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Operárias em luta: reivindicações e resistência nas fábricas durante o PREC (1974-1975)

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A presente investigação tem como objetivo analisar os processos de resistência das mulheres operárias durante o período revolucionário português, especialmente nas fábricas onde eram elas a maior força de trabalho. A partir da ruptura desencadeada pelo Movimento das Forças Armadas em 25 de Abril de 1974, a organização popular e a classe trabalhadora desempenharam um papel crucial nas mobilizações pelos avanços e conquistas de direitos laborais e no acesso à educação, saúde e habitação, contribuindo para um período de constantes transformações e contradições entre o Estado e o poder popular. Esta pesquisa tem enquanto baliza temporal os dezenove meses do processo revolucionário (25 de Abril de 1974 a 25 de novembro de 1975), onde buscamos compreender a dialética que permeou diversos espaços de discussão e de tomada de decisões, delineando os rumos a serem tomados após 48 anos de uma ditadura fascista. Este trabalho, assente na História Social do Trabalho e na relação intrínseca entre classe e género, destaca a crítica central de que o papel das mulheres, especialmente das operárias, foi tratado de forma subterrânea na historiografia, frequentemente excluídas das discussões específicas sobre a construção social de género e, em suas ações neste ínterim, diluídas na classe trabalhadora. Temos enquanto hipótese que o papel histórico das trabalhadoras durante este período foi essencial para a concretização de uma revolução, bem como para a composição do poder popular e para o despertar das possibilidades de resistência que se abriam para elas, que eram, até então, segregadas da vida pública e institucional. A partir dessa premissa, buscamos demonstrar inicialmente o lugar imposto à mulher trabalhadora durante o regime do “Estado Novo”, na década de 1960, com ênfase nas dinâmicas de opressão/exploração e nas consequentes formas de resistência em ambiente fabril. Em seguida, pretendemos sustentar, através da demonstração em cerca de trezentas fábricas, as formas de resistir e as reivindicações que essas mulheres levantaram durante a revolução, buscando destacar como as expectativas sociais em torno delas toldaram decisões ou, por outro lado, impulsionaram uma radicalidade expressa em ocupações de fábricas e em processos de autogestão, tendo, enquanto estudo de caso, o desencadeamento na fábrica têxtil Sogantal. Para este fim, utilizamos metodologicamente fontes primárias compreendidas na imprensa — fosse ela partidária ou corrente —, em boletins, panfletos, comunicados, cadernos reivindicativos e jornais de fábricas. Evidenciamos que as expectativas de género foram frequentemente contestadas durante o período revolucionário, assim como o próprio sentido de propriedade privada dos meios de produção, proporcionada através de certas aberturas na relação entre prática “espontânea” e consciência social. No entanto, a opressão enfrentada pelas mulheres não se esvaiu com a efervescência revolucionária fazendo-nos considerar que a luta pela equidade ainda é uma constante.
Autores principais:Cabreira, Pâmela Peres
Assunto:Operárias PREC Revolução Sogantal Autogestão 25 de Abril Mulheres Workers Revolution Self-management 25th April Women
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A presente investigação tem como objetivo analisar os processos de resistência das mulheres operárias durante o período revolucionário português, especialmente nas fábricas onde eram elas a maior força de trabalho. A partir da ruptura desencadeada pelo Movimento das Forças Armadas em 25 de Abril de 1974, a organização popular e a classe trabalhadora desempenharam um papel crucial nas mobilizações pelos avanços e conquistas de direitos laborais e no acesso à educação, saúde e habitação, contribuindo para um período de constantes transformações e contradições entre o Estado e o poder popular. Esta pesquisa tem enquanto baliza temporal os dezenove meses do processo revolucionário (25 de Abril de 1974 a 25 de novembro de 1975), onde buscamos compreender a dialética que permeou diversos espaços de discussão e de tomada de decisões, delineando os rumos a serem tomados após 48 anos de uma ditadura fascista. Este trabalho, assente na História Social do Trabalho e na relação intrínseca entre classe e género, destaca a crítica central de que o papel das mulheres, especialmente das operárias, foi tratado de forma subterrânea na historiografia, frequentemente excluídas das discussões específicas sobre a construção social de género e, em suas ações neste ínterim, diluídas na classe trabalhadora. Temos enquanto hipótese que o papel histórico das trabalhadoras durante este período foi essencial para a concretização de uma revolução, bem como para a composição do poder popular e para o despertar das possibilidades de resistência que se abriam para elas, que eram, até então, segregadas da vida pública e institucional. A partir dessa premissa, buscamos demonstrar inicialmente o lugar imposto à mulher trabalhadora durante o regime do “Estado Novo”, na década de 1960, com ênfase nas dinâmicas de opressão/exploração e nas consequentes formas de resistência em ambiente fabril. Em seguida, pretendemos sustentar, através da demonstração em cerca de trezentas fábricas, as formas de resistir e as reivindicações que essas mulheres levantaram durante a revolução, buscando destacar como as expectativas sociais em torno delas toldaram decisões ou, por outro lado, impulsionaram uma radicalidade expressa em ocupações de fábricas e em processos de autogestão, tendo, enquanto estudo de caso, o desencadeamento na fábrica têxtil Sogantal. Para este fim, utilizamos metodologicamente fontes primárias compreendidas na imprensa — fosse ela partidária ou corrente —, em boletins, panfletos, comunicados, cadernos reivindicativos e jornais de fábricas. Evidenciamos que as expectativas de género foram frequentemente contestadas durante o período revolucionário, assim como o próprio sentido de propriedade privada dos meios de produção, proporcionada através de certas aberturas na relação entre prática “espontânea” e consciência social. No entanto, a opressão enfrentada pelas mulheres não se esvaiu com a efervescência revolucionária fazendo-nos considerar que a luta pela equidade ainda é uma constante.