Publicação
Fatores que influenciam o diagnóstico tardio em pacientes com VIH atendidos no Centro de Saúde de Ndlavela, Maputo - Moçambique
| Resumo: | Introdução: Mundialmente, há francos progressos na luta contra a infeção por VIH. No entanto, alguns desafios permanecem incluindo a alta prevalência do diagnóstico tardio, mesmo após a disponibilização generalizada dos testes de diagnóstico. As desvantagens do diagnóstico tardio são inúmeras, desde a redução da sobrevida da pessoa infetada, aumento da suscetibilidade às infeções oportunistas e maior risco de transmissão da infeção. Assim, o diagnóstico tardio constitui um dos grandes desafios para o controle da pandemia do VIH. Objetivo: Analisar os fatores que influenciam o diagnóstico tardio da infeção por VIH em pacientes atendidos no Centro de Saúde de Ndlavela, Moçambique. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal retrospetivo, realizado no Centro de Saúde de Ndlavela que incluiu pacientes diagnosticados com VIH diagnosticados entre 2015 e 2020. Para este estudo usou-se a definição da European Late Presenter Consensus working group, que considera diagnóstico tardio de VIH, o indivíduo que no momento do diagnóstico tiver uma contagem de linfócitos TCD4+ inferiores a 350 céls/μL ou, independentemente da contagem dos linfócitos, apresentar alguma doença definidora da SIDA. A amostra foi selecionada através da abordagem por conveniência. A regressão logística bivariada e multivariada foi utilizada para identificação dos fatores associados ao diagnóstico tardio, pelo cálculo do Odds Ratio Bruto (OR) e Odds Ratio Ajustado (ORa), respetivamente. Resultados: Um total de 519 participantes foram incluídos na pesquisa, sendo que cerca de 47% foram classificados como diagnóstico tardio da infeção por VIH. O sexo masculino [ORa=2,41 95% IC (1,85-4,35)], a faixa etária dos 35-49 anos [ORa=1,49 95% IC (1,05– 2,97)], diagnóstico feito aquando do início dos sintomas [ORa=4,03 95% IC (2,60-6,15)], teste iniciado pelo provedor de saúde [ORa 2,19 95% IC (1,87 – 3,04)] e medo de estigma [ORa=2,80 95% IC (1,47-3,36)] foram os principais fatores de risco para o diagnóstico tardio da infeção. Conclusão: Neste estudo foram identificados fatores sociodemográficos, comportamentais e psicossociais potencialmente determinantes para o diagnóstico tardio da infeção por VIH. São necessárias ações que promovam a redução do diagnóstico tardio, centrando-se nos fatores de risco e grupos populacionais com maior probabilidade para o diagnóstico tardio. |
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| Autores principais: | CHONE, Jeremias Salomão |
| Assunto: | Saúde pública Sida VIH Diagnóstico tardio Moçambique Determinantes |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Introdução: Mundialmente, há francos progressos na luta contra a infeção por VIH. No entanto, alguns desafios permanecem incluindo a alta prevalência do diagnóstico tardio, mesmo após a disponibilização generalizada dos testes de diagnóstico. As desvantagens do diagnóstico tardio são inúmeras, desde a redução da sobrevida da pessoa infetada, aumento da suscetibilidade às infeções oportunistas e maior risco de transmissão da infeção. Assim, o diagnóstico tardio constitui um dos grandes desafios para o controle da pandemia do VIH. Objetivo: Analisar os fatores que influenciam o diagnóstico tardio da infeção por VIH em pacientes atendidos no Centro de Saúde de Ndlavela, Moçambique. Metodologia: Trata-se de um estudo transversal retrospetivo, realizado no Centro de Saúde de Ndlavela que incluiu pacientes diagnosticados com VIH diagnosticados entre 2015 e 2020. Para este estudo usou-se a definição da European Late Presenter Consensus working group, que considera diagnóstico tardio de VIH, o indivíduo que no momento do diagnóstico tiver uma contagem de linfócitos TCD4+ inferiores a 350 céls/μL ou, independentemente da contagem dos linfócitos, apresentar alguma doença definidora da SIDA. A amostra foi selecionada através da abordagem por conveniência. A regressão logística bivariada e multivariada foi utilizada para identificação dos fatores associados ao diagnóstico tardio, pelo cálculo do Odds Ratio Bruto (OR) e Odds Ratio Ajustado (ORa), respetivamente. Resultados: Um total de 519 participantes foram incluídos na pesquisa, sendo que cerca de 47% foram classificados como diagnóstico tardio da infeção por VIH. O sexo masculino [ORa=2,41 95% IC (1,85-4,35)], a faixa etária dos 35-49 anos [ORa=1,49 95% IC (1,05– 2,97)], diagnóstico feito aquando do início dos sintomas [ORa=4,03 95% IC (2,60-6,15)], teste iniciado pelo provedor de saúde [ORa 2,19 95% IC (1,87 – 3,04)] e medo de estigma [ORa=2,80 95% IC (1,47-3,36)] foram os principais fatores de risco para o diagnóstico tardio da infeção. Conclusão: Neste estudo foram identificados fatores sociodemográficos, comportamentais e psicossociais potencialmente determinantes para o diagnóstico tardio da infeção por VIH. São necessárias ações que promovam a redução do diagnóstico tardio, centrando-se nos fatores de risco e grupos populacionais com maior probabilidade para o diagnóstico tardio. |
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