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Autoridade feminina na prática de cura na antiga Ásia Ocidental

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Na antiga Mesopotâmia, a prática de cura era exercida maioritariamente por especialistas masculinos. Na sociedade hitita, porém, a figura conhecida nas fontes como MUNUS ŠU.GI (“Mulher Velha” ou “Mulher Sábia”) desafia esta visão tradicional. Amplamente documentada nos textos mágico-medicinais identificados em Ḫattuša, datados particularmente dos séculos XIV e XIII a.C., esta especialista desempenhava funções terapêuticas e divinatórias, atuando em diferentes níveis da sociedade, desde as camadas populares até às mais altas instâncias, incluindo o governante e a família real. Para além desta prática, desempenhou um papel ativo na redação de compêndios mágico-medicinais, assegurando, desse modo, visibilidade feminina na esfera intelectual hitita. Neste artigo propomos analisar uma seleção de textos associados ou redigidos pela “Mulher Sábia”, situando-os no contexto mais amplo da autoridade mágico-medicinal feminina na antiga Anatólia no final do II milénio a.C. Em particular, examinaremos o seu papel enquanto curandeira e adivinha no contexto da corte régia, destacando como estas práticas serviram como mecanismos de proteção ritual e de mediação simbólica entre o governante e as divindades. Pretendemos demonstrar que, ao mobilizar saberes especializados, esta especialista teceu redes de influência e consolidou uma presença duradoura nas esferas social, política e intelectual hititas.
Autores principais:Satiro, Ana
Assunto:Late Bronze Age Hittite Female agency Magical-medical practices Divinatory practices Bronze Final Hititas Agência feminina Práticas mágico-medicinais Práticas divinatórias
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Na antiga Mesopotâmia, a prática de cura era exercida maioritariamente por especialistas masculinos. Na sociedade hitita, porém, a figura conhecida nas fontes como MUNUS ŠU.GI (“Mulher Velha” ou “Mulher Sábia”) desafia esta visão tradicional. Amplamente documentada nos textos mágico-medicinais identificados em Ḫattuša, datados particularmente dos séculos XIV e XIII a.C., esta especialista desempenhava funções terapêuticas e divinatórias, atuando em diferentes níveis da sociedade, desde as camadas populares até às mais altas instâncias, incluindo o governante e a família real. Para além desta prática, desempenhou um papel ativo na redação de compêndios mágico-medicinais, assegurando, desse modo, visibilidade feminina na esfera intelectual hitita. Neste artigo propomos analisar uma seleção de textos associados ou redigidos pela “Mulher Sábia”, situando-os no contexto mais amplo da autoridade mágico-medicinal feminina na antiga Anatólia no final do II milénio a.C. Em particular, examinaremos o seu papel enquanto curandeira e adivinha no contexto da corte régia, destacando como estas práticas serviram como mecanismos de proteção ritual e de mediação simbólica entre o governante e as divindades. Pretendemos demonstrar que, ao mobilizar saberes especializados, esta especialista teceu redes de influência e consolidou uma presença duradoura nas esferas social, política e intelectual hititas.