Publicação
Heidegger e a fenomenologia da solidão humana
| Resumo: | Propomo-nos investigar o fenómeno da solidão humana a partir do modo como se acha descrito por Heidegger na analítica existencial do Dasein. Trata-se de um primeiro contributo para uma investigação mais alargada do fenómeno em causa — uma investigação que considere a solidão humana em todas as propriedades que a constituem e de todos os ângulos a partir dos quais ela pode ser indagada. Do ponto de vista metodológico tomamos como princípio fundamental o seguinte: a solidão, tal como se acha descrita por Heidegger, não pode ser investigada de forma adequada se não se procurar determinar primeiro o ponto de partida da analítica existencial e a novidade que esta representa em relação à tradição filosófica em que se situa; caso contrário, perde-se de vista o contexto em que a solidão é analisada por Heidegger (os fenómenos com que se acha posta em relação na analítica, etc.) e não se consegue perceber que nova compreensão da solidão é apresentada no empreendimento filosófico do “primeiro Heidegger”. A primeira parte do nosso trabalho é, pois, dedicada a esta tarefa da identificação do ponto de partida da analítica na sua novidade relativamente à tradição. A segunda parte, por seu turno, ocupa-se com a determinação das três principais formas de solidão consideradas por Heidegger no quadro da analítica: 1) o Alleinsein, 2) a existenziale Vereinzelung e 3) a Einsamkeit. Ao longo desta segunda parte, tentamos pôr à prova a hipótese de investigação segundo a qual cada uma das modalidades de solidão referidas se constitui pela ausência da forma de alteridade a que diz respeito. E procuramos examinar, também, se cada uma dessas modalidades de solidão necessita de algo mais, para se constituir, do que a mera ausência da forma de alteridade a que diz respeito — se não supõe, designadamente, enquanto estrutura fundamental a existência tal como Heidegger a descreve. Segundo esta perspectiva, os diversos modos de solidão considerados constituem apenas temas específicos da analítica existencial enquanto empreendimento com carácter filosófico. Todavia, no final do nosso estudo, pretendemos indagar a possibilidade de a última forma de solidão que analisámos (a Einsamkeit: a solidão entendida como saudade de si mesmo) definir a situação da própria filosofia — a própria perspectiva filosófica enquanto tal (sc. a própria perspectiva da analítica existencial enquanto desformalização do projecto da filosofia). Se for assim, como parece ser tendo em conta as indicações de Heidegger na analítica, a última modalidade de solidão aqui estudada não é apenas uma entre as outras; nesse caso, ela é, antes, a própria perspectiva a partir da qual todas as modalidades de solidão em causa (inclusive ela própria) são identificadas e caracterizadas. Em suma: o que nós procuramos neste estudo é não só seguir as indicações de Heidegger sobre os vários modos de solidão considerados na analítica, mas também — e sobretudo — produzir uma interpretação global da fenomenologia do “primeiro Heidegger” (e, no limite, da própria filosofia, bem como da estrutura fundamental da existência, de que a filosofia provém) a partir da solidão enquanto saudade de si mesmo. |
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| Autores principais: | Lima, Paulo Alexandre Pinto dos Anjos da Silva |
| Assunto: | Heidegger Fenomenologia Solidão/ não-solidão Filosofia |
| Ano: | 2012 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Propomo-nos investigar o fenómeno da solidão humana a partir do modo como se acha descrito por Heidegger na analítica existencial do Dasein. Trata-se de um primeiro contributo para uma investigação mais alargada do fenómeno em causa — uma investigação que considere a solidão humana em todas as propriedades que a constituem e de todos os ângulos a partir dos quais ela pode ser indagada. Do ponto de vista metodológico tomamos como princípio fundamental o seguinte: a solidão, tal como se acha descrita por Heidegger, não pode ser investigada de forma adequada se não se procurar determinar primeiro o ponto de partida da analítica existencial e a novidade que esta representa em relação à tradição filosófica em que se situa; caso contrário, perde-se de vista o contexto em que a solidão é analisada por Heidegger (os fenómenos com que se acha posta em relação na analítica, etc.) e não se consegue perceber que nova compreensão da solidão é apresentada no empreendimento filosófico do “primeiro Heidegger”. A primeira parte do nosso trabalho é, pois, dedicada a esta tarefa da identificação do ponto de partida da analítica na sua novidade relativamente à tradição. A segunda parte, por seu turno, ocupa-se com a determinação das três principais formas de solidão consideradas por Heidegger no quadro da analítica: 1) o Alleinsein, 2) a existenziale Vereinzelung e 3) a Einsamkeit. Ao longo desta segunda parte, tentamos pôr à prova a hipótese de investigação segundo a qual cada uma das modalidades de solidão referidas se constitui pela ausência da forma de alteridade a que diz respeito. E procuramos examinar, também, se cada uma dessas modalidades de solidão necessita de algo mais, para se constituir, do que a mera ausência da forma de alteridade a que diz respeito — se não supõe, designadamente, enquanto estrutura fundamental a existência tal como Heidegger a descreve. Segundo esta perspectiva, os diversos modos de solidão considerados constituem apenas temas específicos da analítica existencial enquanto empreendimento com carácter filosófico. Todavia, no final do nosso estudo, pretendemos indagar a possibilidade de a última forma de solidão que analisámos (a Einsamkeit: a solidão entendida como saudade de si mesmo) definir a situação da própria filosofia — a própria perspectiva filosófica enquanto tal (sc. a própria perspectiva da analítica existencial enquanto desformalização do projecto da filosofia). Se for assim, como parece ser tendo em conta as indicações de Heidegger na analítica, a última modalidade de solidão aqui estudada não é apenas uma entre as outras; nesse caso, ela é, antes, a própria perspectiva a partir da qual todas as modalidades de solidão em causa (inclusive ela própria) são identificadas e caracterizadas. Em suma: o que nós procuramos neste estudo é não só seguir as indicações de Heidegger sobre os vários modos de solidão considerados na analítica, mas também — e sobretudo — produzir uma interpretação global da fenomenologia do “primeiro Heidegger” (e, no limite, da própria filosofia, bem como da estrutura fundamental da existência, de que a filosofia provém) a partir da solidão enquanto saudade de si mesmo. |
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