Publicação
A saúde das crianças e a pobreza familiar: um estudo quantitativo para a Região de Lisboa e Vale do Tejo
| Resumo: | Introdução: A infância caracteriza-se por processos de transformação biológicos, comportamentais e sociais, que são facilmente influenciados por fatores externos. A literatura sugere que a pobreza, nomeadamente a relacionada com os fatores socioeconómicos dos familiares, afeta direta ou indiretamente as crianças; estas podem vir a desenvolver características, comportamentos ou doenças típicas de quem viveu em pobreza e que perdurarão ao longo das suas vidas. A saúde infantil negligenciada pela pobreza familiar resulta no desenvolvimento de limitações ou incapacidades futuras que prejudicarão o capital social dos países. Por essa razão, importa estudar e identificar os fatores determinantes da saúde infantil, com o intuito de desenvolver medidas para a sua mitigação. Objetivos: Analisar a relação existente entre alguns indicadores de saúde infantil e a situação socioeconómica das famílias na região de Lisboa e Vale do Tejo. Material e métodos: Realizou-se um estudo quantitativo, observacional e transversal, a crianças com idades entre 2 e 5 anos, que frequentaram o ACES da Amadora e do Arco Ribeirinho entre Junho de 2019 e Março de 2023. A recolha de dados foi efetuada através de um questionário estruturado e presencial aos pais/cuidadores das crianças. A amostra deste estudo foi retirada de dois outros estudos mais alargados sobre o perfil de saúde da criança. As variáveis relacionadas com a saúde da criança foram: estado geral de saúde, número de episódios de doença, peso ao nascer, consumo de frutas e legumes e acesso aos cuidados de saúde. Os indicadores de pobreza considerados foram: rendimento familiar mensal, situação perante o emprego e qualificação laboral. Foram realizadas estatísticas descritivas mais adequadas a cada tipo de variável e analisadas associações através do teste de Qui-Quadrado, Fisher ou Fisher-Freeman-Halton. Usou-se o software SPSS versão 27. Resultados: Da amostra de 560 crianças, 46,4% eram consideradas, pelos pais/cuidadores, como tendo um bom estado de saúde. Cerca de um terço das crianças não tinha estado de doente nos 3 meses e 36,6% tinham tido apenas um episódio de doença. Cerca de 3 em cada 4 crianças nasceu com um peso adequado. Cerca de 47% das crianças consume fruta fresca duas vezes por dia e cerca de 50% consume verduras, saladas e hortaliças duas vezes por dia. Quanto à utilização dos cuidados de saúde, 29% das crianças usa a urgência do sector público e 96% utiliza o centro de saúde para consultas de vigilância/rotina. Os pais/cuidadores, classificam em geral o sector público como o sector preferencial. As qualificações dos pais/cuidadores estão significativamente associadas com o consumo de frutas e legumes (p=0,075; p=0,073) e o motivo de ir ao centro de saúde (p=0,004), enquanto a situação laboral está significativamente associada ao peso à nascença (p=0,000) e o local de atendimento quando a criança esteve doente (p=0,035). Já o rendimento familiar está associado significativamente com consumo de frutas e legumes (p= 0,066; p=0,053), local de atendimento quando a criança esteve doente (p=0,001) e motivo de ir ao centro de saúde (p=0,000). Conclusão: A pobreza familiar é um determinante da saúde infantil que deve ser considerada como um importante determinante social da saúde da criança. A associação entre instabilidade financeira das famílias, principalmente em tempos de crise financeira, e as repercussões na qualidade de vida das crianças, reforça a necessidade de criação de estratégias que visem a mitigar os efeitos nefastos que possam daí derivar. Este estudo reforça a evidência referida na literatura sobre o impacto negativo que o estatuto socioeconómico familiar desfavorecido tem no desenvolvimento da criança. As conclusões obtidas nesta amostra de crianças/famílias da região de Lisboa e Vale do Tejo poderá servir de base para estudos futuros assim como para o planeamento de estratégias que protejam as crianças em situação de vulnerabilidade financeira familiar nesta Região de Portugal. |
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| Autores principais: | JARDIM, Marta Duarte |
| Assunto: | Saúde pública Pobreza Privação material Saúde infantil Situação de carência económica Lisboa e Vale do Tejo |
| Ano: | 2023 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Introdução: A infância caracteriza-se por processos de transformação biológicos, comportamentais e sociais, que são facilmente influenciados por fatores externos. A literatura sugere que a pobreza, nomeadamente a relacionada com os fatores socioeconómicos dos familiares, afeta direta ou indiretamente as crianças; estas podem vir a desenvolver características, comportamentos ou doenças típicas de quem viveu em pobreza e que perdurarão ao longo das suas vidas. A saúde infantil negligenciada pela pobreza familiar resulta no desenvolvimento de limitações ou incapacidades futuras que prejudicarão o capital social dos países. Por essa razão, importa estudar e identificar os fatores determinantes da saúde infantil, com o intuito de desenvolver medidas para a sua mitigação. Objetivos: Analisar a relação existente entre alguns indicadores de saúde infantil e a situação socioeconómica das famílias na região de Lisboa e Vale do Tejo. Material e métodos: Realizou-se um estudo quantitativo, observacional e transversal, a crianças com idades entre 2 e 5 anos, que frequentaram o ACES da Amadora e do Arco Ribeirinho entre Junho de 2019 e Março de 2023. A recolha de dados foi efetuada através de um questionário estruturado e presencial aos pais/cuidadores das crianças. A amostra deste estudo foi retirada de dois outros estudos mais alargados sobre o perfil de saúde da criança. As variáveis relacionadas com a saúde da criança foram: estado geral de saúde, número de episódios de doença, peso ao nascer, consumo de frutas e legumes e acesso aos cuidados de saúde. Os indicadores de pobreza considerados foram: rendimento familiar mensal, situação perante o emprego e qualificação laboral. Foram realizadas estatísticas descritivas mais adequadas a cada tipo de variável e analisadas associações através do teste de Qui-Quadrado, Fisher ou Fisher-Freeman-Halton. Usou-se o software SPSS versão 27. Resultados: Da amostra de 560 crianças, 46,4% eram consideradas, pelos pais/cuidadores, como tendo um bom estado de saúde. Cerca de um terço das crianças não tinha estado de doente nos 3 meses e 36,6% tinham tido apenas um episódio de doença. Cerca de 3 em cada 4 crianças nasceu com um peso adequado. Cerca de 47% das crianças consume fruta fresca duas vezes por dia e cerca de 50% consume verduras, saladas e hortaliças duas vezes por dia. Quanto à utilização dos cuidados de saúde, 29% das crianças usa a urgência do sector público e 96% utiliza o centro de saúde para consultas de vigilância/rotina. Os pais/cuidadores, classificam em geral o sector público como o sector preferencial. As qualificações dos pais/cuidadores estão significativamente associadas com o consumo de frutas e legumes (p=0,075; p=0,073) e o motivo de ir ao centro de saúde (p=0,004), enquanto a situação laboral está significativamente associada ao peso à nascença (p=0,000) e o local de atendimento quando a criança esteve doente (p=0,035). Já o rendimento familiar está associado significativamente com consumo de frutas e legumes (p= 0,066; p=0,053), local de atendimento quando a criança esteve doente (p=0,001) e motivo de ir ao centro de saúde (p=0,000). Conclusão: A pobreza familiar é um determinante da saúde infantil que deve ser considerada como um importante determinante social da saúde da criança. A associação entre instabilidade financeira das famílias, principalmente em tempos de crise financeira, e as repercussões na qualidade de vida das crianças, reforça a necessidade de criação de estratégias que visem a mitigar os efeitos nefastos que possam daí derivar. Este estudo reforça a evidência referida na literatura sobre o impacto negativo que o estatuto socioeconómico familiar desfavorecido tem no desenvolvimento da criança. As conclusões obtidas nesta amostra de crianças/famílias da região de Lisboa e Vale do Tejo poderá servir de base para estudos futuros assim como para o planeamento de estratégias que protejam as crianças em situação de vulnerabilidade financeira familiar nesta Região de Portugal. |
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