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Tarsila do Amaral: Pintora da sua terra? O Estímulo Europeu e o Paradoxo Primitivista no Brasil

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A presente dissertação resulta da investigação do imaginário do primitivismo a partir de um núcleo de obras da pintora e desenhista brasileira Tarsila do Amaral, interessando-se, particularmente, pelas forças de relação paradoxais que ele provocou. Tomando como pressuposto básico que a compreensão da condição fragmentária do primitivismo exige o debate crítico, propõe-se reflexões acerca de terminologias e conceitos em disputa, associados aos modernismos, ao pós-colonialismo e ao nacionalismo. Na tentativa de responder à pergunta: o que o rótulo da “obra prima” nos impede de ver? avalia de que formas Amaral conquistou um lugar de importância na historiografia brasileira, propondo desestabilizar a posição valorativa de “heroína nacional” no modernismo brasileiro. A sua contribuição é muitas vezes lida como movimento contra a dependência cultural europeia, ainda que as estadias da artista em Paris tivessem papel determinante na sua consagração: a “moda” primitivista na vanguarda europeia e o fascínio por culturas consideradas menos civilizadas foi por ela instrumentalizada em vias de ganhar reconhecimento e autenticidade na Europa, utilizando como temática a paisagem brasileira. Assim, ao questionar a sua configuração canônica e “heroica” (uma narrativa linear e orgulhosa), encontramos os desequilíbrios do enquadramento primitivista. Como a relação do primitivismo funda-se no binarismo entre a civilização e a barbárie, o enfoque na realidade do Brasil foi contraditório, de modo que representações que conferiram suposta centralidade à pessoa negra, provocaram efeitos de esterotipização e silenciamento, numa relação de alteridade. São acionadas questões de classe, gênero e raça através de uma investigação mais profunda da pintura Carnaval em Madureira, de 1924. Por fim, esta tese contraria um discurso de “evolução” unidirecional, equacionando como operou a conciliação e a contradição de elementos antagônicos na obra da artista, inscrevendo-a num contexto de hibridização cultural.
Autores principais:Coutinho, Ana Luiza Filomeno
Assunto:Pintura Brasil Tarsila do Amaral Primitivismo Século XX Modernismos Primitivism Tarsila do Amaral XXth Century Modernisms Brazil
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A presente dissertação resulta da investigação do imaginário do primitivismo a partir de um núcleo de obras da pintora e desenhista brasileira Tarsila do Amaral, interessando-se, particularmente, pelas forças de relação paradoxais que ele provocou. Tomando como pressuposto básico que a compreensão da condição fragmentária do primitivismo exige o debate crítico, propõe-se reflexões acerca de terminologias e conceitos em disputa, associados aos modernismos, ao pós-colonialismo e ao nacionalismo. Na tentativa de responder à pergunta: o que o rótulo da “obra prima” nos impede de ver? avalia de que formas Amaral conquistou um lugar de importância na historiografia brasileira, propondo desestabilizar a posição valorativa de “heroína nacional” no modernismo brasileiro. A sua contribuição é muitas vezes lida como movimento contra a dependência cultural europeia, ainda que as estadias da artista em Paris tivessem papel determinante na sua consagração: a “moda” primitivista na vanguarda europeia e o fascínio por culturas consideradas menos civilizadas foi por ela instrumentalizada em vias de ganhar reconhecimento e autenticidade na Europa, utilizando como temática a paisagem brasileira. Assim, ao questionar a sua configuração canônica e “heroica” (uma narrativa linear e orgulhosa), encontramos os desequilíbrios do enquadramento primitivista. Como a relação do primitivismo funda-se no binarismo entre a civilização e a barbárie, o enfoque na realidade do Brasil foi contraditório, de modo que representações que conferiram suposta centralidade à pessoa negra, provocaram efeitos de esterotipização e silenciamento, numa relação de alteridade. São acionadas questões de classe, gênero e raça através de uma investigação mais profunda da pintura Carnaval em Madureira, de 1924. Por fim, esta tese contraria um discurso de “evolução” unidirecional, equacionando como operou a conciliação e a contradição de elementos antagônicos na obra da artista, inscrevendo-a num contexto de hibridização cultural.