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O Liberalismo e a Democracia Cristã na Europa pós 1989

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Resumo:O presente trabalho analisa a relação existente entre a ideologia liberal e a ideologia democrata-cristã. Começando pelo nascimento das ideias do fenómeno liberal e do liberalismo (nomeadamente as suas motivações e objectivos), segue depois para o estudo das suas diferentes concretizações práticas (sobretudo entre as vertentes anglo saxónica e continental) e das suas diferentes consequências (como no direito, na política, na economia e na sociedade). Enquadrado o liberalismo, e com o mesmo em pano de fundo, é então possível abordar o nascimento da ideia de democracia-cristã, o seu contexto, a sua matriz inspiradora e, sobretudo, a forma como se relaciona com o liberalismo que a precede. A tensão existente entre estes dois fenómenos é depois acompanhada ao longo de dois séculos, dissecando momentos chave dessa mesma relação, como são os casos do “Ultramontanismo”, da “Kulturkampf” e das Guerras Mundiais. Com o final da Segunda Guerra Mundial, inicia-se o momento alto da concretização da ideologia democrata-cristã - nomeadamente por via do seu personalismo e humanismo integral – que culminam no projeto de integração europeia. Esse intervalo de tempo de trinta anos (“Trente Glorieuses” ou “Wirtschafswunder”) não é, porém, sinónimo de derrota do liberalismo. Pelo contrário, o liberalismo influencia fortemente a democracia-cristã, entre outros, através do ordo-liberalismo e da concepção “atlanticista” (em detrimento da concepção “carolíngia”) dos seus ideólogos alemães. Paralelamente, a democracia-cristã procura manter a sua influência maioritária no entretanto criado Parlamento Europeu, ensaiando para o efeito alianças com forças alheias à sua matriz. Deste cenário resulta uma metamorfose da ideologia democrata-cristã. A queda do sistema de Bretton Woods provoca a emergência de uma nova forma de liberalismo, a qual virá a desafiar todos os consensos até então existentes. Tanto mais que o socialismo real já se encontra também em crise, desabando definitivamente em 1989. Esse “Fim da História” pareceu ditar a vitória da ideologia liberal sobre as demais, pelo que obrigou a um realinhamento de todo o espectro ideológico – democracia-cristã inclusive, acelerando assim a vitória “atlanticista”. Um fenómeno particularmente visível nos novos alargamentos do projeto de integração europeu.
Autores principais:Custódio, Octávio Manuel da Costa
Assunto:Liberalismo Democracia Cristã
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:O presente trabalho analisa a relação existente entre a ideologia liberal e a ideologia democrata-cristã. Começando pelo nascimento das ideias do fenómeno liberal e do liberalismo (nomeadamente as suas motivações e objectivos), segue depois para o estudo das suas diferentes concretizações práticas (sobretudo entre as vertentes anglo saxónica e continental) e das suas diferentes consequências (como no direito, na política, na economia e na sociedade). Enquadrado o liberalismo, e com o mesmo em pano de fundo, é então possível abordar o nascimento da ideia de democracia-cristã, o seu contexto, a sua matriz inspiradora e, sobretudo, a forma como se relaciona com o liberalismo que a precede. A tensão existente entre estes dois fenómenos é depois acompanhada ao longo de dois séculos, dissecando momentos chave dessa mesma relação, como são os casos do “Ultramontanismo”, da “Kulturkampf” e das Guerras Mundiais. Com o final da Segunda Guerra Mundial, inicia-se o momento alto da concretização da ideologia democrata-cristã - nomeadamente por via do seu personalismo e humanismo integral – que culminam no projeto de integração europeia. Esse intervalo de tempo de trinta anos (“Trente Glorieuses” ou “Wirtschafswunder”) não é, porém, sinónimo de derrota do liberalismo. Pelo contrário, o liberalismo influencia fortemente a democracia-cristã, entre outros, através do ordo-liberalismo e da concepção “atlanticista” (em detrimento da concepção “carolíngia”) dos seus ideólogos alemães. Paralelamente, a democracia-cristã procura manter a sua influência maioritária no entretanto criado Parlamento Europeu, ensaiando para o efeito alianças com forças alheias à sua matriz. Deste cenário resulta uma metamorfose da ideologia democrata-cristã. A queda do sistema de Bretton Woods provoca a emergência de uma nova forma de liberalismo, a qual virá a desafiar todos os consensos até então existentes. Tanto mais que o socialismo real já se encontra também em crise, desabando definitivamente em 1989. Esse “Fim da História” pareceu ditar a vitória da ideologia liberal sobre as demais, pelo que obrigou a um realinhamento de todo o espectro ideológico – democracia-cristã inclusive, acelerando assim a vitória “atlanticista”. Um fenómeno particularmente visível nos novos alargamentos do projeto de integração europeu.