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O perfil da insegurança alimentar na ilha de Santiago, Cabo Verde, e a associação entre a situação de insegurança alimentar das famílias e o estado nutricional das crianças menores de cinco anos de idade

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Resumo:Resumo: Compreender o fenómeno de insegurança alimentar é cada vez mais um desafio presente e urgente. Cabo Verde sempre se debateu com as consequências diretas que advêm da condição de pequeno país insular e das especificidades geoclimáticas que fazem com que este esteja numa constante situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar (IA)(1). Este estudo pretendeu traçar o perfil de IA associando-a a fatores sociodemográficos/económicos e às condições do agregado familiar e perceber a associação entre a situação de IA das famílias e o estado nutricional das crianças menores de 5 anos de idade. Métodos: Neste estudo analisaram-se dados secundários referentes à ilha de Santiago, recolhidos no IN-VANF, realizado entre os meses de setembro e outubro de 2018 e cedidos pelo Ministério da Agricultura e Ambiente de Cabo Verde. Após uma análise descritiva e uso de testes de hipóteses, foram usados modelos de regressão quantílica para explorar potenciais fatores que expliquem a distribuição do score bruto da FIES, dando destaque ao primeiro (Q1), segundo (Q2) e terceiro (Q3) deste score. Resultados: Do total de 1811 agregados familiares (AF) residentes em Santiago, Cabo Verde, 1443 (79,7%, IC95%: ]77,8%; 81,5%[) encontram-se numa situação de IA. Sete dos nove concelhos apresentam percentagens elevadas de IA, sendo que a cidade da Praia apresenta 50,3% dos AF inseguros do ponto de vista alimentar. Os modelos referentes aos três quartis do score bruto da FIES apresentam R² baixos, correspondendo o maior valor ao Q3 (com R² =23,8%). A variável rendimento mensal do AF integra os três modelos, parecendo ser um fator preponderante na situação de IA dos AF residentes na ilha de Santiago. Relativamente ao modelo apresentado para o Q1, o impacto do meio de residência e do nível de literacia do RAF não foram significativos. Os AF cuja principal fonte de rendimento é proveniente da agricultura e criação de gado/pesca apresentam piores valores em termos do score do que as restantes fontes de rendimento referidas. O impacto da alfabetização do RAF é significativo, sendo que não saber ler nem escrever apresenta um acréscimo relativamente ao score de insegurança alimentar. Relativamente ao universo de crianças menores de cinco anos (N=706) apresentaram baixas frequências de Sobrepeso, Baixo Peso, Desnutrição Crónica e Desnutrição Aguda. Ainda assim a desnutrição crónica global apresenta os valores mais altos (12,4%, n=53, IC95:]5,80;9,72%[). Não se encontrou uma relação entre a situação de IA das famílias residentes da ilha de Santiago e o estado nutricional dos respetivos elementos com menos de 5 anos de idade. Foi encontrada uma associação entre situação de IA dos AF e o quadro de diarreia reportado nas crianças menores de 5 anos de idade (p=0,001). Acrescentar que as famílias cujas crianças não apresentaram um quadro de diarreia nos 3 meses anteriores registam uma menor frequência de IA, bem como valores inferiores na escala de severidade. Conclusões: Globalmente, do total de 1811 agregados familiares (AF) residentes em Santiago, 1443 (79,7%, IC95%: ]77,8%; 81,5%[) encontram-se numa situação de IA. Os desafios que o país, em particular a ilha de Santiago, enfrenta são um fardo pesado com impacto direto na disponibilidade e acesso alimentar. Sendo, por isso, essencial a continuação de recolha e sistematização de dados como base orientadora de políticas e de financiamento.
Autores principais:ALMEIDA, Carolina Monteiro da Costa e
Assunto:Saúde pública Alimentação Nutrição Cabo Verde
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Resumo: Compreender o fenómeno de insegurança alimentar é cada vez mais um desafio presente e urgente. Cabo Verde sempre se debateu com as consequências diretas que advêm da condição de pequeno país insular e das especificidades geoclimáticas que fazem com que este esteja numa constante situação de vulnerabilidade e insegurança alimentar (IA)(1). Este estudo pretendeu traçar o perfil de IA associando-a a fatores sociodemográficos/económicos e às condições do agregado familiar e perceber a associação entre a situação de IA das famílias e o estado nutricional das crianças menores de 5 anos de idade. Métodos: Neste estudo analisaram-se dados secundários referentes à ilha de Santiago, recolhidos no IN-VANF, realizado entre os meses de setembro e outubro de 2018 e cedidos pelo Ministério da Agricultura e Ambiente de Cabo Verde. Após uma análise descritiva e uso de testes de hipóteses, foram usados modelos de regressão quantílica para explorar potenciais fatores que expliquem a distribuição do score bruto da FIES, dando destaque ao primeiro (Q1), segundo (Q2) e terceiro (Q3) deste score. Resultados: Do total de 1811 agregados familiares (AF) residentes em Santiago, Cabo Verde, 1443 (79,7%, IC95%: ]77,8%; 81,5%[) encontram-se numa situação de IA. Sete dos nove concelhos apresentam percentagens elevadas de IA, sendo que a cidade da Praia apresenta 50,3% dos AF inseguros do ponto de vista alimentar. Os modelos referentes aos três quartis do score bruto da FIES apresentam R² baixos, correspondendo o maior valor ao Q3 (com R² =23,8%). A variável rendimento mensal do AF integra os três modelos, parecendo ser um fator preponderante na situação de IA dos AF residentes na ilha de Santiago. Relativamente ao modelo apresentado para o Q1, o impacto do meio de residência e do nível de literacia do RAF não foram significativos. Os AF cuja principal fonte de rendimento é proveniente da agricultura e criação de gado/pesca apresentam piores valores em termos do score do que as restantes fontes de rendimento referidas. O impacto da alfabetização do RAF é significativo, sendo que não saber ler nem escrever apresenta um acréscimo relativamente ao score de insegurança alimentar. Relativamente ao universo de crianças menores de cinco anos (N=706) apresentaram baixas frequências de Sobrepeso, Baixo Peso, Desnutrição Crónica e Desnutrição Aguda. Ainda assim a desnutrição crónica global apresenta os valores mais altos (12,4%, n=53, IC95:]5,80;9,72%[). Não se encontrou uma relação entre a situação de IA das famílias residentes da ilha de Santiago e o estado nutricional dos respetivos elementos com menos de 5 anos de idade. Foi encontrada uma associação entre situação de IA dos AF e o quadro de diarreia reportado nas crianças menores de 5 anos de idade (p=0,001). Acrescentar que as famílias cujas crianças não apresentaram um quadro de diarreia nos 3 meses anteriores registam uma menor frequência de IA, bem como valores inferiores na escala de severidade. Conclusões: Globalmente, do total de 1811 agregados familiares (AF) residentes em Santiago, 1443 (79,7%, IC95%: ]77,8%; 81,5%[) encontram-se numa situação de IA. Os desafios que o país, em particular a ilha de Santiago, enfrenta são um fardo pesado com impacto direto na disponibilidade e acesso alimentar. Sendo, por isso, essencial a continuação de recolha e sistematização de dados como base orientadora de políticas e de financiamento.