Publicação

A “política” na política externa: realismo, agência e clivagens

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:A principal marca da política externa é a sua distinção em relação à política interna/doméstica (uma fronteira clara entre interno-externo), e, associada a essa estão: a racionalidade do Estado, o interesse nacional e a defesa de ameaças externas, a contínua busca por poder, mas sobretudo a sua estabilidade, constância, previsibilidade e despolitização (‘negação da política’). Tal levaria ao distanciamento dos cidadãos (e da discussão política) relativamente à política externa e, em consequência, um processo esvaziado de acção política, de decisão, de clivagens político-partidárias reais e efectivas, de agência, em suma. Ou seja, reconhecer a política externa como um processo esvaziado de política ('politics') fomenta o desinteresse dos cidadãos sobre essas matérias, e vice-versa. Procuraremos analisar criticamente essa percepção sobre a acção externa do Estado, em três partes. Primeiro, como o Realismo limita e impede uma análise mais alargada e exacta da política externa, retirando-lhe complexidade; segundo, a questão agente-estrutura, em particular num contexto de globalização; terceiro, o papel da política ('politics') na política externa, avaliando-o e avançando pistas para a sua melhor compreensão. Estes elementos votam a política externa como uma área 'especial' da acção do Estado, onde a discussão pública, a proposta de caminhos alternativos, e a democracia parecem não ter lugar. Defendemos que a política pode engajar directamente com a política externa e que, num contexto globalizado, ao invés de perder a sua importância, a política externa é reforçada e complexifica-se.
Autores principais:Sousa, Pedro Ponte
Assunto:política externa Realismo; política Análise de Política Externa.
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A principal marca da política externa é a sua distinção em relação à política interna/doméstica (uma fronteira clara entre interno-externo), e, associada a essa estão: a racionalidade do Estado, o interesse nacional e a defesa de ameaças externas, a contínua busca por poder, mas sobretudo a sua estabilidade, constância, previsibilidade e despolitização (‘negação da política’). Tal levaria ao distanciamento dos cidadãos (e da discussão política) relativamente à política externa e, em consequência, um processo esvaziado de acção política, de decisão, de clivagens político-partidárias reais e efectivas, de agência, em suma. Ou seja, reconhecer a política externa como um processo esvaziado de política ('politics') fomenta o desinteresse dos cidadãos sobre essas matérias, e vice-versa. Procuraremos analisar criticamente essa percepção sobre a acção externa do Estado, em três partes. Primeiro, como o Realismo limita e impede uma análise mais alargada e exacta da política externa, retirando-lhe complexidade; segundo, a questão agente-estrutura, em particular num contexto de globalização; terceiro, o papel da política ('politics') na política externa, avaliando-o e avançando pistas para a sua melhor compreensão. Estes elementos votam a política externa como uma área 'especial' da acção do Estado, onde a discussão pública, a proposta de caminhos alternativos, e a democracia parecem não ter lugar. Defendemos que a política pode engajar directamente com a política externa e que, num contexto globalizado, ao invés de perder a sua importância, a política externa é reforçada e complexifica-se.