo e noturno, sem diferença estatisticamente significativa (teste qui-quadrado, p=0,316). Também não houve diferenças com significado estatístico no consumo de psicofármacos e analgésicos (teste exato de Fisher, p= 0,619; p=0,170, respetivamente). Neste estudo, não se verificou qualquer diferença com significado estatístico no que respeita à qualidade de vida, estado de saúde físico e mental e automedicação entre enfermeiros que trabalham por turnos com horário noturno e enfermeiros com horário fixo. Contudo, uma das grandes limitações deste estudo é a dimensão da própria amostra, pelo que outros estudos com amostras de maiores dimensões deverão ser realizados. |
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| Autores principais: | Silva, Maria Helena |
| Assunto: | Trabalho por turnos e nocturno Automedicação Qualidade de vida Enfermeiros Shift work and night shift Self-medication Quality of life Nurses |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | RESUMO - Ao longo das últimas décadas, a temática do trabalho por turnos com trabalho noturno tem levantado algumas preocupações por parte dos enfermeiros relativamente ao impacto na sua saúde (física e mental), qualidade de vida e consequentemente à possibilidade deste tipo de horário laboral contribuir para a prática da automedicação. Objetivo: Avaliar o impacto do trabalho por turnos com trabalho noturno na saúde (física e mental), qualidade de vida e automedicação dos enfermeiros de três serviços de um Hospital Central. Tipo de estudo: Foi efetuado um estudo observacional, transversal e com uma componente descritiva e uma componente analítica, comparando a qualidade de vida, o estado de saúde e a automedicação dos enfermeiros que trabalhavam por turnos dos que tinham horário fixo. Utilizaram-se os seguintes testes estatísticos: coeficiente de Pearson (r), teste de U de Mann-Whitney, teste Qui-quadrado e teste Exato de Fisher. E um nível de significância de 5%. Amostra: A amostra é de conveniência, constituída por enfermeiros de três serviços de um hospital Central da região de Lisboa, que concordaram em participar no estudo (n=51). Dos 51 profissionais que aderiram ao estudo, 37 exerciam em horário fixo e diurno e 14 em horário por turnos com trabalho noturno. Instrumento de recolha de dados: Os instrumentos de colheita de dados utilizados foram: EPTT (Estudo Padronizado do Trabalho por Turnos), traduzido e adaptado para a versão portuguesa por Carlos Silva (1995) e Whoqol-bref, questionário de avaliação da qualidade de vida desenvolvido pela OMS, traduzido e adaptado para a versão portuguesa por Canavarro et al (2006). Resultados: No que concerne às caraterísticas sociodemográficas da amostra estudada, verificou-se que apesar do trabalho por turnos com trabalho noturno ser mais frequente nos homens, não se obtiveram diferenças estatisticamente significativas (Teste Exato de Fisher; p=0,120). Relativamente ao estado civil verificou-se que o trabalho por turnos era mais frequente nos enfermeiros solteiros, separados ou viúvos (19/22; 86,4%) do que nos casados ou união de facto (18/29; 62,1%) (Teste Exato de Fisher; p=0,052). Maior proporção de enfermeiros que trabalhavam em horário diurno fixo tinham filhos a cargo e essa diferença era significativa quando comparada com a proporção de enfermeiros que trabalhavam por turnos. 10 Relativamente à análise do estado de saúde (físico e mental) e qualidade de vida dos enfermeiros verificou-se que os enfermeiros que trabalhavam por turnos com trabalho noturno referiram um efeito mais negativo na saúde e qualidade de vida comparativamente aos enfermeiros com horário fixo, mas não se verificou diferença estatisticamente significativa (Teste Exato de Fisher; p= 0,141). No que respeita à avaliação das perturbações de saúde física, psicológica, sociofamiliar e do sono verificou-se que, tanto os trabalhadores com horário fixo e diurno, como os trabalhadores com horário por turnos com trabalho noturno, apresentaram valores de score entre 22 e 27 (numa escala de 0 a 100) nos domínios de avaliação física, psicológica, social e ambiental, mas não havia diferença estatisticamente significativa entre os dois grupos (teste U de Mann- Whitney: p= 0,849; 0,983; 0,399; 0,340 respetivamente). Verificou-se também que não existia uma associação significativa entre o trabalho por turnos com trabalho noturno e a dificuldade em adormecer, em comparação com os trabalhadores com horário fixo e diurno (Teste qui-quadrado de Pearson; p=0,588). A automedicação apresentou uma prevalência de 35,7% nos trabalhadores com horário fixo e diurno, contrapondo com 24,3% nos trabalhadores com trabalho rotativo e noturno, sem diferença estatisticamente significativa (teste qui-quadrado, p=0,316). Também não houve diferenças com significado estatístico no consumo de psicofármacos e analgésicos (teste exato de Fisher, p= 0,619; p=0,170, respetivamente). Neste estudo, não se verificou qualquer diferença com significado estatístico no que respeita à qualidade de vida, estado de saúde físico e mental e automedicação entre enfermeiros que trabalham por turnos com horário noturno e enfermeiros com horário fixo. Contudo, uma das grandes limitações deste estudo é a dimensão da própria amostra, pelo que outros estudos com amostras de maiores dimensões deverão ser realizados. |
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