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Epidemiology of SARS-CoV-2 in children hospitalized and at schools in urban, peri-urban and rural areas in Maputo, Mozambique

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Resumo:Introdução: O surgimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave do Coronavírus 2 (SARS-CoV-2) levou à implementação de uma série de intervenções em crianças moçambicanas para prevenir a propagação do vírus e limitar a sobre capacidade das unidades de saúde por casos da Doença do Coronavírus (COVID-19). Neste trabalho, avaliamos a exposição ao SARS-CoV-2 em crianças moçambicanas em escolas primárias selecionadas em Maputo Cidade e Província, estimamos o fardo da COVID-19 na população pediátrica no Hospital Central de Maputo e, por último, avaliamos disponibilidade e prontidão de medidas preventivas contra o SARS-CoV-2 nas escolas primárias de Maputo Cidade. Métodos: Entre Agosto e Novembro de 2022, realizámos um estudo transversal em crianças em quatro escolas nas áreas rural, peri-urbana e urbana de Maputo Cidade e Província. Usou-se testes de diagnóstico rápido para avaliar antígenos SARS-CoV-2 e anticorpos específicos de imunoglobulina M (IgM) e imunoglobulina G (IgG) anti-SARS-CoV-2. No Hospital Central de Maputo foi realizado um estudo transversal de Outubro de 2020 a Outubro de 2022. Os registos disponíveis foram obtidos dos livros de admissão. Para disponibilidade e prontidão contra SARS-CoV-2, foi realizado um estudo transversal entre Agosto e Outubro de 2023. A prontidão - padronizada de 0% a 100% - foi construída com base na frequência relativa das medidas preventivas disponíveis contra SARS-CoV- 2. Escolas com pontuação de 100% foram consideradas prontas. Resultados: A prevalência de anticorpos anti-SARS-CoV-2 IgG ou IgM foi de 76,7% (188/245), 80,0% (192/240) e 85,3% (214/251), nas áreas rural, peri-urbana e urbana, respetivamente. Crianças em idade escolar da área urbana tinham maior probabilidade de ter anticorpos IgG ou IgM anti-SARS-CoV-2 do que crianças em idade escolar da área rural (razão de chances ajustada: 1,679; IC 95%: 1,060–2,684; p-valor = 0,028). No Hospital Central de Maputo a frequência de casos pediátricos admitidos com COVID-19/suspeita foi de 0,6% (IC 95%: 0,5–0,6; 364/63753) e a frequência de casos pediátricos hospitalizados com COVID-19 foi de 2,5% (IC 95%: 2,2–2,9). Em crianças hospitalizadas com COVID-19, 30,0% faleceram (IC 95%: 22,2–39,1; 33/110), sendo maior a percentagem de óbitos em crianças com desnutrição do que em crianças sem desnutrição (61,5% [8/13] vs. 21,3% [16/75], p-valor = 0,005). Entre as medidas disponíveis contra o SARS-CoV-2 implementadas nas escolas primárias, as medidas menos disponíveis foram: a cinza/sabão para lavagem das mãos com 47,7% (52/109) e termómetros funcionais com 31,2% (34/109). A pontuação de prontidão para medidas preventivas contra SARS-CoV-2 variou de 30% a 100%, com mediana de 70%. As escolas prontas foram 13,8% (15/109). A prontidão foi maior nas escolas privadas do que nas públicas (mediana, 90% versus 60%; p-valor < 0,001). Conclusões: Exposição ao SARS-CoV-2 foi significativamente maior nas escolas da área urbana do que na escola da área rural em Maputo Cidade e Província. A mortalidade em crianças hospitalizadas com COVID-19 foi mais comum em crianças desnutridas do que em crianças não desnutridas. Medidas preventivas contra o SARS-CoV-2 nas escolas primárias de Maputo Cidade foi maior em escolas privadas do que públicas.
Autores principais:BAUHOFER, Adilson Fernando Loforte Bauhofer
Outros Autores:GONÇALVES, Luzia
Assunto:Doenças tropicias Saúde pública SARS-CoV-2 Crianças Maputo Moçambique
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Introdução: O surgimento da Síndrome Respiratória Aguda Grave do Coronavírus 2 (SARS-CoV-2) levou à implementação de uma série de intervenções em crianças moçambicanas para prevenir a propagação do vírus e limitar a sobre capacidade das unidades de saúde por casos da Doença do Coronavírus (COVID-19). Neste trabalho, avaliamos a exposição ao SARS-CoV-2 em crianças moçambicanas em escolas primárias selecionadas em Maputo Cidade e Província, estimamos o fardo da COVID-19 na população pediátrica no Hospital Central de Maputo e, por último, avaliamos disponibilidade e prontidão de medidas preventivas contra o SARS-CoV-2 nas escolas primárias de Maputo Cidade. Métodos: Entre Agosto e Novembro de 2022, realizámos um estudo transversal em crianças em quatro escolas nas áreas rural, peri-urbana e urbana de Maputo Cidade e Província. Usou-se testes de diagnóstico rápido para avaliar antígenos SARS-CoV-2 e anticorpos específicos de imunoglobulina M (IgM) e imunoglobulina G (IgG) anti-SARS-CoV-2. No Hospital Central de Maputo foi realizado um estudo transversal de Outubro de 2020 a Outubro de 2022. Os registos disponíveis foram obtidos dos livros de admissão. Para disponibilidade e prontidão contra SARS-CoV-2, foi realizado um estudo transversal entre Agosto e Outubro de 2023. A prontidão - padronizada de 0% a 100% - foi construída com base na frequência relativa das medidas preventivas disponíveis contra SARS-CoV- 2. Escolas com pontuação de 100% foram consideradas prontas. Resultados: A prevalência de anticorpos anti-SARS-CoV-2 IgG ou IgM foi de 76,7% (188/245), 80,0% (192/240) e 85,3% (214/251), nas áreas rural, peri-urbana e urbana, respetivamente. Crianças em idade escolar da área urbana tinham maior probabilidade de ter anticorpos IgG ou IgM anti-SARS-CoV-2 do que crianças em idade escolar da área rural (razão de chances ajustada: 1,679; IC 95%: 1,060–2,684; p-valor = 0,028). No Hospital Central de Maputo a frequência de casos pediátricos admitidos com COVID-19/suspeita foi de 0,6% (IC 95%: 0,5–0,6; 364/63753) e a frequência de casos pediátricos hospitalizados com COVID-19 foi de 2,5% (IC 95%: 2,2–2,9). Em crianças hospitalizadas com COVID-19, 30,0% faleceram (IC 95%: 22,2–39,1; 33/110), sendo maior a percentagem de óbitos em crianças com desnutrição do que em crianças sem desnutrição (61,5% [8/13] vs. 21,3% [16/75], p-valor = 0,005). Entre as medidas disponíveis contra o SARS-CoV-2 implementadas nas escolas primárias, as medidas menos disponíveis foram: a cinza/sabão para lavagem das mãos com 47,7% (52/109) e termómetros funcionais com 31,2% (34/109). A pontuação de prontidão para medidas preventivas contra SARS-CoV-2 variou de 30% a 100%, com mediana de 70%. As escolas prontas foram 13,8% (15/109). A prontidão foi maior nas escolas privadas do que nas públicas (mediana, 90% versus 60%; p-valor < 0,001). Conclusões: Exposição ao SARS-CoV-2 foi significativamente maior nas escolas da área urbana do que na escola da área rural em Maputo Cidade e Província. A mortalidade em crianças hospitalizadas com COVID-19 foi mais comum em crianças desnutridas do que em crianças não desnutridas. Medidas preventivas contra o SARS-CoV-2 nas escolas primárias de Maputo Cidade foi maior em escolas privadas do que públicas.