Publicação
Movimentos anti-vacinação: debates online numa rede social
| Resumo: | A vacinação constitui uma das maiores vitórias da Medicina moderna, permitindo a prevenção de mais casos de doença e morte precoce do que qualquer outro tratamento médico. A maioria dos países representados na OMS apresenta programas nacionais de vacinação estruturados, mais ou menos abrangentes, estimando-se uma redução mundial da mortalidade de cerca de 2,5 milhões de crianças por ano. No entanto, contemporâneos ao aparecimento das vacinas, surgiram os movimentos anti-vacinação. Na atualidade, estes movimentos encontram os seus alicerces num artigo publicado em 1998, na The Lancet, uma conceituada revista científica inglesa, pelo médico Andrew Wakefield, onde se refere pela primeira vez uma possível associação entre a vacina tríplice viral (VASPR) e o autismo. Apesar de esta hipótese ter sido refutada pela comunidade científica, estes e outros casos foram amplamente divulgados na comunicação social, principalmente através da internet, tornando-a no maior veículo de transmissão de informação sobre a vacinação. Na rede de internet mundial há notícia de mais de 400 páginas web na internet, geralmente bem construídas e muito atrativas, onde são expostos argumentos contra a prática vacinal, a maior parte sem qualquer base científica. Este trabalho tem como objetivo analisar os conteúdos difundidos em publicações de páginas do Facebook destinadas a debates sobre a não vacinação. Método: Este é um estudo descritivo e online, no qual foram analisadas todas as publicações realizadas em duas páginas de Facebook dedicadas ao tema dos movimentos anti-vacinação, escritas em português, no período compreendido entre novembro de 2018 e outubro de 2019, as quais foram posteriormente catalogadas de forma a criar um corpus, que foi processado no software IRaMuTeQ e analisado pela classificação hierárquica descendente (CHD). Resultados: Foram analisadas um total de 420 publicações, realizadas por 118 participantes. A análise obtida através da CHD divide os argumentos utilizados pelos participantes das páginas de Facebook em estudo em três classes: na primeira, intitulada de “Vacinas não são eficazes e nós podemos provar”, os participantes alegam que as vacinas não funcionam, que são prejudiciais e debatem sobre os efeitos adversos da vacinação; na segunda classe, “A obrigatoriedade das vacinas é uma medida totalitária para servir interesses económicos” os participantes defendem que as vacinas causam autismo, que estas servem objetivos ocultos contra o interesse público e acusam a existência de censura dos movimentos anti-vacinação; na terceira classe, “Questionar as políticas públicas e ir contra o sistema provará gradualmente que as vacinas são uma ameaça” os participantes debatem sobre o papel dos governantes na vacinação, defendem que foi o saneamento básico o responsável pela erradicação de várias doenças e não as vacinas e declaram que a opção de vacinar ou não é uma questão de liberdade individual. Conclusões: Pudemos perceber que são vários os argumentos utilizados pelos opositores à vacinação, e que são fundamentados por algo que vivenciaram, ouviram, viram ou leram. No entanto, a compreensão e a veracidade dessa fundamentação é questionável. |
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| Autores principais: | LÓIA, Carla Filipa Chaves |
| Assunto: | Saúde pública Saúde pública e desenvolvimento Vacina Movimentos anti-vacinação Internet Facebook |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | A vacinação constitui uma das maiores vitórias da Medicina moderna, permitindo a prevenção de mais casos de doença e morte precoce do que qualquer outro tratamento médico. A maioria dos países representados na OMS apresenta programas nacionais de vacinação estruturados, mais ou menos abrangentes, estimando-se uma redução mundial da mortalidade de cerca de 2,5 milhões de crianças por ano. No entanto, contemporâneos ao aparecimento das vacinas, surgiram os movimentos anti-vacinação. Na atualidade, estes movimentos encontram os seus alicerces num artigo publicado em 1998, na The Lancet, uma conceituada revista científica inglesa, pelo médico Andrew Wakefield, onde se refere pela primeira vez uma possível associação entre a vacina tríplice viral (VASPR) e o autismo. Apesar de esta hipótese ter sido refutada pela comunidade científica, estes e outros casos foram amplamente divulgados na comunicação social, principalmente através da internet, tornando-a no maior veículo de transmissão de informação sobre a vacinação. Na rede de internet mundial há notícia de mais de 400 páginas web na internet, geralmente bem construídas e muito atrativas, onde são expostos argumentos contra a prática vacinal, a maior parte sem qualquer base científica. Este trabalho tem como objetivo analisar os conteúdos difundidos em publicações de páginas do Facebook destinadas a debates sobre a não vacinação. Método: Este é um estudo descritivo e online, no qual foram analisadas todas as publicações realizadas em duas páginas de Facebook dedicadas ao tema dos movimentos anti-vacinação, escritas em português, no período compreendido entre novembro de 2018 e outubro de 2019, as quais foram posteriormente catalogadas de forma a criar um corpus, que foi processado no software IRaMuTeQ e analisado pela classificação hierárquica descendente (CHD). Resultados: Foram analisadas um total de 420 publicações, realizadas por 118 participantes. A análise obtida através da CHD divide os argumentos utilizados pelos participantes das páginas de Facebook em estudo em três classes: na primeira, intitulada de “Vacinas não são eficazes e nós podemos provar”, os participantes alegam que as vacinas não funcionam, que são prejudiciais e debatem sobre os efeitos adversos da vacinação; na segunda classe, “A obrigatoriedade das vacinas é uma medida totalitária para servir interesses económicos” os participantes defendem que as vacinas causam autismo, que estas servem objetivos ocultos contra o interesse público e acusam a existência de censura dos movimentos anti-vacinação; na terceira classe, “Questionar as políticas públicas e ir contra o sistema provará gradualmente que as vacinas são uma ameaça” os participantes debatem sobre o papel dos governantes na vacinação, defendem que foi o saneamento básico o responsável pela erradicação de várias doenças e não as vacinas e declaram que a opção de vacinar ou não é uma questão de liberdade individual. Conclusões: Pudemos perceber que são vários os argumentos utilizados pelos opositores à vacinação, e que são fundamentados por algo que vivenciaram, ouviram, viram ou leram. No entanto, a compreensão e a veracidade dessa fundamentação é questionável. |
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