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Ensino Secundário Profissional: motivações e espectativas - um estudo com alunos de escolas profissionais privadas em Portugal

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Em 1989, foram criadas as primeiras escolas profissionais em Portugal, de iniciativa privada e apoiadas pelo Estado e pela União Europeia, num modelo que se mantém com poucas alterações desde a sua criação até os dias atuais. No contexto da integração de Portugal à Comunidade Europeia, a criação desse subsistema educativo representou uma modernização da educação portuguesa ao acelerar a oferta de formação profissional a nível intermédio através da implantação de uma rede de escolas profissionais. Após a expansão desse percurso educativo às escolas secundárias públicas no ano de 2004, o número de alunos matriculados no ensino secundário profissional cresceu significativamente. Entretanto, por mais que as políticas públicas envidem esforços no sentido de conseguir uma maior valorização do ensino secundário profissional, este ainda parece lutar com o estigma de ser um ensino de “segunda linha”, em geral indicado para alunos que não revelam maiores aptidões para os estudos, carentes de interesses académicos, o que contraria frontalmente as diretrizes de organizações internacionais (OCDE, UNESCO), incentivadoras dessa modalidade de ensino como potencial impulsionador de desenvolvimento humano, social e econômico. Sob essas perspectivas e ciente de que a maioria dos estudos académicos disponíveis têm como referencial prioritário as escolas secundárias profissionais públicas, apesar do sistema de ensino privado representar 40% do total de matrículas nos cursos profissionais, o presente estudo optou por dar voz aos alunos das escolas profissionais privadas com o objetivo de compreender qual a percepção que os jovens têm em relação ao ensino secundário profissional, quais as motivações que os levaram a optar por seguir esse percurso educativo, bem como dar a conhecer as expectativas que possuem com os cursos profissionais escolhidos. Para esse fim, elaborou-se um questionário que foi respondido por 771 alunos de vinte e cinco escolas a nível continental, dividido em seis seções: caracterização individual, contexto percurso escolar, motivações, percepções/satisfações pessoais e expectativas futuras. Concomitantemente, o estudo apresenta uma segunda linha de análise com foco na evolução da oferta formativa de cursos profissionais, tanto a nível de ensino público como privado, por ser um tema correlato ao tema principal. Nesse sentido, a análise foi realizada tomando por base documentos oficiais relativos à evolução dessa oferta (fontes: MEC, ANQEP, CSQ, DGEstE, INFOESCOLAS, PORDATA) objetivando conhecer sua composição e distribuição a nível nacional ao longo dos últimos anos. Os resultados encontrados apontam para algum avanço existente no sentido de debelar a imagem negativa historicamente atrelada ao ensino secundário profissional. Corroboram essa sugestão mudanças discretas que começam a ser percebidas no perfil do aluno que tem optado por esse percurso educativo, assim como as suas motivações e expectativas, pelo menos no que tange às escolas do sistema privado de ensino. Em relação à oferta formativa, a investigação parece confirmar a existência de uma forte concentração de cursos profissionais em poucos áreas de estudo e em determinadas regiões a nível continental, o que pode estar representando um fator condicionante às opções dos jovens, ao limitar o acesso deles a determinadas áreas de formação, além de ser um potencial promotor de desigualdades sociais, se não for realizada tendo em vista uma maior equidade entre as regiões.
Autores principais:Costa, Marcelo Cardoso da
Assunto:Ensino secundário profissional Caracterização dos cursos profissionais Oferta formativa Fatores que determinam a escolha do percurso educativo Políticas do ensino profissional Cursos profissionais Motivações Expectativas Trajetória escolar Inserção profissional Mercado de trabalho Vocational education policies Vocational secondary education Professional courses Motivations Expectations School trajectory Professional insertion Professional education offer Job market
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Em 1989, foram criadas as primeiras escolas profissionais em Portugal, de iniciativa privada e apoiadas pelo Estado e pela União Europeia, num modelo que se mantém com poucas alterações desde a sua criação até os dias atuais. No contexto da integração de Portugal à Comunidade Europeia, a criação desse subsistema educativo representou uma modernização da educação portuguesa ao acelerar a oferta de formação profissional a nível intermédio através da implantação de uma rede de escolas profissionais. Após a expansão desse percurso educativo às escolas secundárias públicas no ano de 2004, o número de alunos matriculados no ensino secundário profissional cresceu significativamente. Entretanto, por mais que as políticas públicas envidem esforços no sentido de conseguir uma maior valorização do ensino secundário profissional, este ainda parece lutar com o estigma de ser um ensino de “segunda linha”, em geral indicado para alunos que não revelam maiores aptidões para os estudos, carentes de interesses académicos, o que contraria frontalmente as diretrizes de organizações internacionais (OCDE, UNESCO), incentivadoras dessa modalidade de ensino como potencial impulsionador de desenvolvimento humano, social e econômico. Sob essas perspectivas e ciente de que a maioria dos estudos académicos disponíveis têm como referencial prioritário as escolas secundárias profissionais públicas, apesar do sistema de ensino privado representar 40% do total de matrículas nos cursos profissionais, o presente estudo optou por dar voz aos alunos das escolas profissionais privadas com o objetivo de compreender qual a percepção que os jovens têm em relação ao ensino secundário profissional, quais as motivações que os levaram a optar por seguir esse percurso educativo, bem como dar a conhecer as expectativas que possuem com os cursos profissionais escolhidos. Para esse fim, elaborou-se um questionário que foi respondido por 771 alunos de vinte e cinco escolas a nível continental, dividido em seis seções: caracterização individual, contexto percurso escolar, motivações, percepções/satisfações pessoais e expectativas futuras. Concomitantemente, o estudo apresenta uma segunda linha de análise com foco na evolução da oferta formativa de cursos profissionais, tanto a nível de ensino público como privado, por ser um tema correlato ao tema principal. Nesse sentido, a análise foi realizada tomando por base documentos oficiais relativos à evolução dessa oferta (fontes: MEC, ANQEP, CSQ, DGEstE, INFOESCOLAS, PORDATA) objetivando conhecer sua composição e distribuição a nível nacional ao longo dos últimos anos. Os resultados encontrados apontam para algum avanço existente no sentido de debelar a imagem negativa historicamente atrelada ao ensino secundário profissional. Corroboram essa sugestão mudanças discretas que começam a ser percebidas no perfil do aluno que tem optado por esse percurso educativo, assim como as suas motivações e expectativas, pelo menos no que tange às escolas do sistema privado de ensino. Em relação à oferta formativa, a investigação parece confirmar a existência de uma forte concentração de cursos profissionais em poucos áreas de estudo e em determinadas regiões a nível continental, o que pode estar representando um fator condicionante às opções dos jovens, ao limitar o acesso deles a determinadas áreas de formação, além de ser um potencial promotor de desigualdades sociais, se não for realizada tendo em vista uma maior equidade entre as regiões.