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A produção musical de índole política no período liberal : 1820-1851

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Resumo:Nesta dissertação pretendeu-se investigar e analisar a produção musical saída da primeira metade do século XIX relacionada com a implantação do liberalismo em Portugal. Com efeito, a ligação entre os movimentos políticos de determinadas épocas e o seu reflexo na produção musical coeva é um assunto muito pouco estudado em Portugal e, particularmente no que diz respeito ao século XIX, que, até muito recentemente, foi sistematicamente inferiorizado e ignorado pelos investigadores da música. E, todavia, do que se conhece, infere-se que foi um século muito activo musicalmente, tanto do ponto de vista profissional, como amador, surgindo várias sociedades de concertos, editores de música, abundantes publicações periódicas sobre música e vários tipos de comércio musical, reflectindo uma intensa oferta e procura deste tipo de bens. Assim, escolheu-se o período que corresponde ao estabelecimento do liberalismo em Portugal (1820 e 1851) por abranger um período de certa forma coeso, agitado por forças políticas e convulsões sociais que implicaram partidarismos, contestações e momentos de congratulação tão radicalmente antagónicos, que por duas vezes conduziram a sangrentas guerras civis (1832-34 e 1846-47). Foi essa multiplicidade de situações que apelou para o interesse particular dessa época, no sentido de verificar a repercussão desse quadro agitado na produção musical coeva e no contexto de uma sociedade em constante mudança, que se parece aproximar cada vez mais de uma sociedade romântica. Encontrou-se, de facto, um novo tipo de produção musical, na sua maioria independente das estruturas oficiais de produção (que até aí eram, fundamentalmente, a Corte, a Igreja e a Ópera), traduzido num abundante número de composições de inspiração partidária diversa, de conjunturas diferenciadas e de estilos e práticas musicais variados, que acompanham quase a par e passo os sucessivos momentos políticos da época, movimentos esses em que os músicos tiveram, também, um importante envolvimento social e político. Com isso cremos ter contribuído para uma nova compreensão da vivência musical dessa época.
Autores principais:Valentim, Maria José Quaresma de Carvalho Alves Borges
Assunto:Liberalismo Absolutismo Hinos Cartismo Setembrismo Regeneração Marchas Cancioneiro político Liberalism Absolutism Marches Political songbook
Ano:2008
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Nesta dissertação pretendeu-se investigar e analisar a produção musical saída da primeira metade do século XIX relacionada com a implantação do liberalismo em Portugal. Com efeito, a ligação entre os movimentos políticos de determinadas épocas e o seu reflexo na produção musical coeva é um assunto muito pouco estudado em Portugal e, particularmente no que diz respeito ao século XIX, que, até muito recentemente, foi sistematicamente inferiorizado e ignorado pelos investigadores da música. E, todavia, do que se conhece, infere-se que foi um século muito activo musicalmente, tanto do ponto de vista profissional, como amador, surgindo várias sociedades de concertos, editores de música, abundantes publicações periódicas sobre música e vários tipos de comércio musical, reflectindo uma intensa oferta e procura deste tipo de bens. Assim, escolheu-se o período que corresponde ao estabelecimento do liberalismo em Portugal (1820 e 1851) por abranger um período de certa forma coeso, agitado por forças políticas e convulsões sociais que implicaram partidarismos, contestações e momentos de congratulação tão radicalmente antagónicos, que por duas vezes conduziram a sangrentas guerras civis (1832-34 e 1846-47). Foi essa multiplicidade de situações que apelou para o interesse particular dessa época, no sentido de verificar a repercussão desse quadro agitado na produção musical coeva e no contexto de uma sociedade em constante mudança, que se parece aproximar cada vez mais de uma sociedade romântica. Encontrou-se, de facto, um novo tipo de produção musical, na sua maioria independente das estruturas oficiais de produção (que até aí eram, fundamentalmente, a Corte, a Igreja e a Ópera), traduzido num abundante número de composições de inspiração partidária diversa, de conjunturas diferenciadas e de estilos e práticas musicais variados, que acompanham quase a par e passo os sucessivos momentos políticos da época, movimentos esses em que os músicos tiveram, também, um importante envolvimento social e político. Com isso cremos ter contribuído para uma nova compreensão da vivência musical dessa época.