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"Que a música não seja apenas um acidente”

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Apesar das referências ao cinema na sua vasta produção crítica serem relativamente escassas, Fernando Lopes-Graça estabeleceu com a arte das imagens animadas uma relação intensa e precoce. Em 1920, com apenas catorze anos, integrou como pianista o quinteto do Salão Paraíso de Tomar, e no final dessa mesma década fez parte da orquestra do Cinema Central, em Lisboa, tendo a prática de acompanhamento de filmes mudos constituído um espaço privilegiado de exploração de repertório e de treino de escrita musical. Se a possibilidade de uma colaboração efetiva num projeto cinematográfico nunca se concretizou (o convite em 1952 para escrever música para o filme Saltimbancos, de Manuel Guimarães, foi cancelado por razões alheias ao compositor (Gazeta Musical, 1953)), Lopes-Graça nunca deixou de pensar o cinema e de defender uma ideia exigente do encontro entre as duas artes, que se deveriam “interpenetrar” e formar um só “corpo”, como o podemos verificar nos seus textos sobre as partituras de Frederico de Freitas para o filme A Severa de Leitão de Barros (1931), e sobre a de Serguei Prokofiev para Alexandre Nevsky de Eisenstein, publicado em 1972 aquando da estreia tardia do filme em Portugal (Lopes-Graça 1973). Nesta comunicação procuraremos retraçar as principais linhas dessa reflexão, que revela uma visão original, informada e coerente sobre o lugar da música no cinema, rara no panorama nacional.
Autores principais:Silva, Manuel Pinto Deniz
Assunto:Cinema Música Fernando Lopes-Graça
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Apesar das referências ao cinema na sua vasta produção crítica serem relativamente escassas, Fernando Lopes-Graça estabeleceu com a arte das imagens animadas uma relação intensa e precoce. Em 1920, com apenas catorze anos, integrou como pianista o quinteto do Salão Paraíso de Tomar, e no final dessa mesma década fez parte da orquestra do Cinema Central, em Lisboa, tendo a prática de acompanhamento de filmes mudos constituído um espaço privilegiado de exploração de repertório e de treino de escrita musical. Se a possibilidade de uma colaboração efetiva num projeto cinematográfico nunca se concretizou (o convite em 1952 para escrever música para o filme Saltimbancos, de Manuel Guimarães, foi cancelado por razões alheias ao compositor (Gazeta Musical, 1953)), Lopes-Graça nunca deixou de pensar o cinema e de defender uma ideia exigente do encontro entre as duas artes, que se deveriam “interpenetrar” e formar um só “corpo”, como o podemos verificar nos seus textos sobre as partituras de Frederico de Freitas para o filme A Severa de Leitão de Barros (1931), e sobre a de Serguei Prokofiev para Alexandre Nevsky de Eisenstein, publicado em 1972 aquando da estreia tardia do filme em Portugal (Lopes-Graça 1973). Nesta comunicação procuraremos retraçar as principais linhas dessa reflexão, que revela uma visão original, informada e coerente sobre o lugar da música no cinema, rara no panorama nacional.