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Impacto da utilização de didrogesterona em ciclos com níveis de progesterona baixos no dia da transferência de embriões congelados

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: As transferências de embriões congelados (TECs) aumentaram consideravelmente na última década. Parece haver uma relação entre os baixos níveis séricos de progesterona (P4) no dia da TEC e uma redução na taxa de gravidez evolutiva e de parto. Uma estratégia de resgate de ciclos com P4 baixo no dia da TEC poderá ser útil como alternativa a cancelar o ciclo. Objetivo: Verificar se a taxa de gravidez evolutiva dos ciclos TEC em que se observaram valores de P4 baixos, subsequentemente suplementados com didrogesterona (DYD) foi semelhante aos resultados dos ciclos com valores de P4 considerados normais. Avaliar a distribuição dos valores de P4 na amostra e se variáveis como o peso, o índice de massa corporal, a idade ou a etnia da mulher o podem influenciar. Métodos: Estudo de coorte retrospetivo que incluiu ciclos TEC realizados entre Julho de 2019 e Março de 2022 após um ciclo de preparação endometrial artificial usando valerato- estradiol e P4 vaginal micronizado (400 mg duas vezes ao dia). Sempre que o valor de P4 sérico foi considerado baixo na manhã da transferência planeada, adicionou-se 10mg de DYD tri- diário como suplementação. O evento de interesse primário foi gravidez evolutiva após 10 semanas de gravidez. Após uma análise exploratória, identificaram-se quais as variáveis relacionadas com um desfecho positivo, numa análise de regressão univariada e multivariada. Compararam-se grupos de acordo com a administração ou não de DYD, avaliou-se a distribuição dos valores de P4 na amostra e as variáveis associadas a esta variação. Resultados: Analisaram-se 679 ciclos TEC, dos 181 casos (26.7%) suplementadas com DYD e 498 (73.3%) com o tratamento habitual. Verificaram-se 437 casos de gravidez (64.4%-64,9% no grupo sem DYD e 63% no grupo com DYD). Destes 292 (43% do total) foram de gravidez evolutiva (44,0% no grupo sem DYD e 40,9% no grupo com DYD). Os valores de progesterona observados são bem modelados por uma distribuição gama, com média14.4 ng/ml e desvio padrão de 4.6 ng/ml. Através de um modelo de regressão gama verificou-se que as variáveis idade no dia da TEC (p<0.05), etnia (p<0.01), peso (p<0.001) e altura (p<0.05) ajudam a explicar a variação da P4. Num modelo de regressão multivariada verificou-se que a idade na colheita (p<0.01), a espessura endometrial (p<0.001), o dia da transferência (p<0.001) e o n º de embriões transferidos (p<0.05) se relacionavam com gravidez evolutiva. Não se verificaram diferenças nos resultados entre ciclos com ou sem uso de DYD. Conclusões: A idade da mulher no dia da transferência, a etnia e o peso podem ajudar a explicar variações nos valores de progesterona observados. A espessura do endométrio, o dia de chegada a blastocisto e o nº de embriões transferidos relacionaram-se de forma positiva com a possibilidade de gravidez evolutiva. A taxa de gravidez evolutiva foi independente do uso de DYD.
Autores principais:Metello, José Luis Bento Lino
Assunto:Didrogesterona Transferência de embriões congelados ciclo artificial sucesso em PMA ase lútea
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Introdução: As transferências de embriões congelados (TECs) aumentaram consideravelmente na última década. Parece haver uma relação entre os baixos níveis séricos de progesterona (P4) no dia da TEC e uma redução na taxa de gravidez evolutiva e de parto. Uma estratégia de resgate de ciclos com P4 baixo no dia da TEC poderá ser útil como alternativa a cancelar o ciclo. Objetivo: Verificar se a taxa de gravidez evolutiva dos ciclos TEC em que se observaram valores de P4 baixos, subsequentemente suplementados com didrogesterona (DYD) foi semelhante aos resultados dos ciclos com valores de P4 considerados normais. Avaliar a distribuição dos valores de P4 na amostra e se variáveis como o peso, o índice de massa corporal, a idade ou a etnia da mulher o podem influenciar. Métodos: Estudo de coorte retrospetivo que incluiu ciclos TEC realizados entre Julho de 2019 e Março de 2022 após um ciclo de preparação endometrial artificial usando valerato- estradiol e P4 vaginal micronizado (400 mg duas vezes ao dia). Sempre que o valor de P4 sérico foi considerado baixo na manhã da transferência planeada, adicionou-se 10mg de DYD tri- diário como suplementação. O evento de interesse primário foi gravidez evolutiva após 10 semanas de gravidez. Após uma análise exploratória, identificaram-se quais as variáveis relacionadas com um desfecho positivo, numa análise de regressão univariada e multivariada. Compararam-se grupos de acordo com a administração ou não de DYD, avaliou-se a distribuição dos valores de P4 na amostra e as variáveis associadas a esta variação. Resultados: Analisaram-se 679 ciclos TEC, dos 181 casos (26.7%) suplementadas com DYD e 498 (73.3%) com o tratamento habitual. Verificaram-se 437 casos de gravidez (64.4%-64,9% no grupo sem DYD e 63% no grupo com DYD). Destes 292 (43% do total) foram de gravidez evolutiva (44,0% no grupo sem DYD e 40,9% no grupo com DYD). Os valores de progesterona observados são bem modelados por uma distribuição gama, com média14.4 ng/ml e desvio padrão de 4.6 ng/ml. Através de um modelo de regressão gama verificou-se que as variáveis idade no dia da TEC (p<0.05), etnia (p<0.01), peso (p<0.001) e altura (p<0.05) ajudam a explicar a variação da P4. Num modelo de regressão multivariada verificou-se que a idade na colheita (p<0.01), a espessura endometrial (p<0.001), o dia da transferência (p<0.001) e o n º de embriões transferidos (p<0.05) se relacionavam com gravidez evolutiva. Não se verificaram diferenças nos resultados entre ciclos com ou sem uso de DYD. Conclusões: A idade da mulher no dia da transferência, a etnia e o peso podem ajudar a explicar variações nos valores de progesterona observados. A espessura do endométrio, o dia de chegada a blastocisto e o nº de embriões transferidos relacionaram-se de forma positiva com a possibilidade de gravidez evolutiva. A taxa de gravidez evolutiva foi independente do uso de DYD.