Publicação

A influência do género, do Autor e da Fonte na revisão de uma obra de ficção

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Livros e autores literários são perspetivados de forma diferente de livros e autores comerciais – ainda que as fronteiras entre uns e outros nem sempre sejam claras. Se os primeiros são vistos como arte, subvertendo as certezas dos leitores sobre o mundo, os segundos têm a imagem de um meio de entretenimento vazio de estilo e descartável. Mesmo os leitores dos géneros comerciais são descritos pejorativamente, como tendo menores conhecimentos. Assumindo a crença de que todos os livros merecem ser revistos com o mesmo cuidado – e de que todos os leitores devem receber um texto isento de erros gramaticais e usos desadequados de linguagem –, procurou-se descobrir de que forma o género, o tipo de autor e a fonte (se um texto é traduzido, um original de língua portuguesa, contemporâneo ou uma publicação póstuma) têm influência – se a tiverem – na revisão de uma obra de ficção, para que, se necessário, seja possível encontrar estratégias que contrabalancem o efeito desses fatores. Com esse objetivo, entrevistaram-se nove revisores e cinco editores, que partilharam a sua experiência nesta área.Esta dissertação inicia-se, assim, com a caracterização do que se entende por ficção literária e comercial, enquadrada numa reflexão teórica e acompanhada de exemplos, e com uma breve descrição das peculiaridades da tradução. No segundo capítulo, são descritos o processo de revisão de texto, os elementos sobre os quais este incide e as fronteiras que o revisor não deve ultrapassar. No terceiro capítulo, após a exposição da metodologia adotada, são apresentadas e analisadas as conclusões desta investigação, pautada por dificuldades como a disparidade das respostas dadas, os raros consensos e a impossibilidade de se obter uma amostra de maiores dimensões, uma vez que a condução e o tratamento de entrevistas detalhadas com 14 profissionais já constituíram um desafio considerável. Apesar das referidas limitações, inerentes a este tipo de trabalho, os dados recolhidos e analisados permitem concluir que é possível identificar importantes diferenças entre o trabalho de revisão de géneros, autores e fontes distintos e que estas são, sobretudo, inconscientes. Existe, nomeadamente, uma tendência para se assumir que desvios à norma e construções estranhas são propositadas em livros de ficção literária e de autores consagrados ou mais vendidos, sendo colocadas menos questões aos autores nestes casos. Há também uma maior probabilidade de livros de ficção comercial e de autores com muitas vendas terem um tempo de revisão mais reduzido, por as datas de publicação serem mais inflexíveis. Por fim, verificou-se que, embora exista um respeito muito grande pelos tradutores, a própria natureza do texto e o maior desapego que estes terão em relação ao livro, por contraste com o autor da obra, resultam num maior nível de intervenção em obras traduzidas do que em obras de língua portuguesa.
Autores principais:Carmo, Inês Filipa Rebelo do
Assunto:Edição de texto Autor Fonte Género Edição Entrevistas Ficção comercial Ficção literária Revisão de texto Commercial fiction Copy-editing Editing Interviews Literary fiction
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Livros e autores literários são perspetivados de forma diferente de livros e autores comerciais – ainda que as fronteiras entre uns e outros nem sempre sejam claras. Se os primeiros são vistos como arte, subvertendo as certezas dos leitores sobre o mundo, os segundos têm a imagem de um meio de entretenimento vazio de estilo e descartável. Mesmo os leitores dos géneros comerciais são descritos pejorativamente, como tendo menores conhecimentos. Assumindo a crença de que todos os livros merecem ser revistos com o mesmo cuidado – e de que todos os leitores devem receber um texto isento de erros gramaticais e usos desadequados de linguagem –, procurou-se descobrir de que forma o género, o tipo de autor e a fonte (se um texto é traduzido, um original de língua portuguesa, contemporâneo ou uma publicação póstuma) têm influência – se a tiverem – na revisão de uma obra de ficção, para que, se necessário, seja possível encontrar estratégias que contrabalancem o efeito desses fatores. Com esse objetivo, entrevistaram-se nove revisores e cinco editores, que partilharam a sua experiência nesta área.Esta dissertação inicia-se, assim, com a caracterização do que se entende por ficção literária e comercial, enquadrada numa reflexão teórica e acompanhada de exemplos, e com uma breve descrição das peculiaridades da tradução. No segundo capítulo, são descritos o processo de revisão de texto, os elementos sobre os quais este incide e as fronteiras que o revisor não deve ultrapassar. No terceiro capítulo, após a exposição da metodologia adotada, são apresentadas e analisadas as conclusões desta investigação, pautada por dificuldades como a disparidade das respostas dadas, os raros consensos e a impossibilidade de se obter uma amostra de maiores dimensões, uma vez que a condução e o tratamento de entrevistas detalhadas com 14 profissionais já constituíram um desafio considerável. Apesar das referidas limitações, inerentes a este tipo de trabalho, os dados recolhidos e analisados permitem concluir que é possível identificar importantes diferenças entre o trabalho de revisão de géneros, autores e fontes distintos e que estas são, sobretudo, inconscientes. Existe, nomeadamente, uma tendência para se assumir que desvios à norma e construções estranhas são propositadas em livros de ficção literária e de autores consagrados ou mais vendidos, sendo colocadas menos questões aos autores nestes casos. Há também uma maior probabilidade de livros de ficção comercial e de autores com muitas vendas terem um tempo de revisão mais reduzido, por as datas de publicação serem mais inflexíveis. Por fim, verificou-se que, embora exista um respeito muito grande pelos tradutores, a própria natureza do texto e o maior desapego que estes terão em relação ao livro, por contraste com o autor da obra, resultam num maior nível de intervenção em obras traduzidas do que em obras de língua portuguesa.