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Orientações para a participação pública e instituições tradicionais de regulação ambiental em duas iniciativas de Ecoturismo de Base Comunitária projetadas em Timor-Leste

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Resumo:Esta dissertação aborda duas áreas em Timor-Leste, com caraterísticas naturais únicas que, se forem apropriadamente aproveitadas para o ecoturismo, podem melhorar as condições de vida das suas comunidades e contribuir para o objetivo de desenvolvimento sustentável. As questões abordadas centraram-se nas comunidades locais: De que forma os programas de desenvolvimento do ecoturismo estão a envolver a sua participação? Quais as expetativas e disposições delas para a participação? Como encaram os regulamentos tradicionais, nomeadamente a instituição formal do Tara Bandu, como meio de proteger e conservar o ambiente, no contexto de desenvolvimento do ecoturismo de base comunitária? Foram recolhidos e analisados documentos técnicos e legislativos sobre as políticas públicas e os programas governamentais, no âmbito do turismo e do ecoturismo de base comunitária, e foram entrevistados dirigentes da Administração Pública central e local afetos às políticas e atividades nas áreas do turismo e do ambiente. Nos dois terrenos, foram entrevistados e informadores selecionados nas comunidades locais e foi realizada observação não participante durante várias curtas estadias. Detetamos um amplo consenso quanto a o ecoturismo de base comunitária dever ser um sector favorável à diversificaçãoe ao crescimento sustentável da economia em Timor-Leste, e à criação de emprego. As expetativas são elevadas: estas iniciativas são vistas como uma oportunidade para melhorar as condições de vida das comunidades e para promover a proteção do ambiente e da cultura local. No entanto, há a perceção de que para tal é necessário que as infraestruturas sejam substancialmente melhoradas e que as iniciativas sejam desenvolvidas de uma forma integrada, participada e sustentável; as entrevistas revelaram a consciência de que há muito ainda a fazer nesse sentido. Em ambas as localidades, as lideranças tradicionais desempenham um papel fulcral na implementação do Tara Bandu, mas a perceção sobre a instituição varia em certa medida entre Tutuala e Adara. Enquanto em Adara a adesão foi elevada, em Tutuala, houve alguma manifestação de indiferença quanto à formalidade ritual e legal, visto como desnecessário devido à eficácia da cultura local na proteção quotidiana do ambiente. Não obstante, reconhece-se ao Tara Bandu potencial para ser integrado em futuras atividades de ecoturismo de base comunitária, face ao previsível aumento do turismo e da pressão ambiental e cultural resultante.
Autores principais:Soares, Catarina Filomena Borromeu Duarte
Assunto:Adara Ataúro Ecoturismo de base comunitária Timor-Leste Tara Bandu Tutuala and Jaco Lautém East Timor Community-based ecotourism
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Esta dissertação aborda duas áreas em Timor-Leste, com caraterísticas naturais únicas que, se forem apropriadamente aproveitadas para o ecoturismo, podem melhorar as condições de vida das suas comunidades e contribuir para o objetivo de desenvolvimento sustentável. As questões abordadas centraram-se nas comunidades locais: De que forma os programas de desenvolvimento do ecoturismo estão a envolver a sua participação? Quais as expetativas e disposições delas para a participação? Como encaram os regulamentos tradicionais, nomeadamente a instituição formal do Tara Bandu, como meio de proteger e conservar o ambiente, no contexto de desenvolvimento do ecoturismo de base comunitária? Foram recolhidos e analisados documentos técnicos e legislativos sobre as políticas públicas e os programas governamentais, no âmbito do turismo e do ecoturismo de base comunitária, e foram entrevistados dirigentes da Administração Pública central e local afetos às políticas e atividades nas áreas do turismo e do ambiente. Nos dois terrenos, foram entrevistados e informadores selecionados nas comunidades locais e foi realizada observação não participante durante várias curtas estadias. Detetamos um amplo consenso quanto a o ecoturismo de base comunitária dever ser um sector favorável à diversificaçãoe ao crescimento sustentável da economia em Timor-Leste, e à criação de emprego. As expetativas são elevadas: estas iniciativas são vistas como uma oportunidade para melhorar as condições de vida das comunidades e para promover a proteção do ambiente e da cultura local. No entanto, há a perceção de que para tal é necessário que as infraestruturas sejam substancialmente melhoradas e que as iniciativas sejam desenvolvidas de uma forma integrada, participada e sustentável; as entrevistas revelaram a consciência de que há muito ainda a fazer nesse sentido. Em ambas as localidades, as lideranças tradicionais desempenham um papel fulcral na implementação do Tara Bandu, mas a perceção sobre a instituição varia em certa medida entre Tutuala e Adara. Enquanto em Adara a adesão foi elevada, em Tutuala, houve alguma manifestação de indiferença quanto à formalidade ritual e legal, visto como desnecessário devido à eficácia da cultura local na proteção quotidiana do ambiente. Não obstante, reconhece-se ao Tara Bandu potencial para ser integrado em futuras atividades de ecoturismo de base comunitária, face ao previsível aumento do turismo e da pressão ambiental e cultural resultante.