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Detecção da infeção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em fluido oral de homens que fazem sexo com homens (HSH) da região da Grande Lisboa

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Segundo as estimativas do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/sida, o número de pessoas infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), no final de 2014, era de 36,9 milhões. Em termos de prevenção, o grupo dos homens que fazem sexo com homens (HSH) constitui um alvo primordial de intervenção, considerando as taxas elevadas de transmissão do HIV, associadas a comportamentos sexuais de risco. A incidência da infecção nos HSH tem vindo a aumentar nos últimos anos, nos países ocidentais, incluindo Portugal. Um dos entraves ao diagnóstico da infecção e à implementação de programas eficazes de vigilância consiste no facto destes implicarem, frequentemente, a utilização de um método invasivo, a colheita de sangue, pelo que têm sido apresentadas novas opções, baseadas em amostras biológicas alternativas, como o fluido oral. Para a realização deste estudo de vigilância epidemiológica, no âmbito do projecto europeu SIALON II, escolheu-se como população alvo indivíduos do sexo masculino que reportam a prática de actividades sexuais com indivíduos do mesmo sexo, realizando-se 409 colheitas de amostras de fluido oral na área da Grande Lisboa. A pesquisa de anticorpos anti-HIV baseou-se num algoritmo de teste com recurso à utilização sequencial de dois testes imunoenzimáticos de naturezas distintas. Nas amostras inicialmente negativas, ou com resultados discrepantes, procedeu-se à quantificação de IgGs totais no fluido oral, de modo a validar a sua qualidade. Foram excluídas 37 amostras por conterem um teor de IgGs inferior ao limiar estabelecido, ficando então a amostra de trabalho com 372 amostras de fluido oral. Destas, 69 foram consideradas positivas, obtendo-se assim uma taxa de detecção de anticorpos anti-HIV em amostras de fluido oral de HSH da Grande Lisboa de 18,5%. Com o intuito de efectuar a amplificação do DNA proviral do HIV-1 eventualmente presente nas células colhidas com o fluido oral, maioritariamente queratinócitos da mucosa oral, recorreu-se a uma nested-PCR para amplificar um fragmento de 650 pb da região codificante da transcriptase reversa, no gene pol, realizando-se em seguida uma clonagem em vector plasmídico, antes da sequenciação nucleotídica. Nas 69 amostras testadas, obteve-se apenas três produtos de amplificação, aparentemente específicos. Os resultados da pesquisa de regiões de semelhança local contra as sequências depositadas nas bases de dados internacionais não confirmaram, no entanto, a presença de DNA proviral do HIV-1 nestas amostras, correspondendo antes a DNA genómico de bactérias da flora comensal humana dos géneros Streptococcus, Leptotrichia e Capnocytophaga. Não foram encontradas, portanto, quaisquer amostras de fluido oral positivas para a presença de DNA proviral do HIV-1. Não se pode descartar a hipótese destas células não se encontrarem efectivamente infectadas, não suportando uma infecção pelo HIV, o que continua a ser controverso na literatura. A estratégia experimental seguida é, seguramente, adequada para a implementação de estudos de vigilância e monitorização de tendências evolutivas da epidemia pelo HIV, dada a maior adesão dos indivíduos para a colheita de fluido oral, comparativamente ao sangue, podendo ser aplicada a grupos populacionais de difícil acesso, como os HSH, trabalhadores do sexo ou utilizadores de drogas por via endovenosa.
Autores principais:COROA, Cláudia Andreia Figueiredo
Assunto:Epidemiologia Sida Homem Portugal Lisboa Vírus da imunodeficiência humana - VIH Fluido oral Homens que fazem sexo com homens
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Segundo as estimativas do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/sida, o número de pessoas infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), no final de 2014, era de 36,9 milhões. Em termos de prevenção, o grupo dos homens que fazem sexo com homens (HSH) constitui um alvo primordial de intervenção, considerando as taxas elevadas de transmissão do HIV, associadas a comportamentos sexuais de risco. A incidência da infecção nos HSH tem vindo a aumentar nos últimos anos, nos países ocidentais, incluindo Portugal. Um dos entraves ao diagnóstico da infecção e à implementação de programas eficazes de vigilância consiste no facto destes implicarem, frequentemente, a utilização de um método invasivo, a colheita de sangue, pelo que têm sido apresentadas novas opções, baseadas em amostras biológicas alternativas, como o fluido oral. Para a realização deste estudo de vigilância epidemiológica, no âmbito do projecto europeu SIALON II, escolheu-se como população alvo indivíduos do sexo masculino que reportam a prática de actividades sexuais com indivíduos do mesmo sexo, realizando-se 409 colheitas de amostras de fluido oral na área da Grande Lisboa. A pesquisa de anticorpos anti-HIV baseou-se num algoritmo de teste com recurso à utilização sequencial de dois testes imunoenzimáticos de naturezas distintas. Nas amostras inicialmente negativas, ou com resultados discrepantes, procedeu-se à quantificação de IgGs totais no fluido oral, de modo a validar a sua qualidade. Foram excluídas 37 amostras por conterem um teor de IgGs inferior ao limiar estabelecido, ficando então a amostra de trabalho com 372 amostras de fluido oral. Destas, 69 foram consideradas positivas, obtendo-se assim uma taxa de detecção de anticorpos anti-HIV em amostras de fluido oral de HSH da Grande Lisboa de 18,5%. Com o intuito de efectuar a amplificação do DNA proviral do HIV-1 eventualmente presente nas células colhidas com o fluido oral, maioritariamente queratinócitos da mucosa oral, recorreu-se a uma nested-PCR para amplificar um fragmento de 650 pb da região codificante da transcriptase reversa, no gene pol, realizando-se em seguida uma clonagem em vector plasmídico, antes da sequenciação nucleotídica. Nas 69 amostras testadas, obteve-se apenas três produtos de amplificação, aparentemente específicos. Os resultados da pesquisa de regiões de semelhança local contra as sequências depositadas nas bases de dados internacionais não confirmaram, no entanto, a presença de DNA proviral do HIV-1 nestas amostras, correspondendo antes a DNA genómico de bactérias da flora comensal humana dos géneros Streptococcus, Leptotrichia e Capnocytophaga. Não foram encontradas, portanto, quaisquer amostras de fluido oral positivas para a presença de DNA proviral do HIV-1. Não se pode descartar a hipótese destas células não se encontrarem efectivamente infectadas, não suportando uma infecção pelo HIV, o que continua a ser controverso na literatura. A estratégia experimental seguida é, seguramente, adequada para a implementação de estudos de vigilância e monitorização de tendências evolutivas da epidemia pelo HIV, dada a maior adesão dos indivíduos para a colheita de fluido oral, comparativamente ao sangue, podendo ser aplicada a grupos populacionais de difícil acesso, como os HSH, trabalhadores do sexo ou utilizadores de drogas por via endovenosa.