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A violência doméstica contra as mulheres no período de pandemia da Covid-19 em Portugal

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Resumo:RESUMO - Introdução: A violência doméstica contra a mulher é um tema central nas discussões de saúde pública devido suas sérias consequências a nível de saúde física, mental e de direitos humanos. Com as medidas de confinamento consequentes da pandemia Covid-19, diferentes ambientes, necessidades e problemáticas surgiram. Por conseguinte, reflete-se sobre um maior risco da ocorrência de violência doméstica em momentos de crise. Na medida que se trata de um problema antigo, porém com uma temática atual, são necessárias evidências para melhor compreender a violência doméstica (VD) na pandemia Covid-19. Objetivo: Caraterizar a vitimação de violência contra as mulheres no espaço doméstico, seus fatores associados (características sociodemográficas, consumo de álcool e medicamentos, histórico de agressão), e procura de ajuda no período da crise Covid-19 em Portugal. Métodos: Realizou-se um inquérito online nos meses de abril e outubro de 2020 pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa através do projeto “Relacionamentos, Stress e Agressão em tempos de COVID-19 em Portugal”. Sob uma amostra de 826 mulheres foram feitas estatísticas descritivas, testes X², exato de Fisher (quando aplicável), e análises de regressão logística para o estudo. Resultados: Do total de mulheres 41,8% (n=345) reportou nunca ter vivenciado violência (não exclusivo à VD) enquanto 58,2% (n=481) afirmaram ter sofrido violência em algum momento da vida. Dessas mulheres que sofreram violência, 75,7% (n=364) vivenciou-a apenas antes da pandemia e 24,3% (n=117) durante a pandemia, com 8,3% (n=40) de novos casos. No geral, quanto menor a idade, maior é a violência doméstica relatada. As análises de regressão logística demostraram que a violência doméstica global relatada foi mais provável entre aquelas com até o ensino médio em comparação com o ensino superior. Percebeu-se também associação estatisticamente significativa entre o consumo de medicamentos e histórico de violência, em que a VD se demonstrou mais provável nas mulheres que sofreram violência anteriormente, assim como nas mulheres que consumiram medicamentos para dormir ou acalmar. Em relação à procura de ajuda, 71,0% (n=71) das mulheres reportaram não ter procurado ajuda, enquanto 29,0% (n=29) o fizeram. Os principais motivos para não procurar ajuda incluíram considerá-la desnecessária, o facto de não considerar a VD suficientemente grave e o sentimento de constrangimento em reportar ajuda. Conclusão: Percebeu-se uma parcela considerável de novos casos de violência doméstica contra as mulheres e reduzida busca por ajuda ou apoio. A se tratar de uma situação com peculiaridades como da crise da pandemia da Covid-19, são necessários ainda mais investimentos em sistema de suporte específicos para as vítimas de violência doméstica, em especial às mulheres em situações de maior vulnerabilidade.
Autores principais:Martins, Heloisa Passos e
Assunto:Violência doméstica Covid-19 Violência contra a mulher Busca por ajuda Domestic violence Violence against women Seeking help Portugal
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:RESUMO - Introdução: A violência doméstica contra a mulher é um tema central nas discussões de saúde pública devido suas sérias consequências a nível de saúde física, mental e de direitos humanos. Com as medidas de confinamento consequentes da pandemia Covid-19, diferentes ambientes, necessidades e problemáticas surgiram. Por conseguinte, reflete-se sobre um maior risco da ocorrência de violência doméstica em momentos de crise. Na medida que se trata de um problema antigo, porém com uma temática atual, são necessárias evidências para melhor compreender a violência doméstica (VD) na pandemia Covid-19. Objetivo: Caraterizar a vitimação de violência contra as mulheres no espaço doméstico, seus fatores associados (características sociodemográficas, consumo de álcool e medicamentos, histórico de agressão), e procura de ajuda no período da crise Covid-19 em Portugal. Métodos: Realizou-se um inquérito online nos meses de abril e outubro de 2020 pela Escola Nacional de Saúde Pública da Universidade NOVA de Lisboa através do projeto “Relacionamentos, Stress e Agressão em tempos de COVID-19 em Portugal”. Sob uma amostra de 826 mulheres foram feitas estatísticas descritivas, testes X², exato de Fisher (quando aplicável), e análises de regressão logística para o estudo. Resultados: Do total de mulheres 41,8% (n=345) reportou nunca ter vivenciado violência (não exclusivo à VD) enquanto 58,2% (n=481) afirmaram ter sofrido violência em algum momento da vida. Dessas mulheres que sofreram violência, 75,7% (n=364) vivenciou-a apenas antes da pandemia e 24,3% (n=117) durante a pandemia, com 8,3% (n=40) de novos casos. No geral, quanto menor a idade, maior é a violência doméstica relatada. As análises de regressão logística demostraram que a violência doméstica global relatada foi mais provável entre aquelas com até o ensino médio em comparação com o ensino superior. Percebeu-se também associação estatisticamente significativa entre o consumo de medicamentos e histórico de violência, em que a VD se demonstrou mais provável nas mulheres que sofreram violência anteriormente, assim como nas mulheres que consumiram medicamentos para dormir ou acalmar. Em relação à procura de ajuda, 71,0% (n=71) das mulheres reportaram não ter procurado ajuda, enquanto 29,0% (n=29) o fizeram. Os principais motivos para não procurar ajuda incluíram considerá-la desnecessária, o facto de não considerar a VD suficientemente grave e o sentimento de constrangimento em reportar ajuda. Conclusão: Percebeu-se uma parcela considerável de novos casos de violência doméstica contra as mulheres e reduzida busca por ajuda ou apoio. A se tratar de uma situação com peculiaridades como da crise da pandemia da Covid-19, são necessários ainda mais investimentos em sistema de suporte específicos para as vítimas de violência doméstica, em especial às mulheres em situações de maior vulnerabilidade.