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Atividade oxidativa e não oxidativa de células fagocitárias expostas a protozoários do género Leishmania
| Summary: | As leishmanioses, causadas por protozoários do género Leishmania, são um problema de saúde pública e veterinária. No homem, a doença classifica-se clinicamente em leishmaniose cutânea, visceral e mucocutânea. A leishmaniose cutânea pode ser produzida por L. amazonensis, L. shawi e L. guyanensis, entre muitas outras espécies. A leishmaniose visceral zoonótica causada por L. infantum apresenta manifestações clínicas graves que podem ser fatais. Neutrófilos ou células polimorfonucleares (PMN) têm função crucial na imunidade inata, sendo as primeiras a ser recrutadas para o local de infeção. Os monócitos/macrófagos (MФ) desempenham o duplo papel de serem células fagocíticas apresentadoras profissionais de antigénios e as hospedeiras por excelência de Leishmania. O presente trabalho teve como objetivo analisar a atividade leishmanicida de neutrófilos de murganhos BALB/c e de MФ (linha celular P388D1 derivada de murganhos) quando expostos in vitro a espécies de Leishmania do subgénero Leishmania (L. infantum e L. amazonensis) e Viannia (L. shawi e L. guyanensis) através da avaliação da (i) expressão dos sensores celulares NOD1, NOD2, TLR2, TLR4 e TLR9 por real time PCR, (ii) ativação dos mecanismos oxidativos (superóxido nos neutrófilos e óxido nítrico e ureia nos MФ), (iii) importância dos mecanismos enzimáticos e (iv) produção de NET por neutrófilos. Estudo idêntico foi realizado em neutrófilos e MФ de canídeos infetados in vitro com L. infantum. Neutrófilos de murganhos internalizam parasitas dos subgéneros Leishmania e Viannia. Os mecanismos oxidativos e enzimáticos são ativados e geradas NET, contribuindo para o controlo da infeção. No entanto, o contato com os parasitas não promove a expressão génica dos sensores celulares. MФ P388D1 fagocitam as diferentes espécies de Leishmania, porém não ocorre ativação da via clássica, mas sim da via alternativa, assegurando a sobrevivência intracelular do parasita. Nestas células, a exposição às diferentes espécies de Leishmania conduziu a aumentos pontuais da expressão génica de NOD1 e TLR2 e também de TLR9, com exceção de L. shawi. No entanto, as espécies do subgénero Viannia induziram aumento da expressão génica de NOD2. Em conjunto, estes resultados sugerem que cada espécie elabora estratégias próprias de ativação dos sensores celulares. Os neutrófilos caninos também internalizaram L. infantum, ativaram os mecanismos oxidativos e produziram NET capazes de aprisionar extracelularmente promastigotas. Porém, apenas ocorreu exocitose da elastase neutrofilica sugerindo que este parasita restringe a actividade enzimática de neutrófilos. MФ caninos infetados por L. infantum ativaram a via alternativa e apresentaram unicamente expressão aumentada de TLR2, o que desencadeia a ativação dos mecanismos oxidativos e produção de citocinas pró-inflamatórias. Este estudo contribuiu para clarificar o efeito da infeção por espécies cutâneas e viscerais de Leishmania na ativação dos mecanismos oxidativos e não oxidativos das células fagocitárias de canídeos e modelo roedor. Foi demonstrado pela primeira vez que a infeção por Leishmania spp. na célula hospedeira está intimamente associada ao aumento da expressão de TLR2 e, consequentemente, à provável ativação desta via metabólica. A compreensão dos fatores que inibem ou estimulam os sensores celulares de imunidade inata, cruciais no reconhecimento do parasita, pode ser importante no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para a leishmaniose. |
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| Main Authors: | BOLAS, Ana Sofia Valério |
| Subject: | Parasitologia médica Saúde pública Protozoários Leishmaniose |
| Year: | 2015 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | master thesis |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade Nova de Lisboa |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | Repositório Institucional da UNL |
| Summary: | As leishmanioses, causadas por protozoários do género Leishmania, são um problema de saúde pública e veterinária. No homem, a doença classifica-se clinicamente em leishmaniose cutânea, visceral e mucocutânea. A leishmaniose cutânea pode ser produzida por L. amazonensis, L. shawi e L. guyanensis, entre muitas outras espécies. A leishmaniose visceral zoonótica causada por L. infantum apresenta manifestações clínicas graves que podem ser fatais. Neutrófilos ou células polimorfonucleares (PMN) têm função crucial na imunidade inata, sendo as primeiras a ser recrutadas para o local de infeção. Os monócitos/macrófagos (MФ) desempenham o duplo papel de serem células fagocíticas apresentadoras profissionais de antigénios e as hospedeiras por excelência de Leishmania. O presente trabalho teve como objetivo analisar a atividade leishmanicida de neutrófilos de murganhos BALB/c e de MФ (linha celular P388D1 derivada de murganhos) quando expostos in vitro a espécies de Leishmania do subgénero Leishmania (L. infantum e L. amazonensis) e Viannia (L. shawi e L. guyanensis) através da avaliação da (i) expressão dos sensores celulares NOD1, NOD2, TLR2, TLR4 e TLR9 por real time PCR, (ii) ativação dos mecanismos oxidativos (superóxido nos neutrófilos e óxido nítrico e ureia nos MФ), (iii) importância dos mecanismos enzimáticos e (iv) produção de NET por neutrófilos. Estudo idêntico foi realizado em neutrófilos e MФ de canídeos infetados in vitro com L. infantum. Neutrófilos de murganhos internalizam parasitas dos subgéneros Leishmania e Viannia. Os mecanismos oxidativos e enzimáticos são ativados e geradas NET, contribuindo para o controlo da infeção. No entanto, o contato com os parasitas não promove a expressão génica dos sensores celulares. MФ P388D1 fagocitam as diferentes espécies de Leishmania, porém não ocorre ativação da via clássica, mas sim da via alternativa, assegurando a sobrevivência intracelular do parasita. Nestas células, a exposição às diferentes espécies de Leishmania conduziu a aumentos pontuais da expressão génica de NOD1 e TLR2 e também de TLR9, com exceção de L. shawi. No entanto, as espécies do subgénero Viannia induziram aumento da expressão génica de NOD2. Em conjunto, estes resultados sugerem que cada espécie elabora estratégias próprias de ativação dos sensores celulares. Os neutrófilos caninos também internalizaram L. infantum, ativaram os mecanismos oxidativos e produziram NET capazes de aprisionar extracelularmente promastigotas. Porém, apenas ocorreu exocitose da elastase neutrofilica sugerindo que este parasita restringe a actividade enzimática de neutrófilos. MФ caninos infetados por L. infantum ativaram a via alternativa e apresentaram unicamente expressão aumentada de TLR2, o que desencadeia a ativação dos mecanismos oxidativos e produção de citocinas pró-inflamatórias. Este estudo contribuiu para clarificar o efeito da infeção por espécies cutâneas e viscerais de Leishmania na ativação dos mecanismos oxidativos e não oxidativos das células fagocitárias de canídeos e modelo roedor. Foi demonstrado pela primeira vez que a infeção por Leishmania spp. na célula hospedeira está intimamente associada ao aumento da expressão de TLR2 e, consequentemente, à provável ativação desta via metabólica. A compreensão dos fatores que inibem ou estimulam os sensores celulares de imunidade inata, cruciais no reconhecimento do parasita, pode ser importante no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para a leishmaniose. |
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