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Desenvoltura e contestação

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Apresento neste artigo uma leitura do ensaio “Uma literatura desenvolta ou os filhos de Álvaro de Campos”, publicado pela primeira vez em outubro de 1966 na revista O Tempo e o Modo, em que Eduardo Lourenço define e analisa um fenômeno literário que participa decisivamente do processo de transformação por que passaram a literatura e a cultura portuguesas na segunda metade do século XX. Por meio de um levantamento bibliográfico criterioso, procuro situar o ensaio de Eduardo Lourenço no contexto literário e cultural da época em que foi publicado, interpretá-lo à luz das principais leituras que dele foram feitas desde sua publicação e confrontá-lo com outras perspectivas sobre o mesmo fenômeno literário. Revisitando algumas das passagens do ensaio, analiso a “Nova Literatura” em sua relação com o neorrealismo, ainda hegemônico quando os novos ficcionistas entram em cena, tentando com isso definir aquilo que a singulariza: a sua dimensão moral. Por fim, explicito aquilo que julgo ser o eixo da argumentação de Eduardo Lourenço – a retomada, ainda que tardia, de uma tradição de contestação que age no “subconsciente nacional” – e faço duas breves considerações a respeito desse tema, enfatizando, por um lado, a especificidade do impulso libertador que remonta a Álvaro de Campos (mas que em outros textos Eduardo Lourenço admite ser-lhe anterior) e, por outro, o caráter inovador da prosa desenvolta, a “condição de devir” que segundo Rosa Maria Martelo é intrínseca a todo fenômeno da descendência literária.
Autores principais:Neto, Carlos Conte
Assunto:Ficção portuguesa contemporânea Desenvoltura Contestação Nova Literatura Álvaro de Campos
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Apresento neste artigo uma leitura do ensaio “Uma literatura desenvolta ou os filhos de Álvaro de Campos”, publicado pela primeira vez em outubro de 1966 na revista O Tempo e o Modo, em que Eduardo Lourenço define e analisa um fenômeno literário que participa decisivamente do processo de transformação por que passaram a literatura e a cultura portuguesas na segunda metade do século XX. Por meio de um levantamento bibliográfico criterioso, procuro situar o ensaio de Eduardo Lourenço no contexto literário e cultural da época em que foi publicado, interpretá-lo à luz das principais leituras que dele foram feitas desde sua publicação e confrontá-lo com outras perspectivas sobre o mesmo fenômeno literário. Revisitando algumas das passagens do ensaio, analiso a “Nova Literatura” em sua relação com o neorrealismo, ainda hegemônico quando os novos ficcionistas entram em cena, tentando com isso definir aquilo que a singulariza: a sua dimensão moral. Por fim, explicito aquilo que julgo ser o eixo da argumentação de Eduardo Lourenço – a retomada, ainda que tardia, de uma tradição de contestação que age no “subconsciente nacional” – e faço duas breves considerações a respeito desse tema, enfatizando, por um lado, a especificidade do impulso libertador que remonta a Álvaro de Campos (mas que em outros textos Eduardo Lourenço admite ser-lhe anterior) e, por outro, o caráter inovador da prosa desenvolta, a “condição de devir” que segundo Rosa Maria Martelo é intrínseca a todo fenômeno da descendência literária.