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Dias de saída : o SNI e a Bienal de São Paulo na génese da internacionalização contemporânea da arte portuguesa

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Resumo:Entre 1951 e 1973 foram deslocadas, para fins de “representação nacional”, durante o Estado Novo – do pós-II Guerra Mundial até ao fim do regime e não obstante o eclodir da Guerra Colonial –, centenas de obras de arte de artistas portugueses. A revelação da importância do facto, bem como da notoriedade dos palcos da sua exposição – as novas ou restruturadas bienais de São Paulo, Veneza, Lugano, Paris – e dos atores intervenientes no processo – artistas, críticos, políticos e instituições –, permitiu levantar a hipótese de que a ação do SNI – Secretariado Nacional de Informação, órgão de propaganda do regime – está na génese da internacionalização contemporânea da arte portuguesa. Não obstante negligenciada e desmemoriada pela historiografia da arte, a década de 1950 determinaria, afinal, e em plena Guerra Fria, uma etapa tardia, mas irreversível, na internacionalização da arte moderna e contemporânea portuguesas. O romper daquela década assinala o empurrão oficial da sua exposição periódica no estrangeiro em megaexposições especificamente dedicadas às artes plásticas, tipologia “bienal” que conserva até hoje, com alterações estruturais e conceptuais, incontornável protagonismo na cena cultural e distinção no percurso dos artistas. Esta tese propõe a investigação do pressuposto através da tematização da representação portuguesa na Bienal de São Paulo, o único destes eventos sistematicamente investido pelo SNI, em doze edições entre 1951 e 1973, durante as quais 98 artistas ali expuseram 644 obras, parte significativa das quais foram incorporadas nas principais coleções e museus nacionais. O projeto sobreviveria longevo à queda do regime, primeiro por colaboração e posterior integração da Fundação Calouste Gulbenkian e depois por retorno do investimento estatal, até à extinção do modelo em 2004. Através do recurso e cruzamento de fontes documentais, textuais e iconográficas, a maioria das quais inéditas, provenientes dos Arquivo Histórico Wanda Svevo, em São Paulo, Arquivo do SNI / Arquivo Nacional da Torre do Tombo e Arquivo da FCG, em Lisboa, esta tese propõe desenvolver e objetivar o que motivou essa abertura e continuidade, em que modelos se processou, quem contribuiu ou colaborou para a sua implementação, e com que resultados.
Autores principais:Afonso, Lígia Filipa Dias
Assunto:Bienal de São Paulo São Paulo Estado Novo Secretariado Nacional de Informação Internacionalização contemporânea Representação nacional National representation Contemporary internationalization National Secretariat of Information São Paulo Biennial
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Entre 1951 e 1973 foram deslocadas, para fins de “representação nacional”, durante o Estado Novo – do pós-II Guerra Mundial até ao fim do regime e não obstante o eclodir da Guerra Colonial –, centenas de obras de arte de artistas portugueses. A revelação da importância do facto, bem como da notoriedade dos palcos da sua exposição – as novas ou restruturadas bienais de São Paulo, Veneza, Lugano, Paris – e dos atores intervenientes no processo – artistas, críticos, políticos e instituições –, permitiu levantar a hipótese de que a ação do SNI – Secretariado Nacional de Informação, órgão de propaganda do regime – está na génese da internacionalização contemporânea da arte portuguesa. Não obstante negligenciada e desmemoriada pela historiografia da arte, a década de 1950 determinaria, afinal, e em plena Guerra Fria, uma etapa tardia, mas irreversível, na internacionalização da arte moderna e contemporânea portuguesas. O romper daquela década assinala o empurrão oficial da sua exposição periódica no estrangeiro em megaexposições especificamente dedicadas às artes plásticas, tipologia “bienal” que conserva até hoje, com alterações estruturais e conceptuais, incontornável protagonismo na cena cultural e distinção no percurso dos artistas. Esta tese propõe a investigação do pressuposto através da tematização da representação portuguesa na Bienal de São Paulo, o único destes eventos sistematicamente investido pelo SNI, em doze edições entre 1951 e 1973, durante as quais 98 artistas ali expuseram 644 obras, parte significativa das quais foram incorporadas nas principais coleções e museus nacionais. O projeto sobreviveria longevo à queda do regime, primeiro por colaboração e posterior integração da Fundação Calouste Gulbenkian e depois por retorno do investimento estatal, até à extinção do modelo em 2004. Através do recurso e cruzamento de fontes documentais, textuais e iconográficas, a maioria das quais inéditas, provenientes dos Arquivo Histórico Wanda Svevo, em São Paulo, Arquivo do SNI / Arquivo Nacional da Torre do Tombo e Arquivo da FCG, em Lisboa, esta tese propõe desenvolver e objetivar o que motivou essa abertura e continuidade, em que modelos se processou, quem contribuiu ou colaborou para a sua implementação, e com que resultados.